Futebol

A Paixão pelo Esporte mais popular do Brasil, na cidade de Patos inicia em 1926, quando José Jorge de Sousa, pai do ex-prefeito Olavo Nóbrega, criou o Comercial Futebol Clube. De lá para cá muitas agremiações foram surgindo até que chegássemos aos tempos da polarização entre o Pato e o Canário, mascotes do Esporte e Nacional, respectivamente.

O mais curioso da história do nosso futebol está relacionado ao fato de que nenhum dos times profissionais chegou a proporcionar tantas alegrias quanto o amador Botafogo Futebol Clube de Inocêncio Oliveira, fundado em 1946, o qual conseguiu permanecer invicto durante mais de seis anos, escrevendo uma das páginas mais bonitas desta modalidade na principal cidade sertaneja. Diferentemente de hoje, havia uma enorme dedicação, amor às cores da bandeira e insistente vontade de vencer.

A chegada daquele que mais tarde seria considerado o patrono do nosso futebol, data de 1921. Inocêncio Oliveira, que nascera em Taperoá, no dia 26 de outubro de 1895, vinha tentar a sorte em solo das Espinharas, desenvolvendo a sua atividade profissional de pedreiro. Contudo assumiu funções distintas: músico da Banda do professor Anésia Leão, fiscal da Prefeitura e, juntamente com Adauto Procópio, Pedro Alma, Antônio Macaco, Severino Grosso e Manoel Chibara, desenvolveu incursões em busca de minérios, o que lhe rendeu um considerável patrimônio.

Com relação ao seu ingresso no futebol, vale ressaltar que tudo teve início a partir de uma visita dos amigos Souto Maior e Zé Balbino, o convidando para uma reunião no sobradinho onde funcionou o Açougue Público, na Praça da Babilônia. Lá chegando, encontrou ainda, Caetano Marinho, Adauto Santos, Severino Lustosa, Luiz Marinho, entre outros, que praticamente o impuseram a condição de presidente da equipe ora em formação. De pronto foi feita uma coleta de quase três contos de réis. No dia seguinte Inocêncio mandou cercar o Campo do Estrela e transformou sua casa em hotel para os jogadores procedentes de outras cidades, onde os mesmos tinham café, almoço, janta e ceia, além de dinheiro para algumas farras. Dada a experiência, captada a partir da época em que jogou futebol em sua terra natal, não aceitou de início disputar partidas com os seus principais rivais, a exemplo do Brasil e o Cica. Somente quando chegou a seleção desejada, composta de Zezé, Urái, Biu Porto, Totinha, Zé Bom, Adelson, Mané de Ferro, Josias, Araújo, Ruivo e Zuca, é que decidiu encarar os adversários, obtendo os melhores resultados. O primeiro grande jogo diante do Treze de Campina Grande foi o maior termômetro de que a façanha estava apenas por começar. Ao final o Botafogo havia vencido por 6 a 5. A Seleção de Coremas, uma das melhores equipes da região, também veio a Patos e acabou amargando uma derrota por 4 a 0. Pediu revanche e após um bom período de preparação voltou para vingar-se e novamente foi derrotada, desta feita por 4 a 2. Irritado com a equipe perdedora, o seu técnico França rumou para Fortaleza prometendo que voltaria para acabar com a imbatível agremiação de Patos. Tempos depois ele enviou o Ferroviário do Ceará que havia conseguido um empate com o forte Fluminense do Rio. Aqui chegando foi derrotado por 3 a 2.

Durante a existência do Botafogo de seu Inocêncio, o povo de Patos viveu um permanente carnaval. No entanto, já abatido financeiramente e registrando problemas de saúde, o dirigente que não conheceu a derrota teve que se transferir para a Bahia. Ao regressar fora convidado para outra reunião e desta feita uma decisão prévia já havia sido tomada: a transformação do Botafogo em Esporte Clube de Patos. Mesmo não concordando, ele ofereceu toda a documentação, a bandeira, os troféus e, inclusive, o recibo do pagamento mensal feito à Federação.

As duas equipes de futebol profissional da cidade de Patos têm trajetórias distintas, cujas origens não estão contidas na lembrança de todos. Rememorar as suas constituições e reviver um pouco dos grandes momentos de euforia proporcionados à torcida sertaneja é, ao mesmo tempo, homenagear os benfeitores desse setor.

