Ernani Sátyro


Ernani Ayres Sátyro e Sousa, nasceu em Patos, no dia 11 de setembro de 1911, filho de Miguel Sátyro e Sousa e Capitulina Ayres Sátyro e Sousa. Fez o curso primário na Capital do Sertão e entre os seus primeiros mestres figuraram: Maria Nunes, Alfredo Lustosa Cabral e Rafael Correia de Oliveira. Posteriormente estudou no Colégio Diocesano Pio X e Liceu Paraibano, em João Pessoa, onde fez o curso secundário. Em 1930, matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife, por onde se bacharelou, em 7 de dezembro de 1933.

Concluído o curso de direito, voltou a Patos, onde passou a exercer a advocacia, ingressando na política, para suceder o seu pai, um dos grandes chefes da região. Seu primeiro mandato eletivo foi o de deputado à Assembléia Constituinte Estadual, de 1935, na qual teve atuação marcante.

O Jovem Ernani Sátyro herdou do pai a característica de homem pacato e jamais o decepcionou quando o assunto era coragem. Nesse contexto não se curvou às investidas de seus adversários que em determinados momentos partiam para o desespero, com atitudes reprováveis e criminosas. Um dos casos que mais chamou à atenção ocorreu em 27 de setembro de 1936, quando foi vítima de atentado, à bala, momento em que conversava com amigos na Praça João Pessoa. O parlamentar escapou ileso, tendo o fato ampla repercussão no Estado. O autor material foi o soldado conhecido pela alcunha de “Caxeado”, protegido de um dos seus desafetos políticos.

Na vida administrativa do Estado, exerceu ainda os cargos de Chefe de Polícia e Prefeito da Capital. Com a implantação do Estado Novo, retirou-se da política, dedicando-se inteiramente a advocacia, notadamente nas Comarcas de Campina Grande e Patos.

Quando da redemocratização do País, em 1945, candidatou-se a deputado federal, elegendo-se para a Assembléia Nacional Constituinte de 1946, pela União Democrática Nacional-UDN, juntamente com Argemiro de Figueiredo, João Agripino, Osmar de Aquino, Fernando Nóbrega e outros. Reelegeu-se, sucessivamente, para a Câmara dos Deputados de 1950 a 1966, voltando a integrá-la de 1978 a 1982.

Em 1969 foi nomeado Ministro do Superior Tribunal Militar (MST), cargo que deixou para candidatar-se a governador do seu Estado, tendo sido eleito em 03 de outubro de 1970. Sua posse na condição de Chefe do Executivo Paraibano aconteceu em 15 de março de 1971 e entre as suas obras significativas estão: Centro Administrativo, Estádios: Almeidão e Amigão, Ceasas de João Pessoa e Campina Grande, Prédio da Assembléia Legislativa, Quartel do Corpo de Bombeiros da Capital, Adutora de Campina Grande, Rodovia Redenção do Vale; Barragem da Farinha, Fórum Miguel Sátyro, Grupo Escolar Rio Branco e Colégio Capitão Manoel Gomes em Patos.

Casado com Antonieta Sátyro, com quem festejou as Bodas de Ouro em 1985, o nome em destaque deixou os filhos: Bertholdo-Juiz do Trabalho em Brasília e as advogadas Sileide e Cleide.

Ernani Sátyro não foi apenas advogado e político. Seu talento intelectual, notadamente como romancista, poeta, ensaísta, cronista e orador de grandes recursos, o destacou. Seus principais livros são: O Quadro Negro, Mariana, Dia de São José, O Canto do Retardatário e Sempre aos Domingos.

Muitas foram as condecorações recebidas por ele que também integrou as Academias: Paraibana, Brasiliense e Campinense de Letras, o Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba e a Ordem dos Advogados do Brasil – Secção PB.

O Falecimento de Ernani Sátyro ocorreu em Brasília, onde foi sepultado, em 08 de maio de 1986. Seu corpo foi velado no Salão Nobre da Câmara dos Deputados. Seus restos mortais, por vontade sua, foram transladados para o Mausoléu da Fundação que traz o seu nome na cidade de Patos, em 08 de maio de 1993, em solenidade que contou com a presença do então Governador, Ronaldo da Cunha Lima, Senador Humberto Lucena, deputados, entre outras autoridades.

FUNDAÇÃO ERNANI SÁTYRO

Um dos grandes patrimônios culturais de Patos completou 14 anos de existência, com uma vasta folha de serviços prestados, não apenas à “Morada do Sol”, mas a toda a região sertaneja. A Fundação Ernani Sátyro, cujo objetivo é dinamizar a cultura do município de Patos e adjacentes, além de preservar a memória do seu patrono, tem como endereço o prédio de número 93, na rua Miguel Sátyro, antiga casa de habitação do seu patrono, a qual passou por um processo de restauração, com a preservação de suas características. Sua criação oficial data de 21 de julho de 1988, através do Decreto 5.048, assinado pelo então Governador Tarcísio Burity, sendo que a inauguração se deu em 5 de março de 1991. A sua presidência foi exercida pela competente professora, Emília Longo da Silva Fernandes, até o dia 20 de julho de 2004, quando veio a falecer, três dias antes da morte do seu esposo, Amaury Sátyro Fernandes. A referida docente foi substituída no cargo pelo historiador José Romildo Sousa.

A Fundação Ernani Satyro possui em seu acervo: uma biblioteca, arquivo particular e pertences do seu patrono, além das medalhas e condecorações a ele atribuídas. Todo esse material encontra-se em exposição permanente, na sede da entidade, constituindo uma grande importância para o estudo da vida política da Paraíba e do Brasil, haja vista que o saudoso patoense teve grande atuação no cenário político nacional, membro da famosa “Banda de Música” da UDN, presidente nacional e líder desse partido no Congresso; líder do Governo Costa e Silva na Câmara dos Deputados, relator dos projetos de anistia, das eleições diretas e do Código Civil, aprovado pelos legisladores com assento em Brasília.

Acham-se catalogados mais de 40 mil ítens, entre cartas, telegramas, manuscritos, originais datilografados, recortes de jornais, fotografias, livros, folhetos, panfletos, medalhas, objetos pessoais, dentre outros.

Na busca de atingir seus objetivos e finalidades, a Fundação, vem desenvolvendo atividades culturais consistentes sobre diferentes aspectos da vida literária, política, social, etc.

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