Nazira das Gamelas


Uma das maiores representações culturais da cidade de Patos está relacionada ao artesanato que manifesta a expressão do sopro da alma dando forma à matéria. Para referenciar os integrantes deste setor, passamos a conhecer um pouco de uma importante personagem.

Nazira Barreto do Nascimento, nasceu no sítio Caixa D’água, município de Taperoá, tendo na agricultura a sua primeira atividade de subsistência. Aos 19 anos casou-se com Severino Barbosa do Nascimento, mais conhecido por Salazedo, união da qual surgiriam 15 filhos, quatro deles deficientes visuais. A transferência para Patos se deu em 1951, onde se associou ao Clube de Mães Luzia Nóbrega de Sousa, aprendendo pintura, culinária, floricultura, datilografia, corte e costura. Em 1968, começou a trabalhar com artesanato de madeira, tecido e palha, ano em que surgiu a idéia de fundação da Cooperativa Artesanal Mista de Patos Ltda, cuja criação foi incentivada por um cidadão americano de nome Wendel Frost, o qual se encontrava no Brasil a serviço da SUDENE, que em Patos havia conhecido uma peça em madeira, confeccionada por Antônio Marreco e as pinturas levadas a efeito por Nazira, além do trabalho das mulheres organizadas. A entidade foi oficializada em 06 de julho, com certificado de autorização para funcionamento expedido pelo INCRA e registro no DAC, contando inicialmente com a participação de 20 sócias, tendo como linha de produção peças de madeira pintada e cerâmica, tais como gamelas, baús, colheres, tijelas, bombonieres e jarras com fins decorativos, comercializados não apenas em sua sede, primeiramente instalada na Avenida Epitácio Pessoa, como também no Recife, João Pessoa, além de outras unidades da Federação.

Em 1972, Nazira comprou um terreno, na rua Geraldo Cabral, 125, bairro de São Sebastião e graças aos recursos oriundos de parte da produção, somados as verbas recebidas da Secretaria de Trabalho e Ação Social, DAC e SUDENE, um prédio foi edificado, passando a ter uma diretoria formada com a participação de nomes como Antônia Veloso, Odete Lopes e Maria Sátiro.

Nazira dirigiu os trabalhos da Cooperativa até 05 de julho de 1974, quando veio a falecer, época em que suas gamelas já haviam ganhado o mundo: Brasil, Bolívia, França, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Peru, entre outros países.

Mais tarde a Cooperativa passaria a acumular dívidas, fechamento e processo de abandono, deixando como única chama que não se apaga, a lembrança de uma mulher de fibra humanitária e coletiva que apesar de poucas chances divulgou o nome desta terra e dos seus artistas nos pontos mais distantes, ecoando até o presente um grande exemplo de dignidade.

Um comentário sobre “Nazira das Gamelas

  1. essa mulher pra mim e um exemplo de mulher mãe Nazira ela mim ensinou tudo que sou o meu carate foi formado através do seu exemplo de mulher. mãe vó amiga e muito carinhoso eu agradeço a deus por tem mim dado ela como vó o seu trabalho era muito valoroso pra ela apesar de seu problema de asma ela amava o que fazia e fazia com dedicas ao mim orgulho dela e de meu avo pai severino os ama vou muito

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