O Autor


Natural de Patos, nascido aos 06 de abril de 1963, na Rua dos Dezoito do forte, Damião de Lucena Lima é o terceiro filho do casal: José Rodrigues de Lima e Maria Carmelita de Lucena Lima (já falecidos). Seu surgimento constituiu um verdadeiro milagre, vez que foram seis abortos consecutivos e havia um indicativo de que teria o mesmo destino, fato que levou sua mãe a presença do frade capuchinho Frei Damião para pedir intercessão através de preces, justificando o nome que teria, sem Frei, claro!

Ainda criança, por conta da pouca condição da família, passou a residir no Beco da Bomba, de onde seguiria com sua mãe para o Recife, tendo ainda na companhia a irmã Joselita, permanecendo na Capital Pernambucana pelo período de dois anos.

Regressando a terra natal passou a residir na rua Alto Casteliano, época em que iniciaria suas atividades escolares, como aluno da professora Lia, que mantinha em sua residência uma unidade de ensino particular.

Seu pai, motorista da Prefeitura, titular do Transporte de Carne Verde, comprometia o pequeno salário com o aluguel e cesta básica, enquanto sua mãe desenvolvia a aptidão de artesã para tentar amenizar a situação, diante de todas as necessidades da prole composta por cinco filhos. Guerreira como sempre foi, Carmelita bem que tentou lhe dar uma melhor condição educacional, matriculando-o no Instituto Pequeno Príncipe de propriedade da Professora Cirinha, localizado na Avenida Solon de Lucena, mas o recurso não foi suficiente, o que fez a criança regressar mais cedo para casa e passar a tentar a sorte na escola da tradicional mestre Dona Luzia, na rua Padre Anchieta, famosa pelos métodos arcaicos, a partir da temida palmatória. O garoto acabaria ganhando da docente o apelido de pamonha machucada, criando uma verdadeira aversão para com a professora e justificando a sua saída da referida unidade de ensino.

Era chegado o momento de ingressar na rede pública, a partir do Instituto Dr. João Tavares, mantido pela Loja Maçônica Augusto Simões, com a continuação do primário na escola Santo Antônio e grupo Coriolano de Medeiros. Aprovado no exame de seleção da quinta série chegou ao Colégio Capitão Manoel Gomes, para uma permanência de quatro anos.

Ao ponto em que avançava nos estudos, o adolescente passou a desenvolver pequenas atividades comerciais, na venda de bombons, quebra-queixo, refrigerante ideal, pastel, rolete de cana, sem falar nos ferros velhos, cobre, alumínio e demais sucatas conseguidas nas adjacências da garagem do caminhão que seu pai trabalhava, para a venda ao tradicional “Pedro Toá”. Com o pequeno recurso conquistado passou a bancar suas despesas de educação, roupas e outras atribuições dos próprios pais para com a sua pessoa. No período de férias seguia sempre às segundas-feiras de bicicleta para o município de Santa Terezinha, de onde regressava aos sábados para tocar as atividades de sua carroça de confeitos. Na vizinha cidade ajudava ao seu avô Chico Rufino, nas lutas com o gado e lavoura, justificando um bom dinheiro que recebia ao final de cada temporada.

Concluído o ginasial era chegada a hora de ingressar no Colégio Estadual Pedro Aleixo, onde cursou as duas primeiras séries do segundo grau no período diurno, mas teve que se transferir para a noite no terceiro ano, objetivando trabalhar, primeiro quebrando concreto e posteriormente assumindo a função de servente de pedreiro, nas construções tocadas pelo mestre Olegário. Nesta época fez parte da equipe responsável pelos serviços de edificação das residências de Agamenon Sá e da professora Geralda Medeiros, situadas no final da rua Tiradentes, no centro de Patos.

Mais tarde passou a trabalhar na mercearia do seu primo, Marcos Rufino, na rua Peregrino de Araújo, e como pagamento tinha parte da bóia e o direito de vender botijões de gás de cozinha. Também fazia parte do contrato de boca, as despesas decorrentes do vestibular para Engenharia Florestal, cujas provas deveriam ser realizadas em João Pessoa, para onde rumou e conseguiu a grande façanha de ser aprovado, com média equivalente a alguns classificados para o curso de Medicina que detinha a maior concorrência da época.

