Educação em Patos


Na trajetória educacional de Patos, alguns importantes registros foram guardados, dentre eles o ato da Assembléia Geral, que criou a primeira escola da povoação em 23 de outubro de 1831, época em que a freqüência além de mínima deveria destinar-se apenas ao sexo masculino.

A cadeira de primeiras letras, método de Lencaster, foi ocupada pelo professor José Francisco de Toledo. Já em 1845 encontramos como titular Francisco Herculano. Em 03 de agosto de 1851, o Padre Manoel de Carvalho e Silva que ocupava a referida função, requeria da Assembléia Legislativa Provincial a sua aposentadoria, por padecer de surdez em alto grau, além de infiltração serosa nas pernas e no ventre. Para se ter uma idéia de público, o mapa escolar enviado pelo Presidente da Província Antônio Coelho de Sá ao Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Império, em 25 de fevereiro de 1853, assinalava que em Patos a afluência às aulas da instrução primária, era de 11 alunos. No ano seguinte, sob a regência do professor Joaquim Teotônio Serpa, o número de discentes chegava à casa dos 33. Em 31 de dezembro de 1887 o lugar de professor foi ocupado por Inácio Machado da Costa Neto.

Em 24 de março de 1870, através da Lei Provincial nº 354, foi criada uma cadeira de ensino primário para o sexo feminino, sendo que os registros do setor educacional de Patos apontam como primeira professora pública, Maria de Azevedo Cabral, cuja nomeação aconteceu no dia 1º de abril de 1871, depois de um período de interinidade iniciado em 02 de julho do ano anterior, e era vazada nos seguintes termos: “Frederico de Almeida e Albuquerque, Senador do Império, Comendador das Ordens de Cristo e da Rosa e Presidente da Província da Paraíba por Sua Majestade Imperial e Constitucional, o Sr. D. Pedro II etc. Autorizado pelo regulamento de 11 de março de 1852, tendo em vista a capacidade e mais qualidades que concorrem na pessoa de D. Maria de Azevedo Cabral, a nomeio para o lugar de professora pública da cadeira do ensino primário do sexo feminino da Vila de Patos, com os vencimentos que por lei lhe competirem. Em firmeza do que lhe mandei passar o presente título que vai selado com o selo das Armas Imperiais e por mim assinado depois do que se registrará na Secretaria do Governo e onde mais convier. Dado na Cidade da Paraíba do Norte, no Palácio do Governo, em o primeiro dia do mês de abril, do ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e setenta e um, qüinquagésimo da Independência e do Império. O Secretário do Governo, Tomaz de Aquino Mindêlo, o faz escrever e subscrever. Frederico de Almeida e Albuquerque.”

A professora Maria de Azevedo Cabral era concursada, tendo prestado os seus exames na Capital do Estado, em 1871 e esteve no exercício de suas funções de mestra até 1886, quando, no mês de abril, faleceu aos 42 anos. Na regência da cadeira, nos períodos de 1886 a 1888, de 1889 a 1908 e de 1908 a 1929, seguiram-se respectivamente, suas filhas Maria das Dores de Azevedo Cabral, Joaquina de Oliveira Cabral (Quinoca) e Maria Amélia Cabral Pinto (Maroquinha), esta última a primeira professora diplomada que lecionou em Patos.

Maria de Azevedo Cabral nasceu em Patos no ano de 1844 e contraiu núpcias com Silvino de Oliveira Cabral, resultando no nascimento de 11 filhos: Silvino, Luís, Antônio, Miquilina, Joana, Joaquina, Maria das Dores, Liliosa, Maria Amélia, Alfredo e Virgílio.

Em 1913, o Padre José Viana da Cunha, natural de Catolé do Rocha e trabalhando como coadjutor do Cônego Machado, abriu o Colégio Leão XIII. Lecionava o curso primário o professor José Calazans, fornido e baixote de energia férrea que gostava de castigar os mais crescidos com sua palmatória de miolo de jucá. Entre os alunos das primeiras turmas estavam: Firmino Leite, Clóvis Sátyro e Ruy Carneiro.

