Professorinha Antonieta


A música de Antônio Emiliano, que por pouco não acabou se transformando no hino de Patos, em seu refrão, constituiu uma grande homenagem a uma das educadoras que, com sua simplicidade e modo de proceder, seria imortalizada na Capital do Sertão da Paraíba, exatamente, a professorinha Antonieta.

Muitas são as pessoas de gerações diversas que não possuem uma referência concreta sobre a referida cidadã e que conduzem uma curiosidade ímpar sobre a mesma, o que justifica, perfeitamente, um pouco de sua descrição.

O Dr. Neó Trajano escreveu, sobre a referida personagem, a seguinte matéria: Antonieta Vieira Azevedo, nasceu no dia 26 de outubro de 1913 e morreu em 18 de dezembro de 1987, aos 74 anos de idade. Foi professora particular, e a sua escola, funcionava, no início, na rua Epitácio Pessoa, centro de Patos, sendo transferida mais tarde para a rua Roldão Meira, de onde não mais saiu.

Antonieta era muito jovem, quase menina, quando perdeu seu pai, Rochael de Azevedo, que foi assassinado, quando trabalhava na construção da linha de ferro, no município de Salgadinho, na época distrito de Patos. Ficou sozinha, na companhia de sua mãe, Teodolina Vieira de Azevedo, que era conhecida como Deolinda, parenta do senhor Antônio Fragoso, comerciante de tecidos em Patos e pai do Dr. Oscar Vieira. Na sua companhia ficou também o seu irmão, Pedro Vieira, que foi sacristão do Padre Fernando e mais tarde passou a trabalhar como balconista, no comércio local. Depois, Pedrinho como era chamado, foi embora para Minas Gerais onde casou e faleceu.

Meu pai, Noé Trajano, era presidente da União Beneficente dos Operários e conseguiu, com o interventor, Argemiro de Figueiredo, a nomeação de Antonieta, como professora estadual, onde foi lotada para ensinar na própria União Beneficente.

Antonieta foi professora de várias gerações, deixando, com o seu trabalho, uma legião de advogados, médicos, sacerdotes, políticos, etc., que hoje engrandecem a vida cultural e profissional de Patos, da Paraíba e do Brasil.

Dr. Evandro Ayres, que foi também, seu aluno, filho de Patos, que exerceu o cargo de prefeito de Fortaleza, para orgulho de todos os patoenses e paraibanos, quis homenageá-la na capital cearense, oferecendo-lhe passagem e hospedagem; viu-se impossibilitado de realizar o seu desejo, porque a homenageada, por razões superiores não pode comparecer.

Antonieta quando jovem, era muito bonita. Mesmo assim, nunca freqüentou bailes e nunca dançou. Teve um ligeiro namoro com o Dr. Ernani Sátyro, logo que ele se formou. Depois foi noiva de um rapaz, chegado do Ceará, bem sucedido no comércio. O noivado foi desfeito por desentendimento do rapaz com Deolinda, mãe de Antonieta, por ser o rapaz moreno. O ex-noivo foi embora para Fortaleza e dizem ter se tornado um homem rico, não casou com ninguém.

Antonieta sempre gostou de criar gatos e se levantava muito cedo, para cuidar dos afazeres de casa, quando sua mãe morreu. Sempre costumava dizer: “Se vocês passarem na minha rua, às nove horas da manhã e minha porta não estiver aberta, podem botar a porta abaixo, que eu estou morta”. Foi exatamente o que aconteceu…” . “Minha primeira escola, a banda e a retreta e a professorinha Antonieta”. Antônio Emiliano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *