Elvina Caetano


Na bravura feminina do contexto histórico da Capital do Sertão, nada mais justo do que uma parada obrigatória para reverenciar a memória de um verdadeiro símbolo de luta, que se destacou em meio à sociedade, chegando, inclusive, a ser a segunda mulher a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal, função que antes só havia sido conduzida por Maria Esther Fernandes.

Severina Etelvina de Pontes (Elvina Caetano), nasceu no dia 23 de junho, do ano de 1907, na cidade de Patos. Filha de Elvina Maria de Pontes e Pedro Caetano, figura por demais conhecida em toda a região e relembrada pelos mais antigos por seus grandes atos de solidariedade. Desde cedo se espelhou nas atitudes do genitor, não apenas como contemplação, mas para o seqüencial da referida prática. O seu pai sempre foi destacado pelas ações empreendidas nos anos de seca. Ao lado de Tobias Medeiros, no período de 1943 a 1945, distribuía, semanalmente, uma cesta básica aos mais necessitados, o que se repetiu sempre que a estiagem voltava à tona.

Elvina partiu com toda a sua força para o social, na ajuda aos carentes, sendo ela, uma das precursoras da criação da Casa dos Pobres. Sensível à dor humana e voltada aos mais humildes, jamais deixou de ajudá-los. Era prestativa nas suas amizades e sempre chamou a atenção por sua força e coragem nas decisões que tomou no decorrer da sua vida.

Dona Elvina foi casada com Zózimo Gurgel, união da qual surgiram cinco filhos: Zuíla, Pedro, Evaldo, Everardo e Edvaldo, pessoas que conseguiram galgar grandes espaços no campo profissional e social.

Sua vocação de filha, esposa, mãe, sogra, avó e mulher pública, lhe proporcionou muitas alegrias e decepções, surpresas e realizações. Uma vida de ganhos e perdas, onde a experiência adquirida serviu para torná-la na mulher exemplar que foi.

No aspecto político, ao lado do esposo, foi uma das primeiras filiadas ao PSD, no período em que se falava em redemocratização do país, após a II Guerra Mundial. Surge mais tarde o convite para disputar um cargo eletivo que, a princípio foi rejeitado e, depois, em 1963, chegou a ser aceito, logrando êxito na iniciativa, mesmo com a derrota do candidato a prefeito de seu partido.

Na Câmara Municipal, durante a Administração Zé Cavalcanti, Dona Elvina foi sempre uma voz respeitada, procurando dentro das suas limitações viabilizar projetos importantes para o município. Enquanto viveu sempre foi admirada pelos políticos da Paraíba. Visitada por inúmeros governadores, fez o papel de conselheira durante muito tempo, já que suas sugestões, sempre foram levadas em consideração por conta da propriedade com a qual tratava as sérias questões do dia-a-dia.

Na Festa de Nossa Senhora da Guia, era ela, uma das figuras de frente na organização e desenvolvimento das atividades, como integrante do cordão azul, sempre conseguindo vencer a competição saudável, contribuindo para os grandes resultados.

A convite do Clube “Aurora da Vida” foi eleita madrinha da Melhor Idade. Para ela a vida também era uma festa! Como não lembrá-la nos antigos carnavais, Nas festas da Padroeira, comemorações de Santana e, principalmente, no São João, quando festejava com todos a data do seu aniversário?

Elvina Caetano, faleceu no dia 17 de agosto de 1998, aos 91 anos de idade, bem vividos, como um exemplo concreto deixado a todos os que tiveram a satisfação de integrar o seu convívio.

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