Carnaval e Patos Fest


A alegria dos festejos carnavalescos na cidade de Patos começou a ter impulso ainda no início do século XX. Tratava-se de uma comemoração simples, contando apenas com a participação dos habitantes da terra. A laranjinha, bastante utilizada nos festejos de momo, era uma bola feita de cera e água perfumada, usada na brincadeira preferida dos foliões. A diversão constituía em lançá-la em algum indivíduo distraído para que a criatura tivesse um grande susto. O escritor Nelson Cabral foi um dos grandes vendedores desse produto, que era confeccionado por sua mãe. Outra brincadeira, já mais pesada, era levada a efeito no açudinho da rua do Mosquito. Agarrava-se o indivíduo pelos pés e mãos, fazia-se o balanço tradicional e o jogava contra as águas.

Com o crescimento da cidade vieram as festas dos clubes e o famoso “Corso da Rua Grande”, a qual se transformava em um verdadeiro teatro ambulante. Uma de nossas mais tradicionais escolas de samba homenageou Noel Rosa em 1950. O bloco era formado por estudantes e comerciários que interpretavam o sentimento do sambista, sob o batuque dos reco-recos, tamborins e cuícas. A concentração era ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na Praça Babilônia, que mais tarde passou a ser chamada de João Pessoa e Edivaldo Motta. O armazém, que sediava o aglomerado inicial, mais tarde deu lugar à residência do saudoso Agripino Cavalcante de Albuquerque, dono do famoso Cine Eldorado.

Outros blocos seguiram a tradição e entre os mais lembrados está o Prova de Fogo, capitaneado por Zé Romão, seu filho Expedito e integrado por operários das oficinas e borracharias, com trajes de tecido laquê, predominando as cores vermelha e amarela, que durante muitos anos foi presença garantida no Carnaval de Patos. O Sacarrolha, formado pela elite, sob o comando de Carlos Trigueiro, o eterno rei momo dos carnavais de Patos. Uma presença marcante na festa profana era o Ford 29, pertencente à família Torres, que percorria as ruas de Patos, lotado de moças e rapazes, com suas fantasias coloridas, cantando marchas e jogando confetes, serpentinas e lança perfume sobre os foliões. Vale lembrar ainda, o Bloco dos Garotos, um dos principais no final da década de 50, sob a direção de Tutu. Vai Por Fora, também teve seu período de fama na mesma época e entre os seus coordenadores figurava Inácio Fernandes.

Matéria assinada por Afonso Guedes afirma que no início dos anos 60, o empresário e desportista Zéu Palmeira, dava início a uma nova era no Carnaval das Espinharas ao formar o Bloco Popular, apelidado de Espalha Merda, pelo fato de acolher nas suas fileiras as pessoas humildes, predominando a torcida do Esporte Clube de Patos, constituída, em sua maioria, por sapateiros, engraxates, chapeados e populares, os quais eram abastecidos por uma ancoreta de aguardente, posta no lombo de um jumento, sob a escolta de Manoel Palmeira, que além de fabricar a bebida, fazia a distribuição do queima goela, numa quenga de coco coletiva. Acrescenta que o baixo cabaré também fazia o seu carnaval na Boate de Elpídio, com a realização dos bailes de fantasia, onde os figurões da cidade se enrolavam com as prostitutas cobertas de pó sob o som estridente da orquestra do próprio bordel. Do outro lado da linha havia o cabaré dos pobres, composto de chapeados, jogadores de baralho, asilados de casa de jogo e desocupados, que buscavam os seus desejos carnais no referido antro de perdição. Os moradores do referido ambiente tinham o seu próprio bloco, denominado Ala-Ursa, composto pelo Boi Bumba e os terríveis Papangus, que com os seus trapos corriam atrás dos moleques, acompanhados por uma orquestra simples, formada por: fole, reco-reco, triângulo e zabumba. Registravam-se ainda bailes de carnaval nas boates de Maria de Biogo, Pitéu e Mocó, tendo como uma das principais atrações o pandeirista Derréis.

Com o passar dos tempos a tradição foi chegando ao ponto do esquecimento e a substituição veio em conseqüência para suprir uma nova necessidade. Hoje o carnaval existe de uma outra forma e as festas fora de época ocuparam o maior espaço. Em 1995, o então prefeito Ivânio Ramalho, oficializou o Patos Fest (micareta), trazendo à Capital do Sertão grandes atrações a exemplo de Banda Eva e Cheiro de Amor. No ano seguinte, Alceu Valença, Asas da América entre outros. A festa passou a fazer parte do calendário anual de eventos ocorrendo entre outubro e dezembro, dependendo das conveniências dos organizadores que hoje integram a iniciativa privada.

Ainda no que se refere ao Carnaval propriamente dito, poucas são as manifestações, uma vez que somente ao final das tardes de cada dia da folia é que alguns blocos surgem, obedecendo um calendário destinado aos bairros, até a segunda-feira, a exemplo das Virgens do São Sebastião, Jatô Beleza do Jatobá, Belo Folia do Belo Horizonte, Sapateiros do Santo Antônio, Urubu do Jardim Guanabara e Gavião da Maternidade, enquanto o encerramento na terça-feira fica a cargo do “Baicora” – o mais tradicional grupo da folia ao longo dos anos. Em tempo, vale registrar um novo impulso na festa de 2005, por iniciativa da nova administração municipal, que aos poucos, promete revitalizar as nossas maiores tradições.

Numa visão global, ganhou o município de Patos que não ficou no tempo para acompanhar a modernização, contudo, não se pode negar, que os festejos registrados nos nossos primórdios deixaram uma grande marca de saudade, principalmente no comportamento levado a efeito pelos seus participantes, com procedimentos mais sadios e menores despesas para uma grande dose de alegria.

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