As dificuldades, no entanto, não parariam por aí, inclusive com relação ao mínimo necessário para se manter na Universidade, já que o curso lhe ocupava os dois períodos e não havia recurso suficiente sequer para o transporte do centro ao bairro do Jatobá. Com bolsa da Fundação Zé Américo e Crédito Educativo de manutenção, o jovem continuou trilhando sua vida de acadêmico, tendo, inclusive, participado de dois Congressos, um em Belém do Pará e outro em Cuiabá, fruto de uma enorme luta empreendida por estudantes pobres de Patos, na ânsia de melhorar cada vez mais o aprendizado. Foram apenas cinco períodos quando a decisão de desistência chegou a ser inevitável, momento em que havia prestado novo vestibular para Educação Artística em João Pessoa, na concepção de que na Capital seria mais fácil conseguir trabalho e conciliar com as atividades estudantis. Tudo não passou de mais um engano e poucos dias após estava de volta à Capital do Sertão, para tentar o curso de letras e não gostando de sua grade curricular optou finalmente por Licenciatura Plena em Geografia. Durante a sua estada na unidade de ensino superior, destacou-se pela liderança estudantil e chegou a presidir o Centro Acadêmico do seu curso e o Diretório da Instituição.

Nos primeiros períodos de estudo na Fundação Francisco Mascarenhas, durante o dia prestava serviço de motorista no transporte das crianças do Instituto João XXIII, onde também lecionou artes e educação física. Paralelo a isso se destacou na organização da Quadrilha Junina mais tradicional da época na cidade de Patos, cuja festa se realizava na rua da Pedra, e já detinha a presidência do Grupo Teatral Cordel, que durante cinco anos constituiu um grande movimento cultural do Sertão da Paraíba. Uma de suas peças chegou a ser premiada em nível estadual, intitulada “Doido Sim, Louco Não”. No aspecto criativo, a sua maior característica residia em escrever comédias, nas quais além de dirigir, atuava e produzia como um todo. Vale destacar um outro trabalho paralelo que conquistou junto ao empresário Basto Queiroz, quando passou a residir em sua casa, para tratá-lo na recuperação de uma cirurgia, dirigir o seu veículo e tomar conta do fomento da propriedade rural e fornecimento dos moradores. Em troca tinha o pagamento de suas mensalidades na Faculdade.

Ainda em meados da década de oitenta, momento em que atuava como colaborador do programa “Nossa Gente é Assim”, coordenado pelo saudoso João Mendes, o nome em destaque foi convidado para integrar o corpo funcional da Rádio Espinharas de Patos, assumindo a função de redator e pouco tempo depois já desenvolvia as aptidões de repórter, apresentador, editor, locutor, disque jóquei, etc. Foi também um período de especialização em jornalismo, através de cursos bancados pela Alemanha e desenvolvidos por instrutores do Brasil, Costa Rica, Peru, dentre outros.

Permaneceu na emissora mantida pela Diocese até o início da década de 90, período em que levou a efeito uma série de inovações, a partir dos programas de auditório voltados para a cultura, entre eles o “Maratona Escolar” que envolvia os colégios de Patos e região, trazendo ganhos significativos na educação e edificando projetos importantes, a exemplo do suprimento das unidades de ensino com ventiladores, bebedouros, serviços de som, etc, tendo como ponto maior à construção da Escola Rotary Norte, que funciona até os dias atuais. Foi também o responsável pela primeira greve realizada por funcionários de rádio na Paraíba, lutando contra a prepotência dos que assumiam o comando e se negavam a cumprir a legislação relacionada ao piso salarial dos radialistas, resultando na conquista do pleito.

Ainda com relação ao Rotary, foi responsável pelo projeto Natal dos Carentes, que mais tarde seria transformado em Dia Municipal da Solidariedade e que no natal arrecada donativos para as famílias mais necessitadas. No referido clube de serviço já assumiu praticamente todas as funções, inclusive a de presidente na gestão 2005/2006, que teve como projeto de referência à conquista de recursos da ordem de 15.972 dólares, destinados a aquisição de um veículo para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Patos.

A sua participação na Imprensa Escrita teve início em 1987, quando assumiu a gerência da Sucursal do Jornal “A União”, atendendo convite do Governador Tarcísio de Miranda Burity, permanecendo até os dias atuais na Secretaria de Comunicação Institucional da Paraíba. Ao mesmo tempo tomou parte na produção da Revista Patos Empresarial, juntamente com Pedro Oliveira e Valdemar Tude, trabalho que seria repetido por mais dois anos. Na vida pessoal, a referida época marcou também o enlace matrimonial com Dilva Lucena, resultando no nascimento dos filhos Danielle e Daniel.

A transferência para o Sistema Itatiunga de Comunicação se deu no início da década de 90, após divergências com a coordenação da Rádio Espinharas, passando a assumir a direção jornalística do meio de comunicação congênere. No mesmo ano, passou a responder por uma assessoria de Imprensa da Assembléia Legislativa do Estado da Paraíba, prestando serviço ao deputado estadual Ivânio Ramalho, função que deixaria em 1993 para assumir a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Patos, permanecendo até o final de 1996, com a conclusão do referido mandato.

