Maria Esther


A luta da mulher contra a discriminação, registrada ao longo dos séculos, tem capítulos dos mais importantes, formados pela surpreendente capacidade empreendedora, manifestada em todos os segmentos da sociedade. Inúmeras foram às barreiras quebradas e entre os exemplos vividos em Patos passamos a nos reportar a primeira representante da Câmara Municipal. Maria Esther Sátyro Fernandes conseguiu a referida façanha no pleito do dia 03 de outubro de 1955, momento em que totalizava 271 votos, com posse em 30 de novembro do mesmo ano.

A sua indicação para a referida disputa nasceu no anseio dos alunos do Colégio Diocesano, e contou com o importante apoio do Monsenhor Vieira, o qual encaminhou carta a sociedade justificando os seus valores como força ideal para defender os direitos da população. Vários foram os projetos apresentados na Casa de Juvenal Lúcio de Sousa e e sua grande marca foi registrada no aspecto da coerência, se posicionando contra um aumento aprovado pelos colegas com relação à própria remuneração, chegando a abdicar da referida quantia e autorizando a tesoureira, Maria da Guia Vieira, a rateá-la com os mais necessitados.

Maria Esther nasceu na cidade de Teixeira, no dia 19 de agosto de 1919, filha de Sebastião Francisco Fernandes e Emília Sátyro Fernandes, tendo como irmãos: Maria Alice, Umberto, Amaury, Terezinha e Flávio. Fez o curso de alfabetização em casa com os seus pais, passando depois a estudar com a professora Nelita Nóbrega de Queiroz e preparada para o exame de admissão pela exímia docente, Maria Eudócia de Queiroz Fernandes.

Da infância em Teixeira guarda boas recordações e registra a rivalidade que existia entre as famílias Dantas e Lira, assinalando que na condição de chefe dos Correios o seu pai soube se impor e fez amizade com os dois clãs.

Com a transferência do seu genitor para a cidade de Fortaleza, originada de perseguição política, Maria Esther foi matriculada no Colégio da Imaculada Conceição, dirigido por irmãs de caridade, tendo entre as suas colegas as escritoras: Cândida Maria Santiago Galeno e Maria Ancilon Gondim, além de Olga do Monte Barroso que foi casada com o ex-ministro Parsifal Barroso.

Terminado o curso pedagógico e com a volta da família para Patos, foi nomeada professora e designada para o Grupo Escolar Rio Branco, onde atingiu os cargos de secretária e diretora pelo período de seis anos. Por intermédio do amigo e então deputado José Cavalcanti conseguiu ser efetivada no Ginásio Diocesano de Patos, secretariando o seu diretor Monsenhor Manuel Vieira, onde permaneceria por dez anos. Ainda no aspecto da educação, Maria Esther Sátyro Fernandes, destaca o Instituto Dom Mata, como sendo o seu feito de maior gosto.

Mais tarde conseguiu ser aprovada em primeiro lugar no concurso promovido pelo IAPI, tendo sido convocada juntamente com a amiga Euzari, onde prestou dez anos de trabalho intenso, primando pelo bom atendimento dos segurados.

Pelas referências ouvidas de Estefânia Lira sobre o Egito, Terra Santa e Europa, acabou despertando o seu gosto pelas viagens, tendo visitado grande parte do Brasil, extremo Oriente chegando até o Japão, além de quatro vezes nos Estados Unidos e três na Europa.

Sobre o fato de não ter casado justificou de forma muito simples: “quando eu queria o noivo não estava disposto, quando ele decidia, eu não tinha interesse e quando nós dois estávamos propensos meu pai era contrário”.

Radicada em João Pessoa, residindo no bairro dos Estados e próxima dos 86 anos de idade, Maria Esther mantinha uma jovialidade ímpar se dedicando as aulas de informática e pela Internet se comunicando com o mundo, principalmente com duas sobrinhas residentes em Barcelona (Espanha) e Atlanta (Estados Unidos). Entre as comendas recebidas destacamos: Troféu Palmira Torres, Homenagem da Assembléia Legislativa, Diploma da Câmara de Vereadores de Patos e o Mérito Educacional conferido pelo IESP (Instituto de Estudos Especiais da Paraíba).

Mantendo a humildade como uma das peculiaridades, a sua expressão ao receber o nosso recado sobre a visita que pretendíamos fazer a ela para a coleta dos seus dados, respondeu: “Meu Deus, que poderei escrever? Nada de importante tenho a relatar, mas para não decepcionar o jornalista Damião Lucena irei tentar.

Maria Esther faleceu no domingo, 15 de maio de 2005, em João Pessoa e foi sepultada no dia seguinte, em Patos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *