D. Fernando


Uma das maiores referências da Igreja Católica, no município de Patos, é Dom Fernando Gomes. Nascido aos 04 de abril de 1910, uma segunda-feira, e filho de Francisco Gomes dos Santos e Veneranda Gomes Lustosa, foi batizado no sexto dia de vida pelo Cônego Joaquim Alves Machado. Residindo com a família no largo da igreja, hoje dedicada a Nossa Senhora da Conceição, recebeu a primeira comunhão no dia 24 de maio de 1917, na Paróquia de Nossa Senhora da Guia. O curso primário foi ministrado em parte pelo seu próprio pai e concluído na escola do Professor Alfredo Lustosa Cabral. A vontade de ser padre acabou sendo decisiva para o seu ingresso no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, na Capital Paraibana, no dia 31 de janeiro de 1921, onde permaneceu até 1929, cursando da admissão até o segundo ano de teologia. Em Roma concluiu os seus estudos eclesiásticos, na Universidade Gregoriana, como aluno do Colégio Pio Latino Americano. Recebeu o Sagrado Presbiterado no dia primeiro de novembro de 1932, das mãos de Sua Eminência Cardeal Marchetti Selvaggiani e celebrou a primeira missa no dia seguinte, no túmulo dos Apóstolos São Pedro e São Paulo. Ao voltar da Capital Italiana exerceu o Sagrado Ministério de sua Diocese de origem nas cidades de Cajazeiras (1933 a 1936) e de Patos (1937 a 1943). Demonstrando o quanto o Padre Fernando Gomes se prendia as suas origens, o escritor patoense Alyrio Meira Wanderley, escreveu: “Depois, dizendo adeus à Europa, retornou o caminho dos missionários seiscentistas, cortando o mar-oceano, rumo à América. Não procurou, porém, o Sul ou o Norte, a moleza brilhante das cidades tentaculares, o bulício irisado e cosmopolita da costa, a fulguração musical e mileumanoitesca das babilônias de cimento armado. O Atlântico não tentou esse apóstolo das Espinharas. Passou incólume entre as vertigens da civilização que madrugou em Florença para resplandecer em New York. Regressou, simplesmente, a fúlgidas sertanias nativas”. Dom Fernando, ainda como sacerdote de Cajazeiras, conseguiu revitalizar o antigo Colégio Padre Rolim e em 1936 dava aquela localidade o slogan: “a terra que sabe ler”. Enviou protocolo ao Ministério da Educação, época em que o País tinha na Presidência Getúlio Vargas, conseguindo a equiparação e reconhecimento do Colégio Pedro II do Rio de Janeiro. A partir de então a referida escola passou a ser procurada por jovens de todas as cidades da região e até mesmo de outros Estados. Ainda estando em Cajazeiras, com o então Bispo da Diocese fundou dois grandes colégios em Patos: o Diocesano e o Cristo Rei. Aqui chegando em 1º de janeiro de 1937, para conduzir os destinos de nossa paróquia, o Padre Fernando deu maior impulso a essas unidades de ensino, repetindo na Capital do Sertão o que fizera na terra da família Rolim, em termos de educação. Outra ação imediata do novo pároco foi à edificação de um dispensário destinado aos pobres, com o objetivo de livrar as ruas da cidade dos mendigos, ao mesmo tempo em que apregoava uma assistência integral aos residentes da instituição de caridade.

No ano de 1939, o Padre Fernando Gomes conseguiu concretizar um sonho acalentado por ele há bastante tempo: a oficialização da Ação Católica. No dia 17 de dezembro, Dom João da Mata Andrade e Amaral, então Bispo de Cajazeiras, entregou a 44 jovens da cidade de Patos o distintivo oficial da referida instituição religiosa.

Em 1941, padre Fernando alcançava o canonicato e, no ano seguinte, a Santa Sé lhe conferia o título de monsenhor. Em 1942, com a calamidade climática que atingiu a região sertaneja ele criou a Casa dos Pobres, oportunidade em que o prédio adquirido na Rua Deodoro da Fonseca passou a atender as pessoas mais carentes. Transpondo vários obstáculos reformou a estrutura transformando-a em um pequeno hospital. A sua gestão como diretor espiritual da Diocese, teve seu ponto máximo em dois grandes momentos: o primeiro quando compôs os versos do Hino de Nossa Senhora da Guia e o segundo na transformação do nosso templo principal que perdura até os dias atuais. A torre da Igreja, o passo mais difícil, passou de projeto à obra concretizada e a pintura interna se tornou digna de contemplação, graças a sua atuação. O Círculo de Operários e as Ordens Religiosas, também foram abastecidos por ele para a seqüência da caminhada.