O Esporte Clube de Patos foi criado no antigo Tiro de Guerra, em 7 de julho de 1952, tendo como primeiro presidente, José Torreão. Constam como fundadores, entre outros, o Dr. Lauro, Sigismundo Souto Maior, Sargento Porfírio e Zéu Palmeira. O “Terror do Sertão”, como tornou-se mais conhecido, entrou na primeira divisão em 1965.

O Nacional Atlético Clube surgiu no dia 23 de dezembro de 1961, fruto da união de vários funcionários federais, sediados em Patos, criando a partir daí não apenas uma opção a mais para a torcida local, mas, instituindo uma rivalidade já peculiar ao futebol em diversos pontos do universo. Suas cores iniciais eram: verde e amarelo e depois passou a verde e branco. Seu primeiro presidente foi o funcionário dos Correios e Telégrafos, José Geraldo Dinoá Medeiros.

Mesmo tendo sido detentora de uma verdadeira escola futebolística, a Capital do Sertão da Paraíba não chegou a conquistar nenhum título paraibano. Na retrospectiva de resultados vale lembrar que enquanto o futebol de Patos foi praticado no velho campo do Colégio Estadual, o Nacional não foi feliz no confronto direto com o Esporte. Somente depois da inauguração do Estádio Municipal José Cavalcanti, em 29 de novembro de 1964, o “Verdão Maravilha” começou a mostrar as garras. Após a solenidade de abertura da nova praça de esportes com a presença do Governador Pedro Gondim e do Ministro José Américo de Almeida que desfecha o ponta-pé inicial da primeira partida, o Canário vence o Pato por 2 x 1 e passa a ter uma ligeira vantagem com o decorrer dos tempos. O Nacional computou quatro vice-campeonatos paraibanos no século XX (78, 89, 90 e 91), chegando a ser penta campeão do torneio Incentivo (77, 78, 79, 80 e 81). Ganhou mais vezes a “Taça Cidade de Patos”, disputa que se realizava anualmente, do que o Esporte. Conquistou fama e nome através dos amistosos que disputou em muitas cidades do Nordeste. Entre os grandes atletas do Canário, podemos destacar a dupla Lulu/Dissôr, pela habilidade rumo ao gol, capaz de atrair público, além de outros conhecidos craques da prata da casa: Zito Queiroz, Mário Moura, Messias, Clóvis, sem falar dos visitantes, a exemplo de Oliveira e Gonzaga. Vale ressaltar também a descoberta de alguns valores de apelidos esquisitos: Côco, Cocó, Tripa, Gato, Grilo e Mucuim.

A ironia do destino foi um tanto quanto cruel com o maior nome do futebol patoense. O reconhecimento tardio é uma prova de que as autoridades não têm dado a importância que merecem os grandes personagens da história. Somente em 21 de fevereiro de 1978, a Câmara Municipal de Patos aprovou o Ante-Projeto de autoria do vereador Vigolvino Lopes dos Santos, concedendo o Título de Cidadão a Inocêncio Oliveira que acabou optando por não recebê-lo festivamente. Estava desencantado com o tratamento que lhe fora dispensado após a extinção do Botafogo, chegando ao ponto de ser barrado no Estádio Municipal José Cavalcanti. Por outro lado o seu estado de saúde já se encontrava em decadência, sem falar na sua condição financeira, não dispondo, segundo ele, sequer de roupas adequadas para o evento e recursos suficientes para proporcionar uma grande festa, onde todos os seus amigos pudessem beber e comer por sua conta, como acontecia nos bons tempos de sua equipe futebolística. Inocêncio Oliveira faleceu na cidade de Patos, no dia 05 de janeiro de 1980 e o seu corpo foi sepultado no Cemitério de São Miguel. No cortejo estiveram os atletas: João Francisco e Mazinho de Zé Conrado, portando a bandeira do Botafogo; Chico e Amarante conduzindo a Bandeira do Esporte; Totô e Valdim de Mizael com a flâmula do Fluminense. Pouca gente compareceu ao momento do último adeus.
Das equipes amadoras que registraram época áurea na cidade de Patos vale ressaltar, ainda, o Espinharas de Tiburtino, Os Fluminenses de Zé da Ford, de Totô e Mozinho; o Botafogo de Maurílio de Dr. Dionísio; o Brasil de Nô Gomes; o Olaria de Chicó; o Santa Cruz de Toinho; o Umuarama de seu Wilson; o Esportim de Beca Palmeira; o Botafogo de Pedro Leitão; o Bangu de Binda; o Flamengo de Vigolvino; o Galícia de Nino, o São Cristóvão de Vicente Tomaz; o Náutico de Cochilão; o Atlético de Mário leitão; o Olaria de Titico; o Vasco de Elizardo, o Guarany de Capão, entre outros.

