Cícero Marques


Fazendo um confronto entre oportunidades e iniciativas do passado, encontramos verdadeiras façanhas, principalmente quando o ponto em destaque recai sobre o aspecto da solidariedade. Mesmo quando o projeto não chega a ser concretizado em todas as suas etapas, no mínimo contribui para a seqüência de novos estágios em outros períodos.

O Instituto dos Cegos de Patos, enraizado na década de 50 e que veio a se transformar no maior abrigo de pessoas idosas e desprovidas de família na região sertaneja, teve como idealizador um homem humilde que merece ser reconhecido, desde sua origem. Cícero Marques do Nascimento, filho de Raimundo e Raimunda Marques, nasceu em Cajazeiras, no dia 10 de janeiro de 1901 e faleceu na cidade de Patos em 10 de junho de 1978. Sua chegada a Rainha das Espinharas, ainda na década de trinta, decorreu de um convite feito pelo Padre Zacarias Rolim de Moura, dada a sua experiência como carpinteiro e mestre de obras, objetivando realizar serviços na igreja Matriz, em parceria com o primo de nome Otácio.

Casado em primeiras núpcias com uma conterrânea de nome Celina, união da qual surgiram os filhos: José e Antônia Marques Xavier, veio a enviuvar, casando-se novamente em 1945, desta feita com a patoense Maria Gomes, resultando no nascimento de Djalma e Djalmir Gomes Marques.

Ainda na década de quarenta, seguiu para o Rio de Janeiro, onde passou uma temporada desenvolvendo atividades profissionais, época em que conheceu o Instituto Benjamim Constant, atendendo convite de seu irmão Severino, e de pronto se interessou pela idéia. Regressando à cidade de Patos tratou de arregimentar pessoas interessadas e no dia 04 de julho de 1954, coordenou uma reunião no Círculo Operário, a qual resultou na Fundação de uma instituição similar, assumindo a função de primeiro presidente. Os demais integrantes da diretoria eram os seguintes: Vice-Presidente – João Leite de Carvalho Trigueiro, Primeiro-Secretário – Júlio Soares de Almeida, Segundo Secretário – Francisco Batista Souto, Primeiro Tesoureiro – Sabino José Viana, Segundo Tesoureiro – Laurênio de Queiroz, Orador Oficial – José de Araújo, Segundo Orador – José Marques. Na oportunidade foram definidas ainda duas comissões: Propaganda e Assistência Social.

Após a constituição da entidade, o passo seguinte foi arregimentar forças para viabilizar os recursos necessários à construção de uma estrutura capaz de abrigar e profissionalizar o público alvo, conseguindo-se de início um terreno no bairro de Belo Horizonte, por trás do Campo do Estrela, doado pela Prefeitura Municipal, mas retomado posteriormente para a construção de um Seminário, atendendo pleito da Diocese, momento em que foi feita uma permuta com a doação do antigo matadouro do bairro de São Sebastião.

A construção das adequações aconteceu em ritmo lento, uma vez que a maior parte dos recursos originava-se de doações em urnas colocadas nos pontos de maior concentração, a exemplo do Escondidinho e Bar do Chicó, além de algumas dotações conseguidas através de Bivar Olintho e do deputado Zé Cavalcanti. Cícero Marques, além do esforço próprio na edificação das dependências, contou com o trabalho de pessoas abnegadas, a exemplo de Alzier de Oliveira Cavalcante, mais conhecido por BB, que acabaria residindo no local após o início do funcionamento, sendo uma espécie de braço direito no cuidado das pessoas assistidas, o que acontece até os dias atuais.

Se não foi possível concretizar todos os seus desejos, já que objetivava atender primordialmente as pessoas cegas e enfrentou a negativa das autoridades com relação à cessão de professores especializados em Braile, Cícero Marques acabou por abrigar 14 idosos desamparados, tirando-os da solidão e dado-lhes a assistência necessária na formação de uma grande família.

Vale destacar ainda a seu ingresso na política, com pouca duração, candidatando-se a vereador, com tendências Getulísticas, tentando desta forma abrir maiores espaços de ajuda aos menos favorecidos. Acabou não logrando êxito e em pouco tempo abandonou esse desejo.

Próximo à sua morte, manifestou a disposição de entregar a administração do Instituto ao Exército e não conseguindo fez encaminhá-lo à prefeitura, que passou a mantê-lo de forma precária, assinalando um certo momento de decadência e somente voltando a melhores condições a partir de 01 de julho de 1989, sob a direção de Severino da Coroa, graças a verba liberada pelo então deputado Edivaldo Motta.

O Instituto dos Cegos ou Abrigo dos Velhos, como é mais conhecido, representa nos dias atuais não apenas um símbolo de resistência, mas uma referência concreta da força de vontade de um homem simples e idealista, somada à determinação do cidadão humilde, descoberto e incentivado por ele, formando assim a dupla que teve o maior mérito para a concretização deste tento, Cícero Marques na origem representando o passado e Alzier Oliveira (Seu BB), no transcurso como a referência do presente.

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