Foi eleito Bispo de Penedo – Alagoas, aos 09 de janeiro de 1943, sendo que o anúncio oficial aconteceu seis dias depois, na cidade de Cajazeiras, sede da Diocese, em solenidade prestigiada por uma multidão de fiéis, oportunidade em que usaram da palavra: O Juiz de Direito, Agrícola Montenegro; o seminarista, Luiz Palmeira; o professor Euclides Gomes de Brito e o Vigário Capitular da Diocese, Padre Abdon Pereira. No dia 04 de abril do mesmo ano, no seu 33º aniversário, recebeu a Sagrada Unção Sacramental do Episcopado na cidade de Patos. A programação foi a seguinte: 05:00h, alvorada de fé e missa nas diversas capelas e oratórios; 06:30h, Sagração na Igreja de Nossa Senhora da Guia, em cerimônia presidida por Dom Moisés Coelho – Arcebispo da Paraíba e participação dos Bispos: Dom Mário de Miranda Vilas Boas – Garanhuns-PE; Dom João da Mata Amaral – Manaus-AM; Dom José Tomaz Gomes da Silva – Aracajú-SE, Dom José de Medeiros Delgado – Caicó-RN. O Interventor da Paraíba, Ruy Carneiro, foi representado por José Joffily Bezerra.

Após o período em que permaneceu como Bispo de Penedo iniciou a mesma missão na Capital Sergipana, onde chegou em 1949, com atuação marcante no campo social, nas vocações e na Ação Católica. Propôs a criação das Dioceses de Estância e Própria com o apoio do Papa Pio XII e criou a SAME, instituição que congregava os pobres de Aracajú. Em 1952, Dom Fernando teve participação ativa, Juntamente com Dom Hélder Câmara, na Criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

No dia 26 de março de 1957, foi designado para coordenar a recém criada Arquidiocese de Goiânia, assumindo o cargo em 16 de junho, quando o Núncio Apostólico, Dom Armando Lombardi, lhe deu posse. Como primeiras ações, o novo Arcebispo da Capital de Goiás, lançou uma Revista periódica, intitulada “A Verdade nos Libertará”, promovendo uma divulgação ampla do trabalho de evangelização e promoveu a circulação diária do Jornal “Brasil Central”.

Em 1958, fundou a Rádio Difusora de Goiânia, que serviu de suporte para a divulgação do Movimento de Educação de Base MEB, estimulando a alfabetização e o sindicalismo entre os agricultores, para no ano seguinte dar início a uma experiência de reforma agrária, na fazenda Conceição, pertencente a Arquidiocese e localizada em Corumbá de Goiás, com a distribuição de terras, construção de casas e a prestação de assistência técnica as 52 famílias de lavradores pobres. Neste mesmo período fundou a Universidade Católica do Estado de Goiás, a primeira instituição de ensino superior da região.

Participou de todas as reuniões do Concílio Vaticano II até 1965 e representou a CNBB em 1968, na II Conferência Geral do Episcopal Latino-Americano, período em que se encontrava na direção da Comissão de Estudos sobre meios de Comunicação Social.

A exemplo do que fez em Sergipe, Dom Fernando coordenou a criação de novas dioceses em Goiás, nos municípios de Eunápolis, Ipameri, Itubiara, São Luiz de Montes Belos, Miracema do Norte e Rubiataba, além da Arquidiocese de Brasília.

Em primeiro de novembro de 1982, celebrou o seu Jubileu de Ouro Sacerdotal, oportunidade em que também comemorou o 25º aniversário da Arquidiocese de Goiânia. Neste mesmo ano lançou o seu livro “Sem Violência e sem Medo”.

Dom Fernando Gomes conduziu todo o seu povo com brilhantismo e sabedoria não precisando fugir das doutrinas da Igreja, inclusive nas divergências empreendidas quando quis defender os interesses dos menos favorecidos, a exemplo da luta que travou pela reforma agrária, a qual não era vista com bons olhos por muitos integrantes de sua religião. Mesmo tendo muito amor a família pouco tempo viveu com ela depois de se tornar sacerdote. Morreu em primeiro de junho de 1985, um sábado, e foi sepultado no dia 03, na Catedral Metropolitana de Goiânia.

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