Romero Nóbrega


Em 02 de março de 1939, nascia na casa de nº 39, da rua Solon de Lucena, cidade de Patos, Romero Ábdon Queiroz da Nóbrega, irmão de Carmem Leda e Iara, filho do Advogado e Agropecuarista Napoleão Ábdon Queiroz da Nóbrega e Maria Angelina Queiroz da Nóbrega, católicos praticantes que na fé lhe proporcionaram os primeiros ensinamentos.

As primeiras lições escolares foram registradas no Colégio Cristo Rei, seqüenciadas no Educandário Santo Antônio, no entanto, o primário acabou sendo concluído no Colégio Marista do Recife. Mais tarde, com a transferência para João Pessoa, passou a freqüentar os Colégios: Pio X e Liceu Paraibano, paralelo a prática de esportes, chegando a formar um time de basquete que seria campeão daquela cidade.

Na década de 60, prestou Vestibular na Faculdade de Direito do Recife, conseguindo aprovação e passando a integrar uma geração futura de valores políticos e sociais, entre os quais: Marcos Freire e Marco Maciel.

Sobre a veia política de Romero, a historiadora Maria Zoetânia da Nóbrega escreveu: “Não poderia ficar indiferente à política partidária, circulando em suas artérias o sangue do seu pai, que além de jurista foi deputado estadual, representando o Vale do Sabugi na década de 50. Participou em praça pública de discursos memoráveis, defendendo a restauração do Estado Democrático de Direito e, ao contrariar os interesses da Revolução de 1964, foi preso na cidade de Patos, em demanda da Capital do Estado, sem saber o destino que o aguardava, pagando o preço da coragem e da rebeldia, próprias dos idealizadores”.

Advogado dos mais brilhantes, estabelecido em Patos no ano de 1965 e herdeiro da banca do seu pai, Napoleão Nóbrega, Romero a todos impressionava pela sua oratória, facilidade de se expressar, precisão, dignidade, simplicidade e alto astral. Como desportista amava o Nacional Atlético Clube, sendo presença marcante na arquibancada em todos os jogos disputados nos diversos Estádios da Paraíba. Foi um dos maiores embaixadores da cidade de Patos, além de ser um dos ardentes defensores de nossas tradições. Honrou a terra natal quando, exercendo as funções de Procurador Geral do Estado, durante todo o Governo Burity, o fez com capacidade, defendendo a Paraíba nos Tribunais Superiores em Brasília, com a mesma desenvoltura que defendia os pobres réus no Fórum Miguel Sátyro, não se deixando abater pelas lutas, sempre com ar de ganhador, tornando-se conhecido como criminalista.

Outras funções que exerceu: Professor da Faculdade de Ciências Econômicas de Patos, Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil, Assessor Jurídico da Prefeitura Municipal de Patos, Advogado da Caixa Econômica Federal, Primeiro Secretário do Instituto dos Advogados Brasileiros, Juiz do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, além de ter sido um dos idealizadores da Fundação Francisco Mascarenhas.

O dia 07 de abril de 1991 marcou um dos mais trágicos acidentes registrados no Sertão da Paraíba. Quando voltava para a cidade de Patos, procedente da Fazenda Almas de sua propriedade, localizada no município de São Mamede, dirigindo uma pick-up Ford, o então Procurador do Estado, Romero Ábdon Queiroz da Nóbrega, 52 anos; a esposa Suely Espínola Nóbrega, 44 anos; a filha mais nova do casal Maria de Fátima Nóbrega, 11 anos; a empregada Vera Oliveira de Sousa, 31 anos, e sua filha Maria Raquel Oliveira de Sousa, de apenas 3 anos, perderam a vida em uma colisão frontal com uma carreta que viajava em sentido contrário. Das pessoas conduzidas no carro menor escapou apenas Romero Filho (Romerinho), de 17 anos, que, pressentindo o choque dos veículos saltou antes do impacto, luxando um dos tornozelos. O causador do acidente foi o motorista da Scânia de placas TX-7702, José Ademilson de Oliveira, residente na cidade de Boqueirão e que trafegava na contra mão da Br – 230. Naquele momento, abria-se uma enorme lacuna para os dois filhos sobreviventes: Romero Ábdon Queiroz da Nóbrega Filho e Maria de Lourdes Espínola da Nóbrega, demais familiares e a população de Patos que perdia uma de suas maiores expressões. Era um domingo à tarde, momento em que o Dr. Romero voltava de um final de semana no campo, para se destinar ao Estádio Municipal de Patos e, mais uma vez, presenciar o seu time jogar.

Segundo depoimento do Conselheiro do Tribunal de Contas, Flávio Sátyro Fernandes, o desaparecimento prematuro de Romero Nóbrega, desfalcou a Paraíba de um dos seus mais expressivos quadros intelectuais, notadamente no campo jurídico da advocacia, que ele exercitou com todos os brilhos. O trágico acontecimento traduziu a perda de oportunidades futuras para os seus conterrâneos, quer seja no campo do Direito ou no aspecto da Política, onde o seu nome era sempre lembrado para o exercício de diferentes cargos.

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