Transportes


Entre os registros da história tivemos a oportunidade de encontrar no livro “Nordeste Pitoresco e Engraçado”, escrito por Luís Wanderley Torres, um trecho que nos dá a idéia concreta da chegada do nosso primeiro veículo, em 17 de junho de 1918, trazido pelo fazendeiro Francisco Olídio Wanderley, que o adquiriu na Capital do Estado: “Começaram a aparecer iluminados os primeiros bicos de carboreto, nos postes alinhados, no meio da rua principal e em algumas esquinas.

Parecia que se ia armar um presepe, tão gracioso, tão limpo era o ar mimoso da cidade. De um lado e outro das calçadas se agrupavam cadeiras e todo mundo queria ver passar o primeiro automóvel comprado por seu Chiquinho Wanderley, do Campo Comprido. Com o cair da noite, aqueles olhos de caçote do veículo assombravam a criançada. E quando se dirigiu um pouco para fora da cidade, houve pânico, desembestar de comboios, abortos e passamentos. De início foi apelidado pelos matutos como “Besta Fera”, cousa que fazia rir ao proprietário. O chauffeur, muito espigado e muito arredio, era a pessoa mais importante, dando show na cidade, com passeios a 10$000 por percursos de pouco mais de quilometro.

No entanto, alguns dias depois, um fato inusitado ocorreu: a primeira virada! Seu Chiquinho e alguns amigos quiseram dar um passeio em Passagem. Vestidos nas melhores roupas, engomados e engravatados, partiram através do corredor de Antônio Nóbrega que demandava o areião do rio. Nervosismo, depois euforia, vivias a Ford e aplauso dos que ficaram, lá seguiu o veículo em louca corrida, espantando vacas e animais, mergulhando e saindo nas lombadas da beira da cerca, até que, descendo sem freios a barreira do Espinharas, deixou todo mundo de pernas para o ar em plena areia, sem danos físicos, no entanto. O automóvel ficou lá, com a capota imprestável e as rodas girando no ar, enquanto os passageiros, cuspindo areia, desfilaram assustados pelo corredor, de volta ao Pátio da Igreja.

Todos foram concordes em atribuir o acidente à derrapagem, termo novo, que pela primeira vez se introduzia no linguajar sertanejo. Foi Draú de João Olintho e estudante “lá em baixo” o primeiro filho da terra que andou ali de automóvel. Menino medonho!!!”

O transporte aéreo passou a se identificar com o município de Patos a partir da década de 1940. A história registra que em 21 de julho de 1942, às 15:15h, aterriza pela primeira vez no Campo de Aviação Santa Tereza, em Patos, um avião pilotado pelo Capitão Fontoura. Em homenagem ao aviador e para se comemorar a data, realizou-se um grande baile no salão nobre da Prefeitura Municipal. O piloto seguiu viagem no dia seguinte. Já em 05 de setembro do mesmo ano, chega a Patos às 16:30h, pilotando um Presidente de Morais, a aviadora Eliete, que se hospedou na residência do senhor Massilon Caetano. O avião fora doado ao Aeroclube de nossa cidade.

Em 09 de dezembro de 1943 era realizada uma importante solenidade no Rio de Janeiro, presidida pelo Ministro da Aeronáutica, Salgado Filho, batizando o segundo avião doado ao Aeroclube da Capital do Sertão pela Campanha Nacional de Aviação, oportunidade em que usaram da palavra: Alcides Carneiro, o escritor Ademar Vidal e Adelgício Olintho. Em 09 de janeiro de 1949 era diplomada a primeira turma de pilotagem, constituída por: Sigismundo Gonçalves Souto Maior, Severino Lustosa Morais, Severino Pimentel, Hilton Aureliano e Pedro Queiroz.

A Cidade de Patos guarda também na lembrança a ocorrência de dois acidentes aéreos, sendo o primeiro deles em 1945, oportunidade em que três aviões de pequeno porte já faziam parte do elenco do Aeroclube: “Ataliba Leonel”, “Campos Sales” e “Prudente de Morais”, um deles doado pela unidade de Fortaleza. Nesta época, também já faziam parte do movimento outras pessoas da sociedade local, a exemplo de Cícero Sulpino, Edeci Brandão e Antônio Araújo. A sede do Aeroclube funcionava em prédio vizinho ao Cine Eldorado. Na tarde de 15 de dezembro, enquanto faziam um vôo corriqueiro, perderam a vida Geraldo de Souza carvalho, mais conhecido por Geraldo Gondim, instrutor da entidade, natural de Taperoá, mas que residia em Patos há bastante tempo e o aluno Adalberto de Biu Farias, que já havia alcançado a categoria de “lachê” e estava para ser brevetado. Segundo testemunhas, o piloto executou uma manobra de parafuso, não tendo conseguido planar o aparelho que se precipitou, em vertiginosa velocidade, contra o solo. Contou-nos Batista Leitão, que ao se aproximar dos destroços do avião, notou que uma das vítimas estava com um relógio no pulso, o qual marcava 16:15h. Lembrou também, que nas proximidades da linha férrea, lado nascente do Rio Espinharas, onde se deu o impacto com o chão, estava estacionado o caminhão de Zeca Baeta. O sepultamento das duas vítimas aconteceu no dia seguinte, em clima de grande comoção e entre os presentes estavam o presidente do Aeroclube da Paraíba Ernane Steplle e o membro Élcio Soares da Rocha. Outro acidente aéreo aconteceu já na década de 60, com a queda de um avião da FAB que realizava manobras na localidade, sem vítima fatal, já que o piloto, único tripulante, saltou de pára-quedas antes do choque.

Em fevereiro de 1951, a Empresa de Transportes Aéreos Norte Ltda AERONORTE, com sede na Capital do Maranhão, inaugurou a linha Recife – São Luís, com escalas em João Pessoa, Campina Grande, Patos, Sousa, Juazeiro do Norte, Campos Sales, Picos, Oeiras, Teresina, Caxias, Codó e Coroatá. No ano anterior a cidade de Patos já integrava a rota da Rede Aérea Nordestina (RAN).

Em 04 de dezembro de 1962 aconteceu a primeira exibição de paraquedismo, precedida de vôos acrobáticos realizados pelos aviadores Raimundo Gadelha e Deocleciano Oliveira, petencentes a uma equipe de Campina Grande, a qual por muito pouco não acabou em mais uma tragédia. Cerca de quatro mil pessoas que se dirigiram ao Campo de Aviação, para admirarem o espetáculo, invadiram a pista de pouso, no momento em que acontecia a queda de solo. As áreas destinadas ao dobramento dos equipamentos também foram invadidas. Um avião “Pipper”, prefixo PP-RBZ, ficou danificado ao ser o seu piloto obrigado a aplicar violento freio, para não atingir os invasores. O paraquedista Honorato Oliveira, que se jogou de uma altura de 1.400 metros, somente abrindo o seu equipamento aos 800, caiu sobre juremas. O espetáculo acabou suspenso quando apenas metade da programação havia sido cumprida, por mera falta de segurança.

Como trunfo do desenvolvimento o setor de transportes veio a se modernizar em Patos. O aeroporto ganhou a infraestrutura dotada de estação de passageiros, hangar e iluminação da pista, com extensão de 2.000 metros, capaz de receber as maiores aeronaves. O número de veículos se multiplicou, a Rede Ferroviária aqui fez rota obrigatória e, em fim, aos poucos fomos nos livrando da tradicional e ultrapassada, tração animal.

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