Paralelo ao trabalho desenvolvido nas emissoras de rádio e jornal a União, sempre manteve uma produtora de vídeo e a empresa Lucena Publicidades, sendo ainda responsável por várias publicações no âmbito histórico, dentre elas as seguintes: “Nossa Senhora da Guia – Padroeira de Patos”, “Patos de Nossa Senhora da Guia”, “Diocese em Revista”, “A Cruz da Menina”, Frei Damião – o Andarilho da Fé Nordestina”, “Patos Cidade Centenária”, “Catingueira em Revista”, “O Cristo Redentor de Itaporanga”, “Piancó em Revista”, “São José do Bonfim”, “Uiraúna em Revista”, “Os 50 Maiores do ICMS de Patos”, “Nabor”, “Patos em Revista”, “APAExonante”, além de folhetos e um filme em VHS produzido sobre a história da morte da Menina Francisca que originaria a maior romaria do interior da Paraíba.

Em 1997, participou de uma Conferência Internacional de Rotary em Glasgow na Escócia, oportunidade em que conheceu de perto a estrutura e os principais projetos do mairo clube de serviços do mundo, chegando inclusive a manter contato direto com o seu presidente. Na mesma época excursionou pela Europa, visitando a Inglaterra, França e Holanda com o intuito de conhecer suas culturas para confrontá-las com a realidade de sua gente. Esteve também no Paraguai matando curiosidades pessoais sobre uma outra experiência mundial.

Em outubro de 2000, fez uma pausa no trabalho de Rádio, regressando em 2002, permanecendo por pouco mais de um ano, para novamente passar a dedicar-se aos trabalhos de assessoria, a exemplo do que vem prestando desde 1987 a Associação Comercial, algumas empresas de Patos e mais recentemente a CDL e SINCOVEP, através do Jornal Comércio e Notícias.

Os fatos que lhe trouxeram maior comoção registraram-se com o falecimento de sua mãe, em fevereiro de 2000 e a morte do seu pai em novembro de 2004, após ter residido em sua companhia os últimos dezessete anos de vida. Contudo, tem conservado a memória de ambos, pelos ensinamentos recebidos, como verdadeiras lições de vida para a seqüência da caminhada que, como sempre afirma, não tem dia e nem hora para ser concluída, acreditando sempre que ainda tenha muito chão pela frente. Apostando alto no desenvolvimento dos filhos, Danielle – a futura advogada e Daniel – o futuro administrador de empresas, Damião Lucena, como é mais conhecido, se mantém firme e forte acreditando no poder da criação humana e, acima de tudo, tentando dar uma contribuição no resgate da história de sua terra, como forma de valorizar sua gente.

Outra particularidade do nome em destaque, reside no campo da música, com uma participação ativa em festivais, a exemplo do FEMURE – estilo religioso, realizado na década de 80, no Colégio Cristo Rei, conseguindo a consagração de melhor intérprete. Também como compositor e cantor conquistou posições de destaque no FORRAÇO e FORRO FEST, sendo que a sua música intitulada “Paraíba” ficou em quinto lugar na edição de 1998, figurando no CD “10 anos de Forro Fest”.

Paraíba
Composição: Damião Lucena
Interpretação: Damião e Valdemir Silva

 

No litoral tem as praias de João pessoa
Tem Tambaba que é tão boa
Que a gente fica a vontade
A traição de quem não mais trai na Bahia
No carnaval Alegria
Pelas ruas da cidade.

Abro Cortina pra grandeza de Campina
O Brejeiro é gente fina
Micarande é a festança
Já em Areia tem cachaça e rapadura
Mesmo quando a vida é dura
O povo tem Esperança.

Paraíba, Paraíba, Paraíba, Paraíba.

Chegando a Patos rezo na Cruz da Menina
É Cajazeiras que ensina
É lá que eu quero aprender
Terra sorriso tem rastro de Dinossauro
Do feroz Tiranossauro
Sousa tem Vale pra ver

Itaporanga tem um Cristo que levanta
Conceição Pinto que Cante
E toca pra gente dançar
Itabaiana tem o Cabelo de Milho
A história segue o trilho
Das inscrições do Ingá

Paraíba, Paraíba, Paraíba, Paraíba.

Temos poeta do Nordeste Independete
Monteiro sempre presente
No Caboclo Sonhador
Vida de gado que vem do Brejo da Cruz
Ibiapina conduz
Aos pés de nosso Senhor

Tem ratoeira no alto do edifício
Da França cujo ofício
Na cultura tem apego
Temos Arruda que protege e que decanta
Goela de Elba que encanta
Na volta do aconchego

Paraíba, Paraíba, Paraíba, Paraíba.

Patos em Revista

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