Ainda com relação ao futebol amador, vale lembrar o grande impulso conquistado a partir da fundação da Liga Patoense, em 06 de janeiro de 1971, tendo como primeiro presidente o desportista e bancário Paulo Lacerda de Oliveira.

Pedro Leitão: a fábrica de um time

Para embelezar ainda mais a história do futebol de Patos, vale relembrar uma curiosidade, com requisitos básicos a sua inclusão no Guinnes Book (Livro dos Recordes), pelo fato de ser um acontecimento ímpar na história do esporte mais popular do Brasil.
A Revista Manchete, edição do mês de janeiro de 1982, publicou: “TUDO EM CASA ? “A família que chuta unida permanece unida” poderia ser o lema dos Leitão. Pedro Araújo Leitão é o técnico do time do CEI (Centro Esportivo dos Irmãos), formado por seus filhos Mário, Célio, Pedrinho, Ney, João, Carlos, Alberto, Marcos, Maciel, Marxedes e Suel. As irmãzinhas D’águia, Izabel, Socorro e Aparecida são as mascotes, e os primos Mário, Moacir e Arisleido por sua condição de primos ficam no banco de reservas. A estréia da briosa equipe se deu na recente reinauguração do Estádio Municipal de Patos, Paraíba. E, na hora de posar para a clássica foto, a mãe, D. Luzia Ferreira Leitão, adentrou o gramado orgulhosa, embora, do time, ela seja apenas a torcedora nº 1.
A família Leitão, além do casal, é composta de 15 filhos, sendo 11 homens e quatro mulheres. A tendência para o futebol sempre correu nas veias hereditárias, a partir do pai que foi atleta defendendo, entre outras equipes, as cores do Botafogo e quatro dos filhos que participaram do futebol profissional da Paraíba. A memorável partida que marcou a reabertura da principal praça esportiva de Patos, aconteceu no dia 21 de outubro de 1981, atendendo convite do então prefeito Edmilson Fernandes Mota, oportunidade em que os irmãos enfrentaram uma equipe formada por ex-atletas profissionais de Patos: Nilson, Touro, Paulo Bode, Petrônio, Dinaldo, Dissôr, Sabará, Lulu, Bastim, João Grilo e João Batista. Ao final o placar marcava 1 x 1, sendo que o Beira Riacho Campestre Clube marcou no primeiro tempo, através de João Grilo e o Centro Esportivo dos Irmãos descontou na segunda etapa por intermédio de Marxedes. O espetáculo foi presenciado por cerca de 15 mil torcedores e, como não poderia deixar de ser, entrou para a história da cidade. Dona Luzia faleceu em 22 de novembro de 1998 enquanto Pedro Leitão deixou o nosso convívio em 10 de setembro de 1999.


Mesmo tendo nascido em Campina Grande, Antônio Araújo de Melo, começou sua carreira para o estrelato no município de Patos, em 1938, aos 23 anos de idade. Atuou no Brasil Esporte Clube, Botafogo de Inocêncio e teve passagem pelo Esporte. Em 1945 vestiu a camisa do Treze, época em que estava servindo ao Exército Brasileiro. Em 1946 volta à cidade de Patos para fazer parte de um selecionado que enfrentaria o Santa Cruz do Recife e marcaria cinco gols na partida em que venceria por 5 x 4, o que acabou resultando na sua contratação para o time pernambucano que, em 1947, conquistou o campeonato estadual com Araújo na condição de artilheiro. A partir daí sua fama ultrapassou fronteiras, tendo sido contratado pelo Bahia, time vencedor do campeonato estadual de 1948.

Na temporada seguinte, Araújo voltou ao Galo da Borborema, conquistando várias vezes o Campeonato Paraibano. Em 1953 ele regressa a Patos para defender as cores do Esporte, no Campo do Ginásio, demonstrando que além de craque e artilheiro era um grande cabeceador. Chegavam a afirmar que uma cabeçada de Araújo era mais forte do que o chute de um jogador comum.

Sua despedida no Esporte aconteceu em 1962, época da inauguração do Hotel JK, numa partida contra o Sport do Recife, cujo jogo acabou empatado. Naquela ocasião estava concretizada a despedida do melhor craque de Patos em todos os tempos. Considerado um jogador clássico, Araújo também se destacou pelo seu espírito esportivo, nunca tendo sido expulso de uma partida de futebol.

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