Economia

Partindo de nossas premissas econômicas, como forma de proporcionar o melhor entendimento sobre as justificativas do desenvolvimento, vale relembrar a caminhada das boiadas, nos primórdios da colonização, arrastando os desbravadores dos sertões para as margens férteis dos rios. O romântico e cantado Espinharas, serviu de caminho, debruçou-se sobre as águas tranqüilas da Lagoa dos Patos e ambos continuam como testemunhas oculares da localidade erguida pelos silvícolas, a qual nunca perdeu suas origens, sequer no nome.

A pecuária veio como atividade primeira, em seguida a agricultura de subsistência e, posteriormente, a implantação de algodão mocó, fechava o ciclo primário da economia das Espinharas. O comércio teve nas feiras livres sua fase embrionária, consagrando Patos como pólo de desenvolvimento dos sertões, marcando a cidade como traço de união entre três estados: Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A atual Praça Edivaldo Motta, antiga do Ginásio e antiguíssima da Conceição, foi palco das primeiras transações, onde a troca das mercadorias quase substituiu a moeda. No local, de tudo tinha para vender, como dizia Gonzaga em suas toadas sertanejas. A riqueza agrícola alastrou-se e Patos, além da grande feira livre, criou um espaço para a comercialização do gado, nos famosos currais de São Sebastião.

Os tabuleiros dos anos quarenta transformaram-se em lojas, as bodegas deram origem às mercearias, estivas de caixão passaram para armazéns, secos e molhados se alojaram em empórios. O espaço físico não mais comportava a força do comércio, com feirantes, animais, transportadores, raríssimos caminhões carinhosamente chamados de cara branca, com suas boléias de madeira despejando gente e gêneros alimentícios.

Em primeiro de agosto de 1925 era fundado o Banco Agrícola de Patos, tendo como diretor gerente Gerson Gomes Lustosa, secretariado pelo Dr. Abelardo Lobo, numa prova inconteste do grande potencial econômico que o município já possuía, notadamente com relação ao algodão e pecuária. A expansão comercial passava a exigir dos governantes investimentos de grande porte e, nos anos cinqüenta, a cidade recebia o Mercado Público, mudança que provocou uma grita geral, em virtude da nova estrutura se localizar um pouco distante do largo da Igreja Velha. Quase um plebiscito se estabelece, mas acabou prevalecendo a modificação de hábitos e costumes da cidade.

O local da antiga feira e seu prolongamento através da Rua Grande, atual Solon de Lucena, transformou-se em sede de um comércio mais sofisticado. Vale registrar a atração de empreendimentos privados, a exemplo da CAMPAL-Cooperativa Agrícola Mista de Patos, fundada em 03 de maio de 1951, como ponto fundamental no desenvolvimento da Capital do Sertão. Já em 13 de junho de 1960, foi instituída a Algodoeira Horácio Nóbrega, momento em que já contava com a Anderson Clayton, fabricante do famoso sabão Virgínia.

A presença marcante do Banco do Brasil, instalando-se em Patos no dia 28 de julho de 1941, em plena Guerra Mundial, constituiu um grande marco de desenvolvimento. Era a primeira instituição financeira oficial da cidade, com sede na rua Solon de Lucena, ponto de concentração da área comercial.

Naquela época, o primeiro gerente, Severino Bezerra de França, começou a operar, dando a injeção de crédito de que todo o sertão precisava e de que Patos era a mais beneficiada, atingindo o comércio, a indústria e a agricultura. A primeira remessa de dinheiro, provinda de Campina Grande, foi de 120.000$000 (cento e vinte contos de réis). Bivar Olintho fez o primeiro depósito de 2.000$000 (dois contos de réis), uma fortuna. Do prédio primitivo a Instituição Financeira mudou-se para a rua Bossuet Wanderley e somente em 07 de março de 1972 passaria a ocupar a sua casa própria, em um dos prédios mais modernos da cidade, onde funciona até os dias atuais, na Avenida Epitácio Pessoa. Personalidades do campo político e financeiro participaram das solenidades de inauguração, a exemplo do Governador Clóvis Bezerra, ex-governador João Agripino, Senador Ruy Carneiro e representando a Diretoria Nacional esteve o senhor Camilo Calazans de Magalhães, responsável pela parte de crédito para a Região Nordeste, na mesma data em que recebeu o título de Cidadão Patoense, proposto pelo então vereador Rênio Torres e sancionado pelo prefeito Olavo Nóbrega. A bênção foi confiada ao Padre Joaquim de Assis Ferreira.

Na época da inauguração de sua nova sede a agência do Banco do Brasil tinha em depósitos voluntários Cr$ 2.700.000,00 (dois milhões e setecentos mil cruzeiros), cujas aplicações na região estavam assim divididas: Cr$ 3.315.000,00 no comércio; Cr$ 2.515.000,00 na indústria; Cr$ 19.300.000,00 na agricultura e pecuária; Cr$ 1.020.000,00 em outras atividades. Ao todo eram Cr$ 26.150.000,00 (vinte e seis milhões, cento e cinqüenta mil cruzeiros).

Para se ter uma idéia clara do que representou o Banco do Brasil para a economia da região sertaneja, vale registrar que durante a ameaça do colapso econômico do Nordeste, em 1970, a agência local prorrogou os débitos vencidos pelo prazo de 08 anos, num total de Cr$ 4.100.000,00 (quatro milhões e cem mil cruzeiros) e concedeu créditos de emergência para melhoramento nas propriedades no valor de Cr$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil cruzeiros).

O impulso comercial aproximou Patos dos grandes centros produtores do país. Já não bastava a rua da Areia em Campina Grande, como fonte abastecedora. Recife tornou-se praça de compra. Com as rodovias pavimentadas passou Patos a comprar e se modelar economicamente com a grande metrópole, São Paulo, capital. A Rio-Bahia era percorrida com a mesma tranqüilidade com que o famoso “Chofé Barra Branca” percorria a velha central Patos-Campina Grande.

Com o passar dos tempos e chegada da conseqüente evolução comercial e industrial novas agências bancárias foram surgindo e entre as mais tradicionais podemos destacar o Banco Industrial que mais tarde daria lugar ao BNB, a Caixa Econômica Federal, o Paraiban substituído pelo Banco Real, o Bradesco, além de outras já extintas, a exemplo da Própria, Itaú, Banco Econômico e Banorte.
Do surto comercial partiu Patos para a fabricação. Hoje, as indústrias de calçados, redes, móveis, alimentos, bebidas, confecções, entre inúmeras outras, ao lado com o comércio, são responsáveis pela forma econômica das Espinharas.

Em 2003, segundo dados da Coletoria Estadual de Patos, a Capital do Sertão da Paraíba já possuía 225 indústrias, 08 empresas agropecuárias, 10 empresas de transportes, 01 empresa de comunicação, 23 empresas de serviços, 71 comerciantes atacadistas e 1.301 comerciantes varejistas, inscritos regularmente, além de inúmeros integrantes da informalidade.

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