Chico Bocão


Tendo como principal formação as lições ministradas pela Escola da Vida, Francisco Antônio de Maria ou, simplesmente, Chico Bocão, constitui um dos grandes nomes da política patoense, já tendo permanecido na Câmara Municipal pelo período ininterrupto de quase quarenta anos, época em que foi responsável pela apresentação de inúmeros projetos.

Francisco Antônio de Maria nasceu em 09 de maio de 1932, no Sítio Siriema, município de Pocinhos (antiga Vila Joffily), entre Olivedos e Montadas, no compartimento da Borborema. Filho de Antônio Francisco de Maria e Antônia Marcionila de Jesus, teve na agricultura de subsistência a sua primeira atividade, permanecendo no referido local até 1946, oportunidade em que se transferiu para a cidade de Patos em companhia da família, atendendo convite de um irmão que trabalhava no Armazém do Leão, de propriedade do primo Inácio.

Na Capital do Sertão, o nome em destaque teve como primeira profissão o transporte de água em lombos de jumentos, época em que a cidade era abastecida por cacimbas, mais tarde foi padeiro da Panificadora Brasil; comerciante, quer seja no seu estabelecimento do bairro de São Sebastião, onde sempre residiu, ou na condição de mascate e feirante, vendendo miudezas e redes nas cidades vizinhas e em outras regiões do país, além de ter passado uma temporada como motorista de táxi.

Sempre ligado à Igreja Católica, Chico Bocão se tornaria um líder nato, na condução das atividades festivas que objetivavam sequenciar os trabalhos de evangelização. Bingos de animais, objetos, leilões e a divulgação como um todo, eram pontos contidos nas obrigações de Francisco Antônio de Maria, os quais o faziam conhecido e querido por todos, chegando a despertar o desejo de representar a cidade de Patos, se candidatando a uma vaga de vereador no pleito de 1962 e sendo eleito com a segunda maior votação. Começava então um novo ciclo na trajetória traçada para a vida do moleque sapeca de Pocinhos, o qual na década de 40 era endiabrado, buliçoso, valente e não queria nada com o estudo.

A falta de formação acadêmica, nunca chegou a ser um grande problema na condução do cargo de legislador que desenvolveu durante quase quarenta anos seguidos. Uma das frases sempre pronunciadas por ele durante os pronunciamentos era: “sou analfabeto, mas não sou burro”. Mantendo uma postura de coerência, quer seja na oposição ou na situação, Francisco Antônio de Maria se caracterizou pelo seu espírito de luta, não temendo denunciar aquilo que não era correto, elemento que contribuiu de forma decisiva para a origem do apelido de Chico Bocão.

Voltado para a pobreza, sempre teve na assistência social o seu carro chefe, socorrendo as pessoas que o procuravam a qualquer hora do dia ou da noite. Aliás, muitas são as estórias pitorescas com relação ao trabalho de Chico. Afirmam que certa vez lhe perguntaram sobre o fato de estar sempre conduzindo as parturientes até a maternidade e ele respondeu: “quando uma mulher vai ter menino eu levo no meu carro e só saio de cima depois que ela pari”.

Outro acontecimento pitoresco diz respeito a um pronunciamento que teria feito na Câmara respondendo a insultos dos seus opositores, oportunidade em que lançou a seguinte frase: “eles pensam que botam papa na minha língua, botam merda”. Segundo Zé Paraíba, logo quando Chico comprou o celular, ligaram para ele e lhe perguntaram: Estás aonde? Resposta: Estou no celular!

Outra grande referência na atuação de Chico Bocão foi registrada pelo período de 08 anos, quando assumiu a função de Presidente do Centro Recreativo do Bairro de São Sebastião, seu principal reduto. Aliás, contam que em determinado período ele proibiu a entrada de pessoas do sexo masculino usando bermuda, mas acabou liberando o acesso de um elemento pelo fato deste ter justificado que o seu calção na verdade era uma calça comprida cortada.

Com pose de namorador, Chico Bocão casou em 1962, com a jovem Cleonice Medeiros, união da qual surgiram 10 filhos, sendo que sete faleceram no pós-parto, conseguindo criar: Francisco, Gloriete e Fátima.

Sempre mantendo uma vida normal e disposto aos embates políticos, depois de passar uma legislatura ausente na Casa de Juvenal Lúcio de Sousa, Chico Bocão deu a volta por cima e, mesmo com a redução no número de vereadores de 19 para 10, conseguiu se eleger no pleito de 03 de outubro de 2004.

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