Sindicato Rural


Há uma grande semelhança entre a entidade e o seu dirigente, no entanto, quando o assunto é Sindicato Rural de Patos, a identificação é maior ainda, afinal, por mais de trinta anos a sua coordenação foi confiada à mesma pessoa.

Em 1943, precisamente no dia primeiro de novembro, foi fundada a ACIAP – Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Patos. Pouco tempo depois haveria uma divisão, provocada pelos agropecuaristas, a partir do entendimento de que o setor que integravam constituía o maior potencial econômico da região e por isso não devia permanecer ao abrigo de outras categorias econômicas, notadamente as que mais se interessassem por sua produção. Do conflito de interesses surgiu a separação, a partir de uma reunião extraordinária, em que tomaram parte os mais expressivos valores da economia rural, culminando com a fundação de uma associação específica, aos 21 dias do mês de novembro de 1946, com uma diretoria eleita para os três primeiros anos, sob o comando dos senhores: Jader dos Santos Lima e Joaquim de Freitas Bitú, respectivamente, presidente e secretário, os quais seriam reeleitos para o mandato seguinte que só culminaria em 1952.

Convocada outra Assembléia Geral Eleitoral foi escolhido o Sr. Odílio Meira Wanderley, para o mandato 52/55, período em que construiu a sede social. O mesmo presidente foi eleito sucessivamente até 1964, não chegando a concluir o mandato, preocupado com a decadência dos seus negócios particulares. Com esse acontecimento foi escolhido para o triênio 64/67, o Dr. Manoel Taigy Queiroz de Melo Filho que, por motivo de transferência para a Capital do Estado, onde assumiria a função de Juiz de Direito, renunciou ao cargo em 20 de abril de 1964, passando a responsabilidade ao vice Raimundo Gomes Sobrinho. Em 1967, precisamente no dia 16 de novembro, deu-se a transformação de Associações Rurais em Sindicatos, mudança generalizada em todo o Estado da Paraíba, sendo que a Unidade de Patos foi reconhecida como órgão representativo das categorias econômicas dos empregadores rurais, integrantes do Plano da Confederação Nacional da Agricultura, pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social, em 10 de maio de 1968.

Até 1989, o Sindicato Rural de Patos teve na presidência o senhor Raimundo Gomes que com criatividade, sabedoria e disposição de trabalho promoveu uma verdadeira revolução em termos de melhorias para o setor. Por conta de sua própria insistência, foi substituído no triênio 89/91 por Edvaldo Pontes Gurgel, mas não teve outra escolha ao ser praticamente obrigado a voltar na gestão seguinte. Em 1993, passou a responsabilidade para Ambrósio Dinoá Medeiros e mesmo alegando o cansaço da idade avançada não teve como recusar a volta em mais duas gestões, compreendendo o período de 1996 a 2002. Com o seu aval assumiu em 2002 o agropecuarista e comerciante Sebastião dos Santos Lima. Muitos foram os convênios celebrados com outras instituições nas diversas gestões, a exemplo da ANCAR, FUNRURAL, INDA e Governo do Estado, para viabilizar a assistência técnica, dentária, médico-hospitalar, etc, para os diversos associados e dependentes.

Ao longo dos anos o Sindicato Rural de Patos tem sido vivo e atuante, mantendo as suas características de instituição voltada para o homem do campo, onde ele pode encontrar o apoio e a orientação necessários para a completa integração na sociedade em que vive e os problemas agrários da atualidade. Seu Raimundo, no entanto, continuou figura presente no dia-a-dia da entidade funcionando como uma espécie de consultor, tirando dúvidas e arregaçando as mangas para ajudar os companheiros nas lutas empreendidas.

A trajetória de um homem vencedor

Raimundo Gomes Sobrinho, nasceu na rua Porfírio da Costa, cidade de Patos em 28 de fevereiro de 1917. Filho de Gabriel Gomes dos Santos e Altina Vieira dos Santos teve poucas chances em termos de estudos, mas soube aproveitar bem as instruções colhidas no primário incompleto e agregá-las aos ensinamentos que lhes foram proporcionados pela Escola da Vida. Os cargos que assumiu é uma prova de sua disposição e competência. Suas atividades e respectivos períodos são os seguintes: Balconista na Loja Paulista em Piancó – 1930 -1932; Auxiliar de Escritório das Obras Contra as Secas em Catingueira, Bela Vista, Maracujá e Patos – 1932-1933; Comércio Ambulante em Malta, Pombal e Patos – 1933-1934; Gerente de Vendas em Picotes – 1934-1937; Comércio na Cidade de Quixaba – 1937-1953; Produtor Agropecuário em Quixaba – 1937-1990; Comércio estabelecido em Patos – 1954-1969; Tesoureiro do Rotary Club de Patos – 1956-1957; Secretário do RC-Patos – 1959-1960; Secretário da Associação Comercial – 1959-1962; Presidente do Rotary Club de Patos – 1961-1962; primeiro Prefeito de Cacimba de Areia – 1961-1962; Distribuidor da Justiça em Patos – 1962-1966; Gerente do Banco do Estado, Agência Patos – 1965-1966; Adjunto de Promotor Público de Patos – 1967-1971; Vice-Presidente da Federação Agrícola do Estado da Paraíba – 1968-1978 e 2000/2003; Distribuidor do Fumo Dubom PB, RN e CE – 1969-1993; Secretário da Federação de Agricultura do Estado da Paraíba – 1978-1990 e 1997-2000; Prêmio de Produtividade Rural – 28/05/1982; Primeiro Suplente de Juiz de Paz em Patos – 1981-1983.

Um mestre na Homeopatia

A sua tendência com relação ao assunto começou por hereditariedade do pai, contudo, passou a desenvolvê-la com maior propriedade a partir de 1934, quando se transferiu da cidade de Sousa para o sítio Picotes, no município de São Mamede e passou a orientar as pessoas com relação à eficácia das plantas no tratamento dos seus males. Nessa mesma época adquiriu um livro que tratava do assunto, oportunidade em que se aprofundou, conseguindo diversas curas para integrantes daquela comunidade pobre e nunca mais se distanciando dessa atividade. Continuou orientando as inúmeras pessoas que o procuravam, passando a ser um dos principais fornecedores dos produtos homeopáticos.

Raimundo Gomes Sobrinho contraiu matrimônio, em 14 de janeiro de 1937, com Estefânia Pereira de Souto, sendo que da referida união nasceram 07 filhos. Ficou viúvo em 13 de março de 1996 e continuou mantendo uma vida simples, residindo na rua Deodoro da Fonseca, no centro de Patos.

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