Alfredo Lustosa


Nascido em Patos, aos 14 de janeiro de 1883, e filho de Silvino Lustosa Cabral e Maria de Azevedo Cabral, o nome em destaque realizou os primeiros estudos em sua terra natal, até 1897, quando, aos 14 anos, na fase áurea da borracha, empreendeu viagem ao Amazonas, em companhia do seu irmão Silvino que já ali residia, proprietário do seringal “Redenção”, localizado no alto Juruá, o qual estava no sertão a passeio, disposto a retornar, atrelado aos negócios que lá deixara.

O relato da vida de Alfredo Lustosa Cabral nos seringais, onde foi mateiro, remador e varejador de canoa, cozinheiro, regatão, agricultor e inspetor de quarteirão, ficou gravado nas páginas do seu livro “Dez anos no Amazonas”, publicado em 1949, pela Escola Industrial da Paraíba, com prefácio de Octacílio Nóbrega de Queiroz e republicado em 1984, pela Gráfica do Senado Federal, com apresentação do senador Jorge Kalume, um dos representantes da região Amazônica na Alta Casa do Congresso Nacional.

Retornando a Patos em 1907, após a aventura, Alfredo Lustosa Cabral retoma seus estudos, matriculando-se na Escola Normal da Paraíba, por onde se graduou em 1912. No Governo de João Pereira de Castro Pinto, foi nomeado professor público da cadeira do sexo masculino, de Patos, tendo lecionado por vários anos, chegando até a aposentadoria na referida função.

Em 1917, casou-se com sua prima Josefa Lustosa Cabral (Dona Dondon), união da qual surgiram os filhos: Anatildes, Maria Nazaré, José Tomaz, Benedito e Pedro. Alfredo Lustosa, que tocava violão e flauta, chegou a integrar a Banda Municipal de Patos e também foi correspondente dos Jornais A União e A Imprensa.

A sua atividade no magistério foi das mais profícuas, lecionando a sucessivas gerações de patoenses, inclusive figuras que se sobressaíram na vida política e social da Paraíba e do Brasil. Entre os seus alunos podemos citar: Ernani e Clóvis Sátyro, Dom Fernando Gomes, Octacílio Nóbrega de Queiroz, Brigadeiro Firmino Ayres, Lauro Queiroz, Milton Gomes, Neo Trajano e Dinamérico Wanderley.

Em Patos ele foi ainda rapadureiro, vereador e adjunto de promotor, atuando no rumoroso processo contra os acusados do assassinato de Francisca, a quem, posteriormente, se passou a atribuir a feitura de milagres, dando origem à romaria da Cruz da Menina.

Depois de obter aposentadoria no cargo de professor público, ao invés de encerrar suas atividades, Alfredo Lustosa Cabral surpreendeu a todos, ingressando na Faculdade de Odontologia do Recife, após aprovação em concurso vestibular, sendo o primeiro patoense a graduar-se nesse setor.

Uma vez formado, voltou à terra natal e passou a exercitar a profissão, montando consultório em sua própria residência e prestando inestimável serviço à população.

Alfredo Lustosa Cabral deixou, inédito, um trabalho de pesquisa intitulado “Patos”, uma verdadeira trajetória do município, segundo apreciação feita por Coriolano de Medeiros, conterrâneo que teve a oportunidade de compulsar seus originais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *