Emília e Amaury


O mês de julho de 2004 marcou a cidade de Patos no rol das lamentações pelo falecimento de um dos casais que mais contribuíram para o desenvolvimento de sua cultura: Emília Longo da Silva Fernandes e Amaury Sátyro Fernandes.

Emília nasceu no dia 28 de janeiro de 1938, na cidade de Sumidouro, no Estado do Rio de Janeiro. Filha de Waldemar Vieira da Silva e Maria Antonieta Longo da Silva, chegou a Paraíba com apenas 01 ano de idade, época em que o seu genitor foi designado para trabalhar como Inspetor de Serviço do DNOCS – Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Passou sua infância em postos agrícolas, onde iniciou sua vida escolar.

No município de Condado terminou o seu curso primário, tendo como grande incentivadora, a professora Carminha Rodrigues. Prestou admissão no Colégio Cristo Rei, na cidade de Patos, classificando-se em primeiro lugar, onde cursou o Ginasial e concluiu o Pedagógico, em 1960.

Em 1961 passou a lecionar no Ginásio Diocesano e no Colégio Roberto Simonsen. Com a estadualização do primeiro ponto de trabalho foi nomeada professora de português.

Amaury nasceu no dia 12 de fevereiro de 1930, na cidade de Patos. Filho de Sebastião Fernandes e Emília Sátyro Fernandes cursou o primário na Escola Padre Anchieta, da tradicional professora Nelita Queiroz. O ginasial foi feito no antigo Diocesano, no período de 1942 a 1945. Incentivado pelos pais se transferiu para o Recife fazendo o curso científico no Colégio Nóbrega, dos Jesuítas. Em 1949 fez vestibular de medicina para a Universidade Federal de Pernambuco conseguindo aprovação, mas por não ter vocação para a referida profissão, abandonou a Escola Superior no segundo ano. Em 1961 fez concurso para o IAPI, sendo aprovado e passando a desenvolver atividades como funcionário da Previdência.

Emília e Amaury casaram-se em 1961, resultando no nascimento de cinco filhos: Soraya, Samara, Amaury Segundo, Evanilson e Francisca.

No ano de 1969, a professora Emília Longo da Silva Fernandes foi removida para a cidade de Sousa – Paraíba, onde permaneceria até 1971, prestando serviços no Colégio Estadual. Sua transferência deveu-se à necessidade de acompanhar o esposo que em 1963 havia sido designado para assumir o cargo de Agente da Previdência da referida localidade.

Ao retornarem da cidade sorriso, Emília e esposo assumiram, respectivamente, a Direção da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus Pedro Aleixo e o de Agente Previdenciário, onde Amaury se aposentou em 1986. Antes, com a criação da Faculdade de Direito de Sousa, em 1977, ele ingressou e colou grau em 1981.

Em 1973, a professora Emília Longo concluiu o Curso de História, na Fundação Francisco Mascarenhas. Em 1978 terminou sua pós-graduação em História do Desenvolvimento do Nordeste, promovida pela FFM e Universidade Federal da Paraíba. Ainda no ano de 1973 havia concluído o curso de Pedagogia em Administração Escolar na UFPB.

Emília Longo também assumiu o cargo de vice e diretora do Colégio Capitão Manoel Gomes, no período compreendido entre 1973 e 1986, momento em que se aposentou.

Com a aposentadoria, Amaury Fernandes passou a se dedicar às letras escrevendo sobre cultura em vários periódicos da cidade, sendo presença ativa nos movimentos culturais e chegando a assumir uma cadeira no Instituto Histórico e Geográfico de Patos.

Em 1991, quando da criação da Fundação Ernani Sátyro, a professora Emília Longo da Silva Fernandes, assumiu a presidência da instituição, implantando uma verdadeira revolução cultural na cidade de Patos e região, cargo que ocupou até o seu falecimento, no dia 20 de julho de 2004. Coincidentemente, enquanto era noticiado o desaparecimento da nobre educadora o seu esposo já agonizava, chegando a óbito três dias após. Em uma mesma semana a cidade de Patos ficava órfã de duas figuras extraordinárias, com uma enorme folha de serviços prestados ao longo de anos.

Enfim, resta-nos a certeza de que o exemplo deixado através do trabalho, inteligência e determinação do casal Emília e Amaury, certamente se multiplicará com as sementes fecundas que semearam no processo de desenvolvimento daqueles que tiveram a felicidade de conhecê-los e que também poderão passar para gerações futuras os elementos de uma história que servirá como receita de sucesso ao longo de suas existências.

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