Flanézio


Anézio Barbosa de Araújo é um exemplo claro de dom natural para o campo das artes, ao ponto em que constitui também, um retrato fiel da falta de reconhecimento do setor público para com os que contribuem decisivamente na construção da história. Poucos sabem, mas entre os seus feitos está a elaboração de um dos nossos maiores símbolos, a Bandeira Municipal.
Filho de João Barbosa da Silva e Elvira Paulo de Araújo, Anézio nasceu em Ueiras, antiga capital do Estado do Piauí e ainda criança acompanhou os pais na transferência para Teresina. Com a morte do genitor e acatando decisão de sua mãe, veio tentar a sorte no Sertão da Paraíba, integrando uma caravana de famílias de caminhoneiros que na época tomara decisão idêntica.

Ainda muito jovem aportou em Patos onde começou a desenvolver o dom natural da pintura artística, paralela à necessidade de trabalhar em mercearias, objetivando ajudar na sobrevivência familiar. Pouco tempo depois aceitou o convite para ser ajudante de Zezinho Pintor, espaço que lhe daria a oportunidade de desenvolver o seu maior potencial. Ainda na década de 60, Anézio decide abrir o seu próprio negócio e nesse período acabou sendo o pioneiro em serigrafia no sertão da Paraíba. O seu primeiro estabelecimento funcionou na rua João da Mata e mais tarde foi transferido para a avenida Pedro Caetano, onde se tornaria conhecido por Flanézio, uma referência a sua atuação na confecção de flâmulas, somada a seu nome de batismo.

A Bandeira do Município de Patos foi idealizada por Anézio, oportunidade em que participou de um concurso instituído pela Prefeitura Municipal, no Governo Edmilson Mota. O mais interessante é o fato de ter tido dificuldade de participação porque um dos critérios era ser universitário. Contudo, contrariando as pretensões da Secretaria de Educação e Cultura o chefe do executivo determinou a abolição da exigência e, assim procedendo, ampliou a disputa para todas as pessoas, independente da condição de cada uma. Era a chance que faltava para a concretização do tento.

Tomado como ponto de inspiração a origem do lugar, a religião, a produção de milho e algodão, aspecto físico, as cores de nossa padroeira, a presença constante dos raios solares e símbolos de defesa da terra pela sua própria consistência, o artista consegue a premiação e em 24 de outubro de 1978, a Bandeira de Patos é oficializada. O que não se imaginava naquele momento de glória é que, por mera falta de coerência, o seu idealizador se transformasse em um simples desconhecido. O mais importante, no entanto, é que sempre existiu na história o momento de resgate e a partir daí os mais jovens e mais tarde as próximas gerações, terão a oportunidade de registrar nos anais da existência de Patos a importância de Anézio Barbosa de Araújo, no contexto de nossa trajetória.

O artista e sua empresa continuaram sediados em Patos, contribuindo de maneira fundamental para o desenvolvimento da terra, quer seja na execução de tarefas ou no exemplo que serviu de escola para inúmeros profissionais. Anézio é autor de flâmulas para diversos municípios e inúmeras instituições da região. Seu apego à cidade adquiriu uma consistente raiz, pois aqui constituiu a família e não ventilou se transferir para outros centros. Manteve-se de caneta e pincel em punho, colorindo a história e escrevendo uma de nossas páginas mais importantes, sempre dotado de humildade e detentor de uma enorme gama de amigos.

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