Espíritas


Partindo de sua definição, para um melhor entendimento dos leigos no assunto, o espiritismo, segundo os seus seguidores, é uma nova ciência que trata da origem, natureza e destino dos espíritos, bem como da sua relação com o mundo físico e a existência do mundo espiritual, por meio de provas irrecusáveis e discutíveis e não mais como algo sobrenatural, supersticioso ou misterioso, ao contrário, como uma das forças vivas e incessantemente ativas da natureza. É uma doutrina revelada pelos Espíritos Superiores, sob a égide da Verdade.

O Espiritismo foi codificado por ALLAN KARDEC, em 18 de abril de 1857, que apesar de ser pedagogo e preparado pela Escola de Pestalozzi Yverdon na Suíça, criou método próprio de observação e de experimentação científica denominado CUEE – Controle Universal do Ensino dos Espíritos, resultando em um dos aspectos de universalidade do referido aprendizado. Utilizou as respostas dos Espíritos Superiores por diversos Médiuns, estranhos uns aos outros, com revelações feitas espontaneamente em diferentes lugares, ao mesmo tempo, e de maneira idêntica, oriunda de mais de 1000 Centros Espíritas em todo o mundo. As questões levantadas por ALLAN KARDEC aos Espíritos Superiores formam a base da Doutrina Espírita e estão fundamentadas nos seguintes pontos: Existência de Deus e imortalidade da alma, Pluralidade da existência da alma (reencarnação) e dos mundos habitados (várias moradas), comunicabilidade dos espíritos entre os planos físico e espiritual, mesma oportunidade de crescimento para todos os espíritos (Leis de Igualdade e Evolução).

Ainda antes de entrar na atuação da referida doutrina em solos da Capital do Sertão, rechearemos com algumas informações colhidas junto ao espírita Osvaldo Sousa, o entendimento dos nossos leitores, a partir das observações científicas dos fenômenos psíquicos, no que se referem às citações de ALLAN KARDEC, relacionadas às lições constituídas para responder as principais perguntas dos filósofos sobre a vida do homem na terra, analisadas ao crivo da lógica, da razão e do bom senso, chegando a afirmar que o Espiritismo além de ser uma ciência experimental, é também filosofia, pois toda doutrina que interpreta a vida e tem conotação própria é por isso mesmo um elemento filosófico.

Por conseqüência dos dois pilares, Ciência e Filosofia, aparece a terceira base de sustentação da doutrina, como uma religião verdadeiramente cristã, porque retoma os ensinamentos do Cristo em toda sua pureza, sem máculas que lhe foram inseridas pelos homens; é vivida naturalmente e nasce no coração daquele que, vendo a verdade, compreende Deus e seus desígnios, desenvolvendo o sentimento puro de amor ao Pai, a si e ao semelhante, criando uma consciência de respeito a todos os que professam outras religiões e jamais se sentindo dona da verdade, utilizando ensinamento de cunho moral que induz a reforma íntima ao homem, ligando-o a Deus, entendendo assim o verdadeiro sentido da religião. No Espiritismo, descobrimos o conhecimento através da ciência, o entendimento pela filosofia (o que somos, de onde viemos, o que estamos fazendo na terra e para onde iremos após o fenômeno da morte?), o bem proceder pela moral e a sensibilidade dos sentimentos pelo amor a Deus através da religião.

