D. Manoel


Manoel dos Reis de Farias nasceu em uma região chamada Serra Verde, encravada na zona rural do município de Orobó – Pernambuco, aos vinte e três dias do mês de abril, do ano de 1946. Não chegou a conhecer sua mãe, Josefa, a qual tinha o apelido carinhoso de Zinha, tendo em vista que a mesma faleceu quando ele ainda era criança. Pela pouca idade, não conseguiu guardar nenhuma imagem da genitora, destacando apenas a sua estatura baixa, com base em informações de terceiros. Severino Francisco Alves, o seu pai, desnorteado com a morte da esposa, ficou apenas alguns meses em companhia dos três filhos, decidindo contrair novo matrimônio, passando a residir na região do Brejo Paraibano, precisamente no município de Campina Grande, e deixando a criação do trio a cargo da avó Bevenuta, também conhecida por Saduta ou Dona Duta. Na condição de caçula, Manoel sempre teve um carinho especial, inclusive, com relação aos estudos. Se por um lado trabalhava na agricultura de subsistência, por outro, tinha assegurado o horário da escola. Relembra que poucas eram as pessoas que na época gozavam de tal privilégio, ao ponto de se destacar entre os meninos de sua idade, pelo simples fato de saber ler e escrever alguma coisa.

Porque o nome: Manoel dos Reis de Farias

Tradicionalmente estamos ligados aos nossos genitores a partir da família expressa na denominação, no entanto, o jovem em destaque teve mais uma particularidade curiosa. Tudo aconteceu quando se dirigiu ao cartório para a emissão do registro, objetivando se habilitar ao primeiro voto e no espaço reservado ao pai foi preenchido apenas Severino, já que ninguém tinha conhecimento do seu sobrenome e paradeiro. Decidiu-se pela referência do avô materno Pedro Joaquim de Farias e tios, também por parte de mãe, que assinavam com “dos Reis”. Manoel só veio a conhecer o seu pai, com sete filhos da segunda família, na véspera da ordenação, quando descobriu que o mesmo residia na Rainha da Borborema.

De onde surge o desejo de servir a Deus

Instado a falar sobre os aspectos da vocação, afirma que tudo começou aos 12 anos, quando ainda no curso primário a professora de religião, de nome Judite, sempre falava do desejo de ver um dos seus alunos padre. Inspirado em um colega, que por sinal era sobrinho da docente, mesmo sem saber o que significava tal missão, Manoel chegou a fazer a promessa. Aquele acontecimento provocou uma constante cobrança, paralela aos estímulos, o que aos poucos enraizava um futuro promissor no trabalho da Igreja Católica. Outro ponto forte aconteceu em um determinado dia, quando acompanhava uma celebração através do rádio. O sacerdote falava sobre a escassez de apóstolos de Deus, apelando às comunidades que implementassem ações capazes de ampliar o número de padres, momento em que era registrado o toque definitivo, para a concretização de um destino. Manoel dos Reis de Farias, aos 17 anos, já estava decidido sobre o seu futuro. Pouco tempo depois, ingressou no Seminário, onde continuou os estudos sendo ordenado sacerdote no dia 06 de janeiro de 1983.


A Sagração em Nazaré da Mata

Milhares de pessoas se concentraram na praça da Catedral de Nazaré da Mata – Pernambuco, no dia 10 de novembro de 2001, para acompanhar a sagração de Dom Manoel dos Reis de Farias, presidida pelo Bispo Jorge Tobias de Freitas. A Posse como Pastor Diocesano de Patos aconteceu em primeiro de dezembro de 2001, com início às 16:00 horas, durante uma grande solenidade no Estádio Municipal José Cavalcante. A recepção, no entanto, ocorreu no início da manhã na cidade de Junco do Seridó, onde ele foi saudado pelo pároco e prefeito e em seguida rumou para Santa Luzia, oportunidade em que uma multidão o aguardava. Após uma parada rápida em São Mamede para cumprimentar fiéis que se concentravam na rodovia a comitiva se destinou à cidade de Patos. A partir do Posto Tigrão, uma grande carreata se dirigiu à Catedral de Nossa Senhora da Guia para a primeira manifestação de boas vindas ao atual Bispo da Diocese.

Dom Manoel tem levado a efeito um trabalho profícuo, constituído na humildade, com mudanças significativas. A descentralização e rodízio têm contribuído decisivamente para a ampliação das ações de evangelização dos que compõem a área de atuação da Diocese de Patos. Com sua simplicidade e modo pacato de proceder vem cativando um lugar de destaque no coração dos sertanejos.

O Currículo resultante do esforço

Uma retrospectiva dos espaços galgados por Manoel dos Reis de Farias pode nos trazer uma idéia básica do grande esforço e dedicação pessoal levados a efeito e que o tornaram, em um tempo relativamente curto, no mais novo Bispo da Diocese de Patos. Relembremos, pois, os pontos dessa história brilhante: cursou o primeiro e segundo graus no Colégio Pio XII dos Irmãos Maristas, em Surubim-PE; fez Filosofia no Instituto Estrela Missionária em Nova Iguaçu-RJ e Teologia na Escola Teológica do Mosteiro de São Bento em Olinda-PE; formou-se em Direito Canônico pelo Instituto Superior do Rio de Janeiro, filiado à Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma; exerceu os seguintes ministérios: Reitor da Casa de Formação dos Seminaristas da Diocese de Nazaré-PE (1985-1986); Vice-Reitor do Seminário Arquidiocesano de Olinda e Recife (1987); Pároco de São Sebastião, em Machados-PE (1988-1990); Pároco do Divino Espírito Santo em Paudalho-PE e Diretor Espiritual dos seminaristas maiores da Diocese de Nazaré (1990 até novembro de 2001); Membro do Conselho Presbiteral e do Colégio de Consultores da Diocese de Nazaré.

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