D. Gerardo


Dom Gerardo de Andrade Ponte, o segundo Bispo Diocesano da Capital do Sertão, pisou em terras patoenses em 26 de fevereiro de 1984, quando assumiu a função para a qual foi designado através de anúncio oficial feito em 14 de dezembro do ano anterior. Trazia consigo uma grande bagagem, talvez jamais imaginada pelo menino nascido em Fortaleza, no primeiro dia de dezembro, do ano de 1924. Filho de Frederico Ferreira da Ponte e Maria Lehena Andrade Ponte, cursou o primeiro e o segundo graus para em seguida partir ao encontro dos ensinamentos católicos, ingressando em Filosofia e Teologia, no período de 1937 a 1949, no Seminário da Prainha, em sua terra natal. No período de 1970 a 1971 fez parte de uma das turmas da Faculdade de Filosofia do Ceará. Chegou a assumir postos importantes a partir da década de 40, tendo sido professor do Seminário onde estudou a partir do ano de 1945. Ordenado sacerdote em 1948 passou, no ano seguinte, a exercer a função de vigário cooperador da Paróquia de Nossa Senhora do Patrocínio. Na seqüência foi titular das seguintes paróquias: Aquiraz, em 1950; Nazaré, de 1952 a 1954, Nossa Senhora do Patrocínio, em 1954 e Nossa Senhora de Fátima, de 1955 a 1975; Reitor do Seminário Provincial da Prainha – Fortaleza-CE, no período de 1964 a 1966; fundador e diretor do Ginásio Santo Tomás de Aquino, de 1970 a 1975. Sua ordenação Episcopal aconteceu em 17 de agosto de 1975, oportunidade em que passou a coordenar a Diocese de Petrolina-PE, onde permaneceu até 1983. Também foi administrador Apostólico daquela cidade pernambucana “ad nutum sanctae Sedis” (1983-1985).

Dom Gerardo de Andrade Ponte foi recebido em clima festivo e já trazia em mente uma plataforma peculiar a sua atuação. Como Bispo de Patos desenvolveu suas atividades até novembro de 2001, levando a efeito uma profunda ligação ao cultivo das vocações sacerdotais. Foi graças ao seu trabalho que a cidade ganhou o novo prédio do Seminário Diocesano, de onde já saíram mais de 15 padres. Reequipou a Rádio Espinharas, que possui hoje a melhor potência, onde mantinha um programa diário, na divulgação dos princípios da evangelização. Dinamizou a vida interna da Diocese com o incremento das pastorais e dos movimentos. Na área social incentivou sempre a formação de trabalhos comunitários, a partir da perfuração de poços, salões e plantios comunitários, além das barragens subterrâneas, através do PROPAC – Programa de Promoção e Ação Comunitária. Graças a sua atuação, à Diocese ganhou novas Pastorais: Da criança, da Família, Carcerária, Catequese, do Menor, da Sobriedade, da Liturgia, da Esperança, do Dízimo e da Saúde. Também vale destacar a chegada das comunidades: Shalom, Dimensão Missionária, Apóstolos da Palavra e Cáritas II.

As Comemorações alusivas aos 50 anos de sacerdócio do Bispo Dom Gerardo de Andrade Ponte, foram levadas a efeito em 1998, durante uma semana, com a participação de autoridades católicas, entre as quais, o Padre Cláudio Sartori, formador e diretor de estudos do Seminário da Arquidiocese da Paraíba; Padre Virgílio de Almeida, Vigário de Santa Rita; Padre Luís Antônio de Oliveira, Vigário Geral da Arquidiocese de João Pessoa; o Bispo de Cajazeiras, Dom Mathias Patrício de Macêdo; Dom Luiz Gonzaga Fernandes, Bispo de Campina Grande; Dom Francisco Austregésilo de Mesquita Filho, Bispo de Afogados da Ingazeira. A programação culminou com a celebração em ação de graças, no Estádio Municipal José Cavalcante, tendo como pregador o Arcebispo de São Luiz do Maranhão e irmão do homenageado, Dom Paulo Eduardo de Andrade Ponte, com a participação de 20 Bispos e mais de 60 Padres.

Oração do Jubileu Áureo Sacerdotal de Dom Gerardo

Deus nosso Pai, ao aproximar-se o Terceiro Milênio da Era Cristã, queremos celebrar o Grande Jubileu dos 2000 anos do nascimento de Jesus Cristo, vosso filho, presente no meio de nós.
Ó Jesus Bom Pastor, sois vós que, no dia 06 de dezembro próximo, reunireis em Patos, a Diocese em Missão, para celebrar os 50 anos de vida sacerdotal de nosso Bispo Diocesano, Dom Gerardo de Andrade Ponte.
Ó Espírito Santo, força do alto, aumentai e revigorai os ministérios leigos, sacerdotais e religiosos em nossas comunidades.
Que possamos assumir, unidos ao nosso Bispo Jubilar, com renovado ardor missionário, a Ação Evangelizadora em nossa Diocese, na mais profunda comunhão eclesial.
Ó Trindade Santa, isto vos pedimos, unidos com Maria a Mãe Da Guia e com os apóstolos nessa caminhada Missionária da Igreja de Patos. Amém.

Mesmo deixando a titularidade, em cumprimento ao que preceitua as diretrizes da Igreja que recomendam a renúncia aos 75 anos de idade, Dom Gerardo fez questão de permanecer residindo e trabalhando em Patos e, na condição de Bispo Emérito, continuo sendo responsável por boa parte do trabalho de evangelização. Entre os seus grandes atos está a construção da Igreja de Santo Expedito, no bairro das Placas, um templo majestoso de arquitetura invejável entregue a comunidade em outubro de 2004.

Em 01 de dezembro de 2004, a cidade comemorou os seus 80 anos de vida, numa celebração inesquecível ocorrida na Catedral de Nossa Senhora da Guia, momento em que demonstrou todo o seu amor pelo eterno Pastor Diocesano.

No final de 2005, Dom Gerardo lançou o seu primeiro Livro intitulado “Lições e Vestígios de uma Jornada de Esperança”. O trabalho editorial fez uma viagem por sua vida, notadamente com relação à dedicação ao trabalho de evangelização, com ênfase ao período do bispado na Diocese de Patos. Numa junção de fé e vida, o referido Pastor fez inúmeras reflexões baseadas em trechos da escritura, relembrou com carinho a atuação na Rádio Espinharas, rememorou o sentimento da renúncia em obediência ao que preceitua a Santa Sé, destacou o seu imenso orgulho pelo sacerdócio e renovou a sua confiança em Deus, através de uma dose considerável de otimismo.

Simples, como sempre foi, o também escritor ponderou os inúmeros elogios e com seu sorriso peculiar classificou o trabalho como um mero registro do diário de sua história.

O falecimento do Bispo Emérito de Patos, Dom Gerardo de Andrade Ponte, em que pese o grande período em que convalesceu, motivado pelas complicações seqüenciadas no seu estado de saúde, provocou grande choque na população sertaneja e de modo mais intenso nos patoenses. O fato comunicado no final da tarde de quarta-feira, dia 24 de maio de 2006, trouxe um clima de enorme comoção e praticamente parou todos os setores da sociedade.

Em Janeiro, submetido a uma operação de próstata na cidade de Patos, sofreu complicações durante o ato cirúrgico, vindo a ser acometido de um Acidente Vascular Cerebral, o que o deixou em coma profundo, vindo a ser transferido em uma UTI no AR, para a cidade de Fortaleza, onde reside a maioria dos seus familiares. Na Capital Cearense, Dom Gerardo veio a ter algumas melhoras, contudo, mais tarde o quadro evoluiu para pior chegando a óbito.

Após as homenagens póstumas em seu Estado Natal, o corpo foi transladado para a cidade de Patos e velado na catedral de Nossa Senhora da Guia, até o final da tarde de sexta-feira, dia 26 de maio de 2006, quando foi sepultado no interior da principal Igreja da Capital do Sertão. Ao longo da referida data foram celebradas três missas, sendo a última campal, reunindo milhares de pessoas que, mesmo em meio às chuvas, permaneceram no local até o final da concelebração, presidida pelo Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagoto, com a participação de todo o Clero Diocesano e o irmão do homenageado, Dom Paulo Eduardo de Andrade Ponte.

Praticamente todos os segmentos sociais de Patos prestaram solidariedade aos familiares do distinto, a exemplo da Associação Comercial, Sindicato do Comércio Varejista e Câmara de Dirigentes Lojistas que, em nota divulgada na imprensa, reconheceram a grande importância do dinâmico Pastor Diocesano.

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