A União Espírita Cristã de Patos, localizada na rua Floriano Peixoto, 374, Centro, foi fundada em 17 de agosto de 1965, pelo Sr. Mauto Diniz, que na época trabalhava nesta cidade como Engenheiro Agrônomo da EMBRAPA e José Mamede da Silva, com estatutos registrados no Cartório Dinamérico Wanderley, publicados no Diário Oficial do Estado em 27 de outubro de 1967 e constituiu o primeiro grande passo para arregimentar os simpatizantes domiciliados nesta região. Seguindo as diretrizes estabelecidas pela doutrina, passou a servir como núcleo de estudo, de fraternidade, oração e um pronto socorro espiritual, além de outras atividades, com base no Evangelho de Jesus, à luz do espiritismo que veio “restabelecer todas as coisas no seu verdadeiro sentido”. Passou a funcionar como uma casa de grande família, onde as crianças, os jovens, os adultos e os mais idosos passaram a ter a oportunidade de conviver, estudar e trabalhar, exercitando o aprimoramento íntimo pela vivência do Evangelho em suas atividades, tais como: estudo, orientação, assistência espiritual e social.

Os recursos destinados à construção da sede e do Nosso Lar Tio Juca, instituição filantrópica e beneficente, fundada em 1970 sobre os auspícios da União Espírita Cristã de Patos, foram conseguidos pelo Monsenhor Manuel Vieira, época em que ocupou uma cadeira de Deputado Federal. A escola, que atende cerca de 350 crianças carentes de várias partes da cidade, funciona até os dias atuais na Rua Benjamin Constant, no bairro Brasília, operando no ensino fundamental da 1ª à 4ª séries, e nasceu de um velho sonho dos espíritas de Patos, inspirados no trabalho abnegado do cearense naturalizado baiano, José Soares de Gouveia que, depois da perda de um dos filhos, dedicou-se a orientar e ajudar centenas de crianças e jovens, geralmente pobres. Em Salvador ele realizou o trabalho que acabou lhe tornando o “Tio Juca” de muitos dos que se transformaram em profissionais dos mais diversos campos. Com relação a Patos, vale lembrar as justificativas para o regulamento de criação da unidade de ensino que determinou o recebimento de crianças destinadas ao aprendizado a começar do berço, facilitando o aperfeiçoamento de suas qualidades positivas podendo, até mesmo, livrar-se das imperfeições de vidas passadas, citando inclusive um trecho de Emanuel: “Como esperar o aprimoramento da humanidade sem a melhoria do homem, e como aguardar o homem renovado, sem o amparo à criança?”. Vale ainda lembrar como trabalho solidário da União Espírita Cristã de Patos, o atendimento destinado às gestantes carentes com uma média de 50 cadastros mensais. Já as atividades de orientação espiritual atingem cerca de 300 pessoas por mês.

José Mamede da Silva chegou a ser a maior referência da União Espírita Cristã de Patos, a qual dirigiu por inúmeros anos. Sempre tranqüilo e com voz muito baixa, no início da década de 70 já computava cerca de 30 anos de mediunidade espírita e não sabia mais precisar quantas pessoas havia socorrido. Revelou o surgimento de sua vocação, como fruto do amparo recebido de um espírito que o tratou de uma enfermidade. Contudo, segundo declarou, a sua convivência com as almas vem desde a infância, época em que ainda garoto, pastorando o gado, encontrava com seres humanos que já haviam partido para a eternidade, atribuindo essas aparições a “assombrações ou almas penadas”. Recorda que aos 10 anos acordou com uma pessoa sentada em sua cama, reconheceu não ser sua mãe e chamou por esta, momento em que a imagem desapareceu. Somente na década de 50 começou a estudar e entender que mediunidade tem muita relação com o Evangelho.

Com relação aos enfermos que atendeu, muitos deles loucos, fez questão de narrar um fato que jamais esqueceu: “Um rapaz da família Félix de Santa Terezinha, foi trazido à minha presença para que eu o ajudasse, pois, estava louco há quase dois anos. Assim que entrou na sala, começou a escalar as paredes de costas, momento em que uma moça que me ajudava correu ao seu encontro e foi por mim advertida no sentido de que não se aproximasse. Apresentando um aspecto estranho começou a exalar um cheiro forte de enxofre, o que fez com que quase todos os presentes se retirassem apavorados. Momentos depois estava completamente curado”.