A iniciativa privada teve uma importância fundamental com relação ao ensino e entre as grandes iniciativas registramos em 24 de janeiro de 1915 a instalação de um curso pedagógico primário, contemplando o 1º, 2º e 3º graus e o secundário compreendendo: português, francês, aritmética, geografia, coreografia, caligrafia, desenho linear, história natural, física, química e história do Brasil. A façanha foi da professora, Alice Aída de Barros Ribeiro, filha do Coronel José Jerônimo, educada no Colégio Santa Margarida do Recife. O número de docentes formadas no referido estabelecimento foi significativo e deu impulso considerável ao aprendizado do Sertão. Já em março de 1917, aconteceu a inauguração do Instituto 7 de Setembro, de propriedade do professor Severino Correia de Oliveira, mantendo externato, internato e mini-internato, ministrando o curso primário e secundário de acordo com o programa oficial. Em 10 de junho de 1922, foi criada a escola noturna “Coronel Antônio Pessoa”, destinada à instrução de crianças pobres.

No dia 05 de fevereiro de 1924, fruto da iniciativa do Jornalista e Professor Renato de Alencar, foi constituída uma sociedade por ações, com a finalidade de fazer funcionar o Instituto Ginasial de Patos, tendo como proposta a manutenção dos cursos: primário, médio e secundário, com aulas noturnas para o ensino das ciências comerciais. Fizeram parte de sua diretoria: José Peregrino, Miguel Sátyro, Fenelon Ferreira da Nóbrega, José Genuíno, Pedro Firmino, Padre José Viana, João Olintho e João Campos. A unidade de ensino atendia alunos externos, internos e semi-internos, servia alimentação, além de cursos de música e civilização. No seu corpo docente estavam: Padre José Viana, Pedro Torres, Luiz Ayres, Abelardo Lobo, Manuel Severiano, entre outros.

Em 1925, precisamente no mês de fevereiro, uma importante reunião teve o objetivo de reanimar o funcionamento da Escola Proletária Epitácio Pessoa, criada pela Associação dos Empregados do Comércio de Patos, oportunidade em que ficou decidido o oferecimento de aulas noturnas para adultos e crianças de terça a sábado, das 20:00h às 21:00h. Livros, penas, lápis e tintas eram fornecidos gratuitamente. Entre os professores figuravam: Manuel Severiano, José Jorge de Sousa, Adelgício Olintho, Renato de Alencar, Francisco Padilha e Manoel Dias. As aulas tiveram início no dia primeiro de março e uma equipe de animadores visitava as famílias mais humildes, convencendo as pessoas de que deviam estudar.


Uma das iniciativas que mais projetou a cidade de Patos, em termos educacionais, está diretamente ligada à fundação do Colégio Diocesano, idéia extraordinária do Padre Fernando Gomes, cuja instalação se deu no dia primeiro de julho de 1937, em sessão solene, iniciada às 13:00 horas, presidida pelo Bispo Dom João da Mata Amaral, contando com a presença dos deputados estaduais: Ernani Sátyro e José Peregrino. A partir daquele momento estava oficializada a instituição de ensino que mais contribuiria para a educação dos sertanejos, grandes nomes do futuro de nossa Paraíba.

Para nos inteirar da intensidade da aceleração do processo evolutivo na educação de Patos, reproduzimos uma declaração do saudoso Padre Joaquim de Assis Ferreira, um dos maiores educadores que a cidade possuiu, em matéria publicada na Revista Opinião, em 1973, vazada nos seguintes termos: “Quando olhamos para esse passado da primeira mestra pública das Espinharas e vemos a cidade de hoje com as suas três faculdades, os seus cinco estabelecimentos de ensino de primeiro e segundo graus, os seus vários institutos, os seus diversos grupos escolares, as suas numerosas escolas publicas e particulares, sem esquecermos as do MOBRAL não conseguimos esconder o espanto e a satisfação pelo muito que Patos avançou e se desenvolveu no setor de educação. Por força dessa consideração, convencemo-nos de que Patos é uma cidade que trouxe uma destinação histórica de grandeza. A semente de luz plantada por Maria de Azevedo Cabral guardava promessas de fecundidade. Virou árvore frondosa e multiplicou-se. Neste ano de queridas recordações para a Pátria brasileira, vale para nós de Patos lembrarmos, com respeito e gratidão, o nome daquela que ajudou a construir o nosso desenvolvimento, encaminhando-nos pelo roteiro brilhante da instrução. Realmente, Maria de Azevedo Cabral ensinou Patos a ler”.

Em 2003, ano do centenário da cidade, segundo os dados fornecidos pela VI Região de Ensino, Patos já possuía 31 estabelecimentos estaduais, com 4.001 alunos matriculados; 84 escolas municipais, entre unidades do Poder Público e conveniadas, com um total de 14.040 alunos; 32 escolas particulares, com 5.561 matrículas. Nos dias atuais, a computação de estudantes desde a creche até o ensino médio, incluindo também a alfabetização de adultos e cursos técnicos, ultrapassa a casa dos 30.000.

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