Festa Universitária


Com a denominação de Associação Universitária de Patos (AUP), tivemos a origem de um movimento pioneiro em todo o Brasil, gerado por um grupo de acadêmicos patoenses que, nos idos de 1957, na cidade do Recife, teve a brilhante idéia de promover o congraçamento de todos os que integravam a referida classe estudantil, os quais, por contingência natural da época, tinham que se deslocar para as várias capitais brasileiras, objetivando o ingresso nos cursos superiores.

Definido o mês de julho como o momento ideal, levando-se em consideração as férias do meio do ano, o evento festivo foi desenvolvido durante uma semana, trazendo como primeira grande atração “Hermes e sua Orquestra Cruzeiro do Sul”, obtendo uma grande aceitação por parte do público, uma vez que além de tocar as músicas em evidência, o que dotava o grupo de um excelente repertório, ainda primava pela variedade de estilos (valsa, bolero, samba, baião, fox, rumba, tango, etc). Entre os organizadores da primeira edição do evento estavam: Onaldo Queiroz, Edvaldo Leite, Alberto Trigueiro, Umberto Sátyro Fernandes, Dival Gomes e José Soares de Figueiredo.

Em depoimento sobre o acontecimento, o saudoso Romero Nóbrega declarou: ”dos papos, madrugada à dentro, na Cabana do 13 de Maio, no Bar Savoy, dos conchavos nos Diretórios Acadêmicos, Bar de Calado, Vestal e, principalmente, das intermináveis conversas nas pensões de Dona Zita, Dona Aurora, na velha e lendária cidade do Recife Surgiu a Associação Universitária de Patos, sua festa e a imortalidade da idéia de “nêgo” Onaldo que a fatalidade, com a marca do impossível, transformou em Presidente Perpétuo. Foi nos idos de 1957 que nasceu AUP, diferentemente dos chamados Grêmios Literários, pois, visava a confraternizar socialmente com um toque de cultura.

A primeira festa universitária, realizada em 1957, com bailes na antiga Associação Comercial Industrial e Agrícola de Patos (ACIAP), teve como uma de suas atrações principais, a exibição da Esquadrilha da Fumaça, trazida pelo Brigadeiro Firmino Ayres de Araújo, que era Comandante da Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte. Na segunda festa, de 17 a 19 de julho de 1958, as instalações do Grupo Escolar Rio Branco serviram de palco para a realização do baile de encerramento, tendo em vista que o salão da ACIAP não mais comportava o grande número de convidados. Com a construção do Patos Tênis Clube, da terceira festa em diante, todas as outras foram ali realizadas. O ponto alto das primeiras edições era a apresentação das misses, representantes de Pernambuco e Paraíba, tais como, Zaíra Pimentel, Sônia Maria Campos (a segunda mais bela brasileira), Stella Stuckert (as medidas mais perfeitas do concurso de Miss Brasil), Nelbe Souza e Iara Portela (Miss Universitária do Recife).

Com o passar do tempo e a amplitude da promoção a AUP passou a contratar grandes atrações nacionais e mais tarde inseriu também uma série de competições e eventos educativos, chegando a projetar Patos no cenário sócio-cultural do Nordeste.

Como enfocou Carlos Candeia, em artigo publicado na Revista Opinião, de 1971, “no princípio era a festa, a novidade, a ansiedade de ver o que era, na realidade, as informações contidas nos impressos da Livraria Nabuco, responsável pela maior parte da divulgação. Era a estréia triunfal do terno novo e o ineditismo nos modelos de vestidos usados pelas senhoritas nos dias de bailes, despertando o comentário incontido das senhoras, no observar sem tréguas, o detalhe mais sutil. Aqueles improvisos de programação feitos nas noites, nas pontes, nas repúblicas estudantis do Recife, surtiram bom efeito, fazendo com que aqueles rapazes dos primeiros anos, que lançaram as raízes, agora, pensassem nos anos futuros e no maravilhoso porvir que, certamente, estava reservado para a AUP. Em verdade, sem a menor sombra de dúvida, os propósitos têm se firmado a cada ano. Muita cultura, muito congraçamento e bastante projeção foram trazidos a Patos de pós-AUP”.

Para se ter uma idéia sobre os temas e autoridades envolvidas na parte cultural, vale destacar alguns pontos da programação da XIV Festa Universitária, realizada em 1970, a partir da palestra proferida pelo Dr. Marcondes Gadelha sobre “Anticoncepcionais um problema do Século XX” e o Dr. João Agripino Filho, mostrando que era realmente uma das maiores autoridades em assuntos do Nordeste quando discorreu sobre “Incentivos Fiscais para a Região”. Ainda na abertura do evento aconteceu a IV Exposição do Barroco Português da Paraíba, com fotografias do paraibano Rafael Mororó, trazendo imagens de um valioso documentário, sobre monumentos históricos e artísticos, na maioria igrejas e conventos erigidos por Franciscanos, Beneditinos, Carmelitas e Jesuítas que por aqui passaram. Destaques ainda para o Coral da Universidade Regional do Nordeste, que apresentou músicas eruditas e populares, além de um grupo folclórico japonês e o Coral da Universidade Federal da Paraíba que se apresentou no interior da Igreja da Conceição à luz de velas. Vale destacar ainda a palestra proferida por Nivaldo Miranda Montenegro sobre “Irrigação e Eletrificação Rural”.

Com a chegada de um grande número de universitários, atraídos pela implantação da Fundação Francisco Mascarenhas, surgiram novos grupos, cujas facções contribuíram ainda mais para a longevidade da AUP, com destaque para a “panela” e “desta vez vamos”. Foram eles, responsáveis pela criação de um clima de competição saudável, dando um impulso considerável ao movimento que já era bastante forte.

No encerramento do seu artigo, Candeia fazia referências à realização da XV edição, prevista para o ano de 1971, descrita nos seguintes termos: “E agora a XV Festa Universitária, somação de muito amor, sacrifício e dar de si pela terra das Espinharas, adquiridos desde a primeira. A expectativa já não é mais a mesma, a roupa pode ser a do ano passado, mas as diretrizes básicas, contidas no velho estatuto, carente de reformulação, nunca deixaram de ser cumpridas e/ou carinhosamente vigiadas e postas em execução por todas as diretorias. Muitas foram as criações de associações congêneres, influenciadas pelo resultado feliz obtido em Patos, haja vista o relevante impulso sócio-cultural levado a efeito. Sousa, Cajazeiras, Guarabira, Pombal, Catolé do Rocha, Sapé, Afogados da Ingazeira, Feira de Santana, afora as que desconhecemos existir, estão aí para, com isso fazer a AUP plena satisfação e em extensão, Patos, pela liderança e pioneirismo de seus filhos. A AUP ainda irá longe. As “panelas”, no bom sentido, haverão de surgir. Os tempos são outros, mas as preocupações são as mesmas”.

Ficou apenas a lembrança somada ao orgulho para aqueles que conduziram com tanta competência essa manifestação sócio-cultural. São os mesmos que continuam a vislumbrar os acordes e letras dos grandes Grupos Musicais e artistas da época: Placa Luminosa, Jessé, Trepidantes, além da prata da casa: Os Jovens, Z-7 e muitos outros que atraíram visitantes, reuniram filhos da terra e geraram divisas que, certamente, contribuíram para o progresso que vivenciamos nos dias atuais.

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