Antiquários


Precisamente na Fazenda Riacho dos Pilões, proximidades do Parque Aquático Patos Water Play, começou a ser formado o maior antiquário do interior da Paraíba, composto de milhares de peças que retratam as diversas épocas da história. O acervo reunido em mais de 30 anos teve como idealizador o ex-militar e advogado, Carlos Antônio de Oliveira Pereira. Em matéria publicada no Correio da Paraíba em 2003, a jornalista Renata Dantas classificou o material existente como sendo “um patrimônio cultural perdido na Caatinga, que por falta de incentivo dos poderes públicos, está ameaçado de ser vendido para outros Estados do Nordeste, coincidentemente no ano do Centenário da Cidade de Patos”. Na seqüência da matéria expressava o seguinte: “A Fazenda Riacho dos Pilões, localizada a quatro quilômetros do centro da Capital do Sertão é um convite ao turismo cultural. São nove cômodos de uma casa rústica, preenchidos de história e de curiosidades. As peças são espalhadas pelas paredes e pisos dos quartos, salas e na cozinha. Existem bacamartes utilizados pelo Exército; revólver calibre 320, fabricado nos Estados Unidos; trabucos da Revolução de Farroupilhas no Rio Grande do Sul, espadas do Império, rifles winchester, espingardas espanholas e portuguesas soquetes de 1808; flechas e uma zagaia, espécie de lança específica para matar onças, além de um estojo que portava arma de duelos de 1832. Carlos Antônio de Oliveira, guarda na cozinha machados portugueses e ingleses, os primeiros talheres fabricados, petisqueiras e demais utensílios domésticos de fabricação rústica, mas ricos na elaboração dos detalhes. Na sala estão expostas moedas como a felurblanche da França, raras entre os colecionadores internacionais, e uma comemorativa do Descobrimento da América. Existem também botijões que transportavam vinhos da Europa para o Brasil com o Brasão da Paraíba, um relógio de 1762, uma pedra rara com superfície porosa e interior liso, que se destaca pelo brilho emitido. Os objetos ficam expostos e por falta de espaço para garantir a visibilidade necessária, o repasse de informações históricas é comprometido”.

“A cidade de Patos chega aos 100 anos sem museu, sem teatro e sem time de futebol, por falta de incentivo das autoridades”, desabafou Carlos Antônio, durante entrevista concedida em outubro de 2003, mostrando-se decepcionado com a falta de interesse dos que integravam o poder, lamentando a falta de ajuda e conseqüentemente a ausência de sua fazenda no Roteiro Turístico do município de Patos.

Por fim, resta uma pequena esperança no sentido de que os importantes instrumentos de pesquisa não desapareçam do convívio sertanejo. A única exigência reside simplesmente no surgimento de condições para viabilizar espaços adequados e recursos para a preservação de milhares de peças que muito podem contribuir no aspecto educacional dos filhos de Patos.

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