Arnaldo Diniz


O maior de todos os referenciais humanos reside na capacidade criativa, afinal são as particularidades, somadas ao desenvolvimento do potencial, que distinguem os melhores entre muitos. Nesse contexto passamos a referenciar o homem que uniu qualidade, elegância e satisfação, resultando em uma das grandes personalidades da Capital do Sertão da Paraíba.

Arnaldo Laureano dos Santos, nasceu na Vila Alagoa do Remígio, distrito de Areia, em 31 de dezembro de 1920. Filho de José Laureano dos Santos Primo e de Francisca Carmelita Fernandes Pimentel, tendo como irmãos: Iracema, Nair, Maria e Plácido, conheceu muito cedo o ofício de alfaiate, precisamente no ano de 1930, através do mestre José Dias de Melo.

Aos 14 anos, em busca de melhores condições passou a residir na casa da tia Placidia, em Campina Grande, trabalhando com Manoel Bianor de Freitas, na rua Cardoso Vieira em frente a Alfaiataria Nova York, pertencente ao poeta Zé da Luz.

Sua chegada a Patos data de 1935, com a ressalva de ter visitado o município aos seis anos de idade, juntamente com o tio Pedro Amaro, tendo como condução uma mula de nome Tabela, a qual conduzia uma carga de rapadura com destino ao sítio Juá Doce pertencente ao seu bisavô Francisco Fernandes Medeiros.

Um dos pontos que contribuíram para a sua instalação na rainha sertaneja decorreu da transferência de sua família, meses antes, tendo em vista que o seu pai fora convidado para desenvolver atividades de enfermagem, especialidade conquistada através da experiência.

Em Patos, Arnaldo auxiliou o italiano Biajo Farah Grisa e posteriormente o colombiano Secundino dos Santos. Em 1938, foi tentar a sorte em Jardim do Seridó, como operário de Manoel Pedrosa, com o qual seguiu para uma temporada em Araruna e mais tarde João Pessoa, em atendimento a um convite do Governador Argemiro de Figueiredo, para dirigir a alfaiataria do Quartel de Polícia. De lá saiu para a alfaiataria de Mário Farah Grisa, também na capital.

Inquieto, na constante busca por mudanças, voltou para Campina Grande, passando a trabalhar com um Russo, instalado no Beco do 31, época em que conheceu aquele que seria o seu segundo pai, José Henrique, porteiro do Cine Capitólio que o encaminhou a José Rocha, um dos maiores profissionais da moda, o qual lhe ensinou a arte do corte, tirando-o da limitação de costureiro oficial e propiciando-lhe a confecção do primeiro terno em seis meses. O mesmo cidadão lhe fez uma carta de apresentação, dirigida ao mestre Oliveira, residente na rua do Rangel em Recife, conseguindo-lhe alojamento e um serviço na Camboa do Carmo. Tempos depois trabalhou com o senhor Jaime, na rua Nova, vizinho a Alfaiataria Londres. Sua trajetória ainda marca atuação em Natal com o Alfaiate Formiga.

Em 1940 abriu uma alfaiataria em Santa Luzia, atendendo sugestão do comerciante Francisco Vicente. Atraído pela movimentação do comércio sertanejo, por conta da Mina do Ouro, regressou à Morada do Sol, se estabelecendo vizinho ao foto Enoque da rua Grande, onde permaneceu de 1941 a 1947, momento em que seguiria novamente para o Recife e trabalharia no Magazine Primavera, levado pelas mãos de Arnóbio Caetano. Nos fins do mesmo ano, veio em definitivo para a Capital das Espinharas, instalando-se na rua Pedro Caetano.

No ano da morte de sua mãe, 1951, casou-se com a jovem Dirce Figueiredo dos Santos, precisamente no dia 11 de outubro, união da qual nasceram seis filhos, sobrevivendo apenas um: Sagramor, cujo nome homenageou uma vereadora carioca, filha de Miguel Gustavo, compositor famoso, autor da marcha “Pra Frente Brasil”.

Posteriormente passou a trabalhar na rua Solon de Lucena em prédio do seu amigo e compadre, João Xavier, mesmo dono da sede futura localizada na rua Bossuet Wanderley, onde perdurou pelo maior período, até 27 de agosto de 1999, quando ocupou suas próprias instalações na rua Rui Barbosa.

A denominação característica de Arnaldo Diniz surgiu em 1943, quando atuou em peças teatrais, programas radiofônicos e shows, inclusive ao lado de Murilo Caldas, caracterizando-se com relação à aptidão artística. Já o slogan de Ditador da Moda, decorreu do reconhecimento por conta do trabalho realizado ao longo dos anos, merecendo elogios de vários segmentos, com mensagens provindas do Rio de Janeiro, Bahia, Argentina, São Francisco da Califórnia, dentre outros.

Na década de 80, Arnaldo Diniz deixou a profissão de alfaiate e entrou forte na confecção masculina, figurando até os dias atuais com grandes marcas, mantendo o padrão que sempre o caracterizou.

No contexto existencial, outra característica bastante forte do nome em destaque reside no campo da boemia, tendo sido detentor da amizade dos grandes artistas de sua época, entre os quais: Augusto Calheiros (com quem cantou em 1951), Nelson Gonçalves (35 anos de amizade), Ângela Maria (sua hóspede), Núbia Lafaiete, Silvio Caldas, entre outros. Contou-nos que sua primeira experiência foi um tanto quanto frustrada, já que a seresta inicial feita em sua terra natal, acabou sendo o motivo de sua primeira surra. Naquela época, aos 13 anos, estava ao lado do seu primeiro mestre que também era violonista e cantavam toadas em frente ao hotel, quando foi surpreendido pelo genitor.

Em Patos, encontrou os companheiros em potencial na formação de um grupo que não se cansava de buscar os amores da noite, através da música: Severino Gomes, Antônio Moreno, Antônio Emiliano, Adalberto Farias, Pedrinho Palmeira e Antônio de Sinhorinha.

Mantendo sempre suas qualidades peculiares, Arnaldo Diniz seqüencia sua jornada, ao lado da esposa, classificando-a não apenas de mão direita, mas suas duas mãos em termos de coerência e trabalho, chegando a afirmar que se possível fosse, casaria novamente com a mesma musa. Com relação à filha Sagramor, Psicóloga do INSS, casada com o funcionário público estadual, Renato Ramalho Leite e mãe de Felipe e Renata, sempre faz as melhores referências, não esquecendo do amigo José Antônio Urquiza, que lhe proporcionou a chance de desenvolver seu potencial nos momentos iniciais de sua formatura.

Culminando o depoimento que resume a sua vida, em tom de inspiração, despertou o seu tino filosófico através das seguintes declarações: “Nunca quis ser um alfaiate, mas um grande alfaiate. Depois o meu desejo de músico não chegou a ser concretizado mesmo tendo convivido com Pedro Marinho, pernambucano formado em Milão que regeu a Orquestra Sinfônica Brasileira. Contudo, fazendo o retrospecto da minha vida não queria ser nem alfaiate e nem músico, mas sim um jornalista para ter a oportunidade de escancarar a verdade deste país”.

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