Chico Soares


Francisco Soares de Sá foi, sem sombra de dúvidas, um dos mais autênticos e destacados membros do Ministério Público de Patos, tendo projetado-se por sua natureza sentimental, brilhante inteligência, notáveis conhecimentos jurídicos, literários e humanísticos.

Nascido em Patos, no dia 15 de abril de 1928, filho de João Soares do Nascimento e Cecília Soares de Sá, após as primeiras letras e o curso primário, ingressou na turma pioneira do Diocesano onde recebeu o grau ginasial em 08 de dezembro de 1942.

Objetivando dar seqüência aos seus estudos, seguiu para a cidade do Recife, cursando o científico no Colégio Padre Félix e em 1946 ingressou no Curso de Medicina que acabou abandonado três anos após, alegando não ter vocação para aquela carreira.

Em 1950, consegue aprovação no Vestibular de Direito, da Faculdade do Recife, colando grau de bacharel em 1954. Voltando a Patos, em 1955, passou a exercer a atividade de advogado no fórum local e comarcas adjacentes, época em que, atendendo convite do então prefeito Nabor Wanderley da Nóbrega ocupou o cargo de Secretário Geral da Prefeitura.

Em 1961, ingressou no Ministério Público, após ter sido aprovado em concurso e nomeado pelo Governador Pedro Moreno Gondim, na função de Promotor da Comarca de Santa Luzia e mais tarde como interino de Patos, destacando-se no trato das questões jurídicas postas à sua apreciação, brilhando na tribuna do júri, chegando a formar platéias, atraídas por sua oratória.

Segundo o Conselheiro do Tribunal de Contas, Flávio Sátiro Fernandes, temas ligados ao direito penal, notadamente, de homicídios, lesões corporais, roubo, furto, sedução, eram tratados por Dr. Chico Soares com profundo conhecimento, tanto por se ter dedicado ao seu estudo como pelo fato de serem matérias mais levadas à consideração da Promotoria. No direito civil, demonstrava inteiro domínio sobre questões ligadas a inventários e partilhas, direito de família, problemas relacionados com os menores, etc.

Por outro lado, o Dr. Chico Soares exerceu o magistério superior, na Faculdade de Ciências Econômicas de Patos, lecionando a disciplina “Instituições de Direito Público”.

Em 1971, veio a sua transferência domiciliar para João Pessoa, ocupando a pasta de Secretário Estadual do Interior e Justiça, atendendo convite do Governador Ernani Sátyro. No desempenho do referido cargo preocupou-se com os problemas inerentes ao sistema carcerário da Paraíba, e assistência aos municípios. Nesse período teve oportunidade de assumir também, em caráter interino e cumulativo, a Secretaria Estadual de Administração.

Em 1974, após concluir a missão governamental, disputou uma vaga de deputado estadual pela ARENA, obtendo uma expressiva votação que o levou a ocupar uma cadeira na Casa de Epitácio Pessoa. Contudo não disputou a reeleição por haver concluído que a referida função não fazia o seu gênero.

Após deixar a Assembléia Legislativa, exerceu a função de Assessor Especial Junto a Secretaria de Interior e Justiça. Foi promovido, em 1980, a Promotor de Justiça da Comarca de Campina Grande, obtendo, em 1983, sua remoção para a Capital. No ano de 1985, foi promovido a Procurador de Justiça.

Vale salientar que a competência profissional de Chico Soares e sua eloqüência de grande tribuno, não tolhiam aquele homem festivo, alegre e brincalhão, de apurado senso de humor, contador de estórias em que ele, às vezes, era o protagonista. Suas estrondosas gargalhadas faziam vibrar a todos, a ponto de terem transcendido do real ao imaginário.

Um dia após completar 61 anos, faleceu Francisco Soares de Sá, enlutando a cidade de Patos. Fazendo referências a data, assim descreveu Flávio Sátiro: “O dia 16 de abril de 1989 foi um dia diferente, turvo, triste para os patoenses, ainda mais porque o seu único neto, que também levava o seu nome, nascido um mês antes, foi a companhia que os anjos escolheram para subirem com ele aos céus. Dr. Chico não estava mais só…”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *