Ponto de partida

A História de Nossa Senhora da Guia, como nossa padroeira, constitui o ponto de partida para o surgimento do próprio município. Os casais: Paulo Mendes de Figueiredo-Maria Teixeira de Melo e João Gomes de Melo-Mariana Dias Antunes, sonhavam com a fundação de uma povoação e imaginavam que ela deveria surgir em torno de uma ermida, sob a invocação de Nossa Senhora da Guia. Em 21 de março de 1766, os dois casais doaram, para patrimônio de sua protetora e ereção de sua capela, 120 mil réis de terras, sendo metade no sítio Patos e a outra parte na fazenda Pedra Branca. Em 28 de novembro de 1768, os casais: Simão Gomes de Mello-Josefa Faustino Barreto, Domingos Dias Antunes-Anna Thereza de Figueiredo, além de João e Felippe Gomes de Melo, Ana Maria e Rosa Maria, herdeiros do Alferes João Gomes de Mello e do Capitão Paulo Mendes de Figueiredo, ratificaram a doação da área, na presença de um Tabelião de Piancó, a quem a localidade se reportava naquela época, transferindo para o papel o desejo de nossos fundadores.

A construção da capela teve início no ano de 1772, época em que se incorporava a freguesia de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pombal, instalada no dia 04 de maio do mesmo ano, cuja criação ocorreu através de Carta Régia, datada de 26 de julho de 1766. O fato mais inusitado com relação à igrejinha é que a imagem da Santa, proveniente de Portugal, chegou antes do término da obra, motivo pelo qual foi improvisado um altar embaixo de um pé de pereiro, objetivando iniciar a veneração a nossa padroeira. Quando se fez necessária a retirada da planta a localidade se dividiu em duas facções e por pouco não aconteceu uma guerra civil. Parte da população, solidária com a evolução dos tempos, torcia pela derrubada da árvore, enquanto a outra, mais conservadora, queria preservar a memória religiosa e não aceitava tal proposição. Com a conclusão da capela a convergência do povoamento era inevitável, afluindo para o seu aconchego, pessoas dos diversos níveis sociais: camponeses, vaqueiros, pedreiros e homens de destaque que formavam os mentores da administração local. As habitações começavam a surgir nos arredores e Patos, aos poucos, vislumbrava um horizonte futuro, sob o manto sagrado de sua eterna protetora. O aumento considerável no número de fiéis motivou o surgimento de um movimento em defesa de sua elevação à paróquia com a criação da freguesia de Nossa Senhora da Guia, o que veio a acontecer no dia 06 de outubro de 1788, através da Provisão Régia de número 14, com o seu desmembramento da Gloriosa Senhora Santana do Seridó (Caicó) e incorporação à Diocese de Olinda coordenada pelo Bispo Dom Frei Tomaz da Encarnação Costa e Lima, tendo como primeiro vigário o Padre José Inácio da Cunha Souto Maior, o qual permaneceria na função até 1796, oportunidade em que seria substituído pelo Padre José Ribeiro Campos. Ainda em 1788, foi criado o Distrito de Patos, subordinado ao município de Pombal, época em que as administrações: civil e religiosa, possuíam algumas semelhanças. A autonomia no campo eclesiástico também representava uma relativa independência.

Em 1808, assume o cargo de Vigário de Patos o Padre Antônio da Silva Costa, o qual permaneceria por 10 anos, até a chegada do Padre Jerônimo Rangel em 1818. A mesma função chegou às mãos do sacerdote Antônio Dantas Correia de Góis, em 1825, com término em 1853, quando entregou o cargo ao Padre Manoel Cordeiro da Cruz.