José Mamede que hoje reside em João Pessoa é de opinião que a maior celeuma criada por algumas pessoas e que origina uma imagem negativa com relação ao espiritismo, decorre tão somente da falta de informação. Deixa claro, no entanto, que ser médium não atrapalha a profissão, o convívio com a família, o repouso, as diversões. “Quando a pessoa é evangelizada e conhece a doutrina espírita pode conciliar tudo e acrescentar paz a todos os seus procedimentos”.

O Centro Espírito Cícero Bezerra, localizado à Rua Cândido das Laranjeiras 165, Bairro de Belo Horizonte, tem uma história remontada na década de 70 e, segundo o seu fundador Severino Rodrigues, está relacionada a primeira casa espírita de Patos, o Centro Luz nas Trevas, que funcionava na Rua Pedra Branca e chegou a fechar as portas porque os seus criadores foram morar em João Pessoa, dadas as dificuldades e o preconceito que existia mais acerbado do que nos dias atuais. A concretização da reabertura no mesmo endereço, atendendo pedido de José Mamede, aconteceu em 18 de abril de 1978, coincidindo com o aniversário de “O Livro dos Espíritos”, sendo que mais tarde, em 1988, após o desabamento do teto daquela instituição, durante uma reunião, chegando a ferir algumas pessoas, foi iniciada a construção do novo Centro, em homenagem a um dos primeiros espíritas que veio de Recife residir em Patos, Cícero Bezerra.

Entre os dados históricos, um dos mais destacados para justificar a importância da doutrina, está relacionado ao lema: “Fora da Caridade não há Salvação”. Há 146 anos, o Espiritismo vem proclamando esta verdade, atraindo criaturas de boa vontade para as verdades eternas. Segundo São Paulo a caridade é paciente, consagra o princípio de igualdade perante Deus e a liberdade de consciência. Vale destacar um trecho de uma de suas mensagens, denominada “Evangelho segundo o Espiritismo”: “Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que ajudando-vos a compreender os ensinamentos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos pois, para que os vossos irmãos observando-os, sejam induzidos a reconhecer que o verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma pessoa, dado que todos quantos praticam a caridade são discípulos de Jesus, sem embargos de seitas a que pertençam”.

O depoimento do Coordenador do Movimento Espírita no Sertão, Osvaldo de Sousa, pode nos trazer uma noção básica sobre os avanços da doutrina ao longo de sua existência, particularmente na área de abrangência polarizada por Patos: “A história do espiritismo é idêntica a do Cristo, não foi entendida ainda por todos. Mesmo com a divulgação e esclarecimentos ocorridos nos últimos tempos, ainda existem muitos preconceitos, haja vista a ignorância quanto ao assunto e a maldade de outros que ainda se encontram arraigados com o poder e a capacidade de dominar massas humanas. Toda idéia nova que sugira mudanças, que levante o véu da ignorância, que convide para uma reflexão, que não imponha nada, que contrarie interesses pessoais e que esteja aberta para o crivo da razão em todas as épocas da humanidade, não é bem aceita por todos. O próprio Jesus Cristo passou por esta experiência e ainda hoje é mal interpretado por muitos e seria crucificado novamente se voltasse, como Espírito encarnado. O que nos interessa é fazer alguma coisa boa em benefício dos outros, seja a quem for. Certa vez, um sábio afirmou que para se medir uma boa idéia seria necessário a sua rejeição por muitos, para que se pudesse analisá-la ao crivo da razão e aceitá-la aos poucos, conscientemente. O Espírita sincero é respeitoso quanto às crenças e convicções alheias, mesmo que contrariem as suas, porque conscientizar-se de que está diante da necessidade de conviver com todos os seus companheiros de jornada, num mundo em que o sábio, o ignorante, o bom, o mau, o espiritualizado, o materialista e toda a gama humana, das mais diferentes posições, partilham experiências múltiplas, a Doutrina e Jesus são o seu guia e a sua luz”.

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