Padre Assis


Capaz de prender a atenção dos sertanejos no meio de cada dia, o padre Joaquim de Assis Ferreira tornou-se conhecido nos segmentos culturais pela sua capacidade de pensamento e expressão, unindo realidade, religião, filosofia e, acima de tudo, muita criatividade. Quem viveu em sua época não esquece a tradicional “Crônica das Doze”, apresentada diariamente através da Rádio Espinharas de Patos.

Joaquim de Assis Ferreira nasceu na Fazenda São Francisco, município de Malta, em 24 de novembro de 1908. Espelhado no exemplo dos pais conviveu em um ambiente religioso e fecundo, despertando cedo a vocação para o sacerdócio. No Seminário Arquidiocesano da Paraíba, fez os cursos: primário, secundário e superior, recebendo as ordens sacras, no dia 26 de novembro de 1933.

Designado para assumir os destinos da Paróquia de Catolé do Rocha, passou também a dedicar-se ao magistério com ênfase especial à formação da juventude local. Em 1940 foi transferido para a cidade de Patos, onde atuou, também, como inspetor federal de ensino.

Na Capital do Sertão da Paraíba, o Padre Assis como era carinhosamente conhecido, destacou-se como pregador, chegando a ser considerado como um dos melhores oradores sacros da região Nordeste. Sua mais famosa pregação aconteceu no dia 22 de novembro de 1953, oportunidade em que saudou em oração, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que chegou a Patos às 09:00 horas da manhã, recebida com 4 salvas de 21 tiros, repicar festivo dos sinos de todas as igrejas, ressoar das sirenes das fábricas, buzinas dos automóveis e músicas religiosas das difusoras, acompanhada de uma grande multidão de fiéis.

Durante muitos anos o Padre Joaquim de Assis Ferreira dirigiu os destinos da Rádio Espinharas de Patos, dando-lhe um grande impulso e, efetivamente, cumprindo o slogan de emissora a serviço da moral, da fé e da cultura. No referido período passou a escrever e ler, de segunda a sábado, as crônicas que versavam sobre os mais diversos temas, educando, reivindicando, protestando ou homenageando, de acordo com a ocasião.

No Colégio Diocesano realizou o seu maior trabalho educacional destinado aos filhos de Patos e região para mais tarde, já na velhice, passar à condição de Capelão do Colégio Cristo Rei, educandário mantido pela igreja, onde residiu nos últimos anos de vida. Morreu no dia 17 de agosto de 1987, tendo sido sepultado no Cemitério de Santo Antônio, na cidade de Patos.

A Crônica das Doze constitui a sua maior referência cultural e citar alguns trechos filosóficos, contidos em temas adversos desenvolvidos pelo Padre Assis é, talvez, uma forma de proporcionar aos que não tiveram a satisfação de conhecê-lo a dedução clara de tal afirmação:

“A religião não é apenas uma filosofia, é, sobretudo, uma ética de vida. Ninguém é sinal de Deus se antes não se tornou sinal coerente de si mesmo”.

“No julgamento é que se contém a responsabilidade pelas sentenças afirmativas ou negativas que emitimos. Quem julga, faz uma eleição, uma escolha, e quem escolhe livremente, é responsável por sua preferência”.

“A poesia, a eloqüência, a pintura, a arquitetura, são impotentes para expressar todos os aspectos encantadores de uma personalidade de mãe. Palavras, tintas, cores, linhas, não as há tão brilhantes que exprimam a singularidade desse ser sublime. A pobreza não lhe altera o valor, a doença aumenta-lhe a veneração”.

“Sendo um dom natural ou uma prerrogativa inerente à nossa natureza, a liberdade não pode estar condicionada ao pigmento da cor”.

“A beleza moral de uma pessoa, comumente, mais se revela por um pequeno gesto de cortesia e gratidão do que por um grande rasgo de generosidade”.

“Seja a carreira brilhante do cientista ou o trabalho modesto do carvoeiro, todas as profissões constituem os diferentes caminhos da vida. Não é por ser humilde que uma profissão deixa de ser nobre, mas sim, pela ausência de dignidade humana”.

“Ninguém adora a Cristo por ser filho de Maria, mas só venera a Maria por ser a Mãe de Cristo, Deus, o Salvador. Portanto, um dos meios mais adequados de glorificar o salvador, é exaltar-lhe o nome da Mãe Santíssima”.

“Um feixe de luz no cimo de uma montanha surpreende menos do que uma réstia de sol, risando uma pequenina gota de orvalho”.

“A grande virtude de Frei Damião, como autêntico missionário e pregador da palavra de Deus, é a coragem de dizer ao seu auditório não às verdades que ele quer ouvir, mas as verdades que ele deve ouvir”.

O Padre Joaquim de Assis Ferreira deixou para a Associação Promocional do Ancião ASPAN, instituição de caridade que assiste a velhice abandonada em João Pessoa, todos os direitos autorais de sua obra literária, de acordo com Testamento Público, datado de 28 de abril de 1987.

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