Zé Gayoso


Nascido na sexta-feira, 15 de setembro de 1922, às 14:22h, no número 115, da rua do Prado, na cidade de Patos e filho de Pedro Firmino da Costa e Sousa e Remídia Gayoso de Sousa, José Afonso Gayoso e Sousa, teve seus primeiros ensaios escolares como aluno das professoras: Maria Cristina Lima, Candu e Eudócia Fernandes da Nóbrega. Mesmo com a morte do pai, fato ocorrido em 1934, o processo educacional ao qual fora submetido anteriormente não sofreu qualquer solução de continuidade. Aos 13 anos, em 1935, concluiu o Curso de Admissão no Instituto São Sebastião, pertencente ao Professor Anésio Leão, homem que dominava, fluentemente, português, latim, francês e grego. Mais tarde seria transferido para a Capital do Estado, ingressando no Liceu Paraibano e, paralelo às atividades educacionais, chegou a ser goleiro do Botafogo, primeiro na equipe Juvenil e mais tarde no time principal entre os anos de 1938 e 1940.

Em 25 de agosto de 1944, realizou um antigo sonho: formou-se Oficial do Exército Nacional, onde permaneceria por seis anos. Com o desejo de defender o Brasil na II Guerra Mundial, mesmo contrariando os pedidos de sua mãe, acabou frustrado, uma vez que quando se preparava para embarcar o embate acabou. Contudo não perdeu a esportiva naquela ocasião ao declarar em tom de ironia: “Quando Hitler tomou conhecimento que José Afonso Gayoso havia sido convocado para a Guerra, suicidou-se”.

Formou-se em Direito na Faculdade do Recife, Casa de Tobias Barreto, mantendo uma tradição dos filhos de pessoas com maior poder aquisitivo daquela época, o que constituía o maior orgulho para os pais.

Casou-se com Terezinha Loureiro Leite Gayoso, em 19 de março de 1955, com quem teve quatro filhos: Pedro Jorge (médico), José Afonso (médico), Baziliano (falecido) e Vicente (advogado).

A veia política foi hereditária do seu pai, que foi deputado estadual no período compreendido entre 1924 e 1931. O Dr. José Afonso Gayoso, inicialmente esteve vinculado ao grupo liderado por Ernani Sátyro, onde permaneceria até 1946 e, em 1947, ingressaria nas hostes do PSD, para disputar a Prefeitura de Patos, sendo derrotado pelo seu antigo aliado Clóvis Sátyro, filiado a UDN. O pleito se deu no dia 12 de outubro e a diferença foi mínima. Sobre os desdobramentos daquela eleição, Euzary Aires de Lacerda registrou a seguinte declaração: “Antes, Zé Gayoso era um dos rapazes mais alegres e festivos de Patos. As quadrilhas juninas aqui realizadas eram sempre marcadas por ele e, em francês. Aquela derrota influenciou profundamente a sua personalidade”.

Foram, ao todo, sete mandatos de deputado estadual, perfazendo vinte e oito anos na Assembléia Legislativa do Estado da Paraíba. Sua primeira vitória se deu em 03 de outubro de 1951, momento em que a cidade de Patos ainda elegeu como parlamentares: Octacílio Nóbrega de Queiroz, Napoleão Abdon da Nóbrega e José Cavalcanti.

Na Casa de Epitácio Pessoa, José Gayoso foi sempre um nome em destaque, graças a sua incansável atuação, principalmente com relação à defesa intransigente do homem do campo, chegando a ser conhecido como o “Deputado do Algodão” e mantendo um programa na Rádio Espinharas intitulado: “O povo reclama justiça pelos seus direitos”. Graças a sua iniciativa 32 municípios foram emancipados no interior da Paraíba e foi dele a criação do Colégio Estadual de Patos, através do Projeto de Lei nº 89, de 1960, abrindo vagas para os jovens carentes, já que naquela época somente os que detinham boa condição financeira conseguiam um assento nas escolas.

Gayoso foi autentico defensor da memória da “Cidade dos Patos”, como sempre se reportava numa referência as origens de sua fundação. Foi ele o mais tradicional morador da Rua do Prado, denominação formada nos páreos disputados aos finais de semana e que atraiam toda a população, na ânsia de conhecer os campeões da montaria. Graças a sua interferência, a tentativa de modificar o nome da artéria para Coronel Antônio Pessoa, só perdurou por pouco tempo.

“Aos 81 anos de idade, dirigindo sozinho a sua vida, comandando, como sempre, o seu próprio destino, velocidade do tempo, capotou na reta de sua existência”. Com esse trecho, o seu filho Vicente Augusto, descreveu o acidente que acabaria por tirar a vida da Baraúna do Prado. Zé Gayoso, faleceu às 17:30h de 23 de janeiro de 2004 no Hospital Memorial São Francisco em João Pessoa. Ele sofreu um desastre no dia anterior, por volta das 14:00 horas, entre Santa Terezinha e Patos, após perder o controle do seu carro no retorno da Fazenda Urtiga. Inicialmente foi socorrido por uma guarnição do Corpo de Bombeiros para o Hospital Regional, onde foi submetido a uma cirurgia e, no dia seguinte, levado às pressas de avião para a Capital onde não resistiu.

O seu corpo foi velado inicialmente no Salão Nobre da Assembléia Legislativa da Paraíba, para depois ser transladado em uma aeronave do Governo do Estado à sua terra natal, onde foi sepultado na tarde do dia 24, no Cemitério de São Miguel. Naquela data, o Sertão da Paraíba perdia uma de suas maiores reservas morais, homem de postura e decisão, amigo de todos, inimigo maior da traição.

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