O primeiro sacerdote filho de Patos foi o Padre Joaquim Alves Machado, também chamado pelos seus seguidores de Padim Pade, que em 30 de novembro de 1867 concluiu o Seminário em Fortaleza e retornou a sua terra natal para desempenhar a função de cooperador na paróquia, chegando a interinidade em 30 de setembro de 1871, momento em que o titular Manuel Cordeiro da Cruz deixou, temporariamente, o exercício de suas funções para tomar assento na Assembléia Legislativa Provincial, no dia 07 de novembro. No período de 1878 a 1918, desempenhou a missão de Vigário Titular de Nossa Senhora da Guia. Vale salientar que o Padre Machado também militou na política desde a monarquia e em 1886 chegou a ocupar uma cadeira de deputado estadual. Sua grande preocupação no âmbito religioso girava em torno da ampliação do espaço físico para abrigar os fiéis. A antiga matriz foi reformada, época em que ganhou um patamar em alvenaria e madeira, bem decorado, na parte externa, local que passou a ser utilizado para as celebrações, sendo que as mulheres assistiam as missas no interior da igreja e os homens se aglomeravam no lado de fora, área onde existe atualmente a Praça Edivaldo Motta. A medida não foi suficiente para solucionar o problema, o que acarretou uma consulta popular sobre a aceitabilidade da construção de uma Igreja mais espaçosa, cuja Pedra Fundamental foi assentada em 23 de outubro de 1893, na qual foram gastos 30 contos de réis.

Em 1898, precisamente no dia 15 de dezembro, o vigário Joaquim Alves Machado e o procurador Capitão Manoel Gomes dos Santos, mandaram lançar no livro de tombo cópia da escritura de doação e ratificação do patrimônio de Nossa Senhora da Guia, da Vila dos Patos. Já no ano de 1900, em primeiro de janeiro, foi implantado sobre pedras, a oeste da Vila, um cruzeiro de madeira, o qual serviu de marco da entrada do novo século. A falta de preservação acabou por extinguí-lo, depois do local ter sido ocupado por residências de forma desordenada, ponto que ficaria conhecido por Beco do Cruzeiro.

Em 1910, a nova Matriz de Nossa Senhora da Guia, inaugurada há 04 anos e situada na rua Alegre (mais tarde Rua Grande e Solon de Lucena) recebe a doação de um terreno existente em sua parte frontal, fruto da iniciativa dos seus proprietários, Trajano José da Costa e esposa Maria Augusta de Carvalho, pais do saudoso vereador Noé Trajano, cuja escritura fora assinada em 30 de setembro e mais tarde seria de fundamental importância para a ampliação do novo templo. O Padre Machado, que havia coordenado a transferência inicial da matriz, também foi responsável pela construção do Cemitério dos Variólicos, época em que a população foi acometida por um surto de varíola com o registro de inúmeros óbitos.

O funcionamento da nova paróquia deu grande impulso na expressão religiosa de Patos. O primeiro Bispo da Diocese de Cajazeiras, criada em 1914, Dom Moisés Coelho, em sua primeira visita pastoral à Capital Sertaneja, parte integrante de sua jurisdição, no período de 03 a 09 de outubro de 1917, evidenciou sua satisfação pelo que presenciou na convergência de inúmeras pessoas de todas as classes sociais às atividades desenvolvidas na igreja central. O segundo templo não chegou a ser forrado, não possuiu bancada e o piso era de cimento. Não tinha nenhum traço arquitetônico, contando apenas com três torres pequenas que ornamentavam o seu frontístico. Os habitantes que queriam ter melhores acomodações mandavam confeccionar uma cadeira onde suas iniciais eram gravadas. Com o enorme crescimento de Patos, o problema do passado voltava a ser repetido e mais uma vez a igreja se tornava pequena para abrigar os fiéis.

Em primeiro de janeiro de 1918 a Paróquia de Nossa Senhora da Guia passa a ter novo titular na figura do padre José Neves de Sá em substituição ao Cônego Joaquim Alves Machado que durante a programação é homenageado pelos cinqüenta anos de trabalho pastoral na cidade de Patos.

Voltando à religiosidade da época, se antiga capela funcionou por mais de 100 anos a mais nova não chegaria aos 40. Foi o Padre Fernando Gomes dos Santos, Vigário de Nossa Senhora da Guia a partir de 1937, o idealizador da terceira igreja, cuja idéia provocou uma certa resistência, levando-se em consideração que a estrutura de então deveria ser demolida. O primeiro passo foi o convencimento da população, através de carta aberta, artigos publicados em jornais, reuniões e debates com os segmentos da sociedade. Posteriormente, o referido sacerdote constituiu grupos de divulgação e arrecadação de donativos. O Lançamento da Pedra Fundamental, que teve a aprovação do Bispo de Cajazeiras Dom João da Mata de Andrade e Amaral, ocorreu em 2 de junho de 1940, com a construção sendo iniciada no mês seguinte. Em 30 de outubro do mesmo ano, registrou-se um lamentável acidente nas obras de construção da Igreja Matriz, por volta das 09:00 horas da manhã, oportunidade em que ruiu uma tesoura de sustentação do teto, provocando a morte do mestre de obras Pedro Bernardo de Lucena, mais conhecido por Pedro Benedito, além de ferimentos em outros operários.

O trabalho foi desenvolvido em ritmo tão acelerado que em 14 de setembro de 1942 já era colocada a custódia da torre, oferta do senhor Custódio José Pessoa, que também doou a importância de seis contos de réis destinados a outras melhorias. Vale salientar que antes da conclusão do templo, momento em que faltou o ferro para terminar a obra, Padre Fernando foi até a fazenda do seu pai e retirou o arame grosso que a cercava para resolver parte do problema. Em 30 de novembro do mesmo ano, a nova matriz recebeu o relógio de mostrador redondo fabricado nas oficinas Salesianas de Juazeiro e doado pelos nove sócios do Garimpo de São Vicente, no município de Piancó.

Aos 04 de dezembro de 1949, aconteceu a primeira celebração de ordenação sacerdotal na Paróquia de Nossa Senhora da Guia, época em que o seu vigário era o Padre Zacarias Rolim de Moura. Os diáconos Luís Laíres da Nóbrega, Luís Gualberto de Andrade e Milton Arruda de Alencar, eram oficializados sacerdotes, pelo então Bispo de Cajazeiras Dom Luís Amaral Mousinho.

A partir de 1949 e até o ano de 1950 foram realizados os trabalhos de pintura da parte interna da Catedral, onde estão verdadeiras obras de arte, dentre as quais a via sacra, constituindo uma das maiores belezas culturais da região Nordeste. O artista convidado para realizar o trabalho residia na Capital Pernambucana e chamava-se José Lima. O mesmo teve formação artística na Itália, foi irmão franciscano, seminarista, chegando, inclusive, a fazer curso teológico. O referido pintor, que contava com a ajuda da esposa, trabalhava mais à noite e durante a madrugada. Outra curiosidade é que as pinturas do teto foram feitas no próprio local, sendo que o apoio era fixado em armações de madeira, em alguns momentos com o corpo deitado. José Lima que sofria de surdez, após concluir os trabalhos voltou para o Recife, posteriormente seguiu com destino a São Paulo e nunca mais foi localizado, acreditando-se que o mesmo tenha falecido. Ele chegou a ser procurado pelo Padre Levi Rodrigues, que objetivava pintar a Igreja de Santo Antônio, sem qualquer roteiro conseguido. Fala-se ainda de uma pequena participação de Zezinho Pintor, da cidade de Patos, nos quadros mais próximos ao solo, oportunidade em que o patoense de saudosa memória teria aprimorado parte dos seus conhecimentos no campo da arte.

Ainda em primeiro de abril de 1950, foi aberto o Seminário Mínimo São José, funcionando nas dependências do Ginásio Diocesano de Patos, tendo na pessoa do Padre Joaquim de Assis Ferreira o seu primeiro reitor.

No dia 03 de maio um grupo de Patos, formado pelo Padre Manuel Vieira, Áureo Guedes, Maria Esther Sátyro Fernandes, Euzari Aires Moura, Adjalma Medeiros e Ieda Wanderley Sátyro, embarcou em Recife, no Navio Duque de Caxias, pertencente à Marinha do Brasil, rumo à Itália, com o objetivo de participar das comemorações do Ano Santo, em Roma, presididas pelo Papa Pio XII. O regresso aconteceu no dia 26 de junho.

Entre os grandes eventos realizados na Catedral de Nossa Senhora da Guia podemos destacar a primeira visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, no dia 22 de novembro do ano de 1953. A preparação foi confiada ao padre Francisco Sitônio, que assumiu a condição de Vigário da Catedral, em virtude de seu titular, Zacarias Rolim, ter sido sagrado Bispo. Naquela ocasião o Padre Joaquim de Assis Ferreira já dava provas do grande talento cultural que passaria a referenciá-lo, momento em que fazia a oratória de saudação.

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