João Xavier


Muitos foram os filhos adotivos da Capital do Sertão da Paraíba, com uma enorme contribuição ao seu desenvolvimento, graças à aptidão que traziam consigo no tempo da chegada, originada, muitas das vezes, por problemas vividos na terra natal e conseqüente busca de solução. Nessa realidade está inserida a figura do saudoso João Xavier de Sá, natural do município de Espírito Santo, no Estado da Paraíba, nascido aos 29 de fevereiro de 1910.

Uma grande cheia em seu lugar de origem acabou por arruinar o patrimônio da família, composta de 15 irmãos, inclusive com o registro da morte do pai, o que obrigou a transferência da prole para a cidade de Campina Grande, onde o nome em destaque se iniciaria na atividade comercial, a partir da função de mascate, através da comercialização de perfumes, compostos das mais diversas essências em linha popular.
Dotado de uma visão ampla, característica herdada dos antepassados e aprimorada pela força de vontade, passou ao processo de expansão estendendo os seus negócios para a cidade de Patos, onde se estabeleceu em 1936, com a tradicional Perfumaria Glória, tendo como primeiro endereço a Praça da Babilônia, proximidades da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Na década de 40, já perfeitamente integrado à sociedade de Patos, ajudou a fundar a Associação Comercial, Industrial e Agrícola, ocupando uma das vagas de suplente na primeira diretoria.
No ano de 1950, transferiu o seu estabelecimento comercial para a rua Solon de Lucena, inovando a cada dia no atendimento e produtos, principalmente a linha de perfumes importados, jóias e bijuterias.

João Xavier se caracterizou pela facilidade de aglutinar amigos e não se descuidou de sua atuação no campo das conquistas para o município, tendo sido um dos principais integrantes do Aeroclube e participado ativamente da criação da Escola Técnica de Comércio, Roberto Simonsen. Foi o primeiro empresário a construir edifícios em Patos, dando-lhe aspecto de cidade grande, iniciativa que deu um considerável impulso ao crescimento da cidade.

Casou-se com Antônia Marques Xavier e não fez economia com relação ao número de filhos. Do casal foram gerados: José (Deda), Idalina Celina (Nena), Glória de Fátima (Glorinha), Elpídio Anderson, Lindebergue (Lino-Memorian), Maria Elizabeth (Bebeta), Maria Margareth, Maria do Socorro, Sandra, Marília e Jaqueline. Sobre sua personalidade e modo de tratar os seus, vale lembrar uma declaração da esposa Toinha: “João era uma flor; alguém que não é para ser lembrado, pois jamais foi esquecido”.

Católico fervoroso participava de praticamente todos os eventos de Patos, principalmente dos festejos carnavalescos e uma de suas grandes virtudes residia no combate a discriminação, principalmente com relação às mulheres errantes que recebiam o desprezo de grande parte da sociedade. Tratava-as como clientes em potencial, sem qualquer constrangimento e através de seguidos depoimentos deixava claro que todos merecem uma segunda chance, conseguindo, aos poucos, quebrar os grilhões que separavam a linha férrea (local das mariposas) do centro da cidade, mostrando que as vampiras (como eram taxadas) não eram tão más como se pintava.

João Xavier de Sá faleceu no dia 09 de abril de 1986, momento em que uma coincidência foi registrada. No seu nascimento ocorreu a primeira passagem do Cometa Halley pelos nossos céus, o que só veio a se registrar novamente no ano de sua morte. Há quem diga: “O Cometa Halley o trouxe e o levou, caracterizando a sua grande importância para Deus”.

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