Tarcísio Meira César


Nem sempre os grandes valores são reconhecidos em vida e, talvez, tenha sido este o destino da mais poética de todas as personalidades sertanejas. Tarcísio Meira César nasceu em Patos, aos 21 de junho de 1941, filho do casal José César Cavalcanti e Maria Rita Meira César. Em sua terra natal iniciou as primeiras lições escolares e permaneceu até 1958, época em que concluiu o curso ginasial no tradicional Colégio Diocesano.

Em 1959 transferiu-se para o Recife, ingressando no Colégio Padre Félix, onde concluiria o curso secundário para em seguida prestar exame vestibular, conseguir aprovação na Faculdade de Filosofia de Pernambuco e diplomar-se em 17 de dezembro de 1964. Na busca de conseguir a independência financeira, enquanto freqüentava o ensino superior tornou-se professor da Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, na própria instituição de ensino. Mais tarde chegaria à condição de professor substituto de Metodologia e Técnica de Pesquisa Social.

Em 1964 enveredou pelo jornalismo, como repórter do Jornal do Comércio e mais tarde redator/repórter do Diário de Pernambuco, além da condição de colaborador de vários jornais e revistas do Brasil e do exterior.

Em 1965, fez o curso de Pós-Graduação, no Instituto de Ciências do Homem da UFPE, tornando-se redator e editorialista do Diário da Noite. Em 1968, foi chefe de gabinete da Casa Civil, no Governo Nilo Coelho e em princípios do ano seguinte transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde publicaria através da Editora Leitura, seu primeiro livro, intitulado “Poemas da Terra Estranha”. O seu espírito poético teve manifestação inicial em 1959, ao lado de 13 jovens poetas paraibanos, quando participou da coletânea “Geração 59”, editada em João Pessoa, pela Secretaria de Educação e Cultura, obra que segundo Hildeberto Barbosa Filho, constituiu-se num dos movimentos fundamentais da moderna produção literária paraibana.

No Estado da Guanabara, Tarcísio Meira assumiu diversas funções importantes: Assessor de Imprensa da Prefeitura da Capital; Repórter e Redator de: “O Globo”, “Última Hora”, “Diário de Notícias”, Editora Abril; Redator da Coluna Nacional de Heron Domingues; Colaborador da Revista Leitura e do Jornal Correio da Manhã. Atuou também no Jornal Falado Perspectiva e foi Redator do Jornal do Rio, levados ao ar, através da TV Tupi, canal 6.

Em 1979, Tarcísio Meira transferiu-se para a Capital Federal, onde assumiu a função de redator da Imprensa Brasileira de Notícias e tornou-se professor substituto de Teoria e Introdução às Ciências Políticas, na Universidade de Brasília. Foi ainda: Assessor de Imprensa da Secretaria de Assistência Social do MPAS, Chefe do Serviço de Ensino à Distância da Universidade de Brasília e Assessor Especial do Ministro da Educação, Marco Maciel; Cronista do Jornal de Brasília e editor do Suplemento Literário Gazeta e da Revista Humanidades.

Em 1983, publicou o seu livro “Poemas Grotescos e Outras Fantasias”. O seu último trabalho literário foi “O Espelho em que terminarás”.

Jornalista, poeta, filósofo e ensaista, Tarcisio Meira César, faleceu em primeiro de janeiro de 1998, no Hospital Santa Lúcia em Brasília. O seu corpo foi transladado para a cidade de Patos e sepultado no Cemitério São Miguel, dois dias depois.

Pelo fato de ter estreado como poeta e jornalista no Recife, Tarcísio Meira chegou a ser citado por organismos da Imprensa Nacional, como sendo pernambucano. Contudo, em vida sempre carregou a paisagem árida da terra natal. Seus familiares doaram ao Instituto Histórico e Geográfico de Patos, todo o seu acervo cultural, composto por 1.263 livros, além de cartas, documentos e fotografias. Por força da Resolução nº 04, de 21 de junho de 2002, o patrono da cadeira nº 9, Tarcísio Meira, passou a denominar a Biblioteca do IHGPatos.

Numa junção de inspiração poética e realismo, tradução clara do seu próprio mundo, Tarcisio Meira escreveu sob o título “Soneto a si mesmo” as seguintes estrofes: Descansarás, enfim, Tarcísio, só/ morto nas tuas mãos o desengano/ Comediante irreal, caiu-te o pano/ que vai cobrir de escuro o próprio pó/ De nada valerão palavras vãs/ amores fúteis, sonhos destroçados/ Teus olhos dormirão, já deslembrados/ das madrugadas todas as manhãs/ As tuas noites, mortas como queres/ não mais doerão, extintas as vaidades/ Na ausência de todas as mulheres/ não terás medo, quando a mágoa vier/ molhada das mais rudes frialdades/ torvar a dor que o corpo te colher.

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