Teatro


Não existem informações concretas sobre o ponto de partida das nossas artes cênicas, acreditando-se que as primeiras manifestações, em tons de jograis escolares e homenagens religiosas, tenham ocorrido no início do século XX. Somente em 07 de agosto de 1942, vamos ter o registro de um espetáculo, levado a efeito por um grupo de jovens amadores, composto por: José Palmeira, José Soares, Carlos Almeida, Juvenil Ferreira, Sebastião Medeiros, Santina Freitas, José Alves Fragoso, Newton Dantas e Pedro Vieira. A peça intitulada UM ERRO JUDICIÁRIO, foi desenvolvida em três atos e teve como palco o Cine Eldorado.

A enciclopédia humana aponta o ano de 1959 como um ponto importante para o teatro, na cidade de Patos, graças ao primeiro Bispo da Diocese, Dom Expedito Eduardo de Oliveira, que veio evangelizar não apenas pelos caminhos verbais, mas também através da representação artística. Surgiu então um grupo de dramatização formado por jovens talentosos da época, a exemplo de Emília Longo, Durval Fernandes, Professor Oliveira e Arnaldo Diniz. A equipe conseguiu levar à cena apenas duas peças sacras e foi extinta por falta de receptividade do público.

Graças à influência da rádio-difusão, em 1960, surgiu um espaço ímpar para o teatro em Patos, liderado pelo locutor Severino Quirino, o qual dirigia o setor artístico da Rádio Espinharas. O novo grupo passou a ter uma atuação brilhante, com audiência em grande parte do Nordeste e tendo em sua constituição pessoas como: José Augusto, Nestor Gondim, Guimarães, Edileuson Franco, Amauri Fernandes, Emília Longo, Geraldo Queiroga, Batista Leitão, Professor Oliveira, Fildany Gouveia, Socorro Quirino, Paulo Lacerda e muitos outros que marcaram a história do rádio-teatro.

Já nos últimos anos da década de 60, com o surgimento do famigerado Grupo Fortelândia, registrou-se um impulso considerável. A referida organização trouxe muitas glórias para Patos, inclusive o título de campeã de um festival de teatro realizado na cidade de Sousa. Os grandes destaques na condição de atores eram: Wilson Medeiros, Jorge de Zizi, Marcos Araújo e Ribamar de Lima.

Em 1969, o Jovem Luiz Fragoso Filho (Lula Fragoso), sentindo a necessidade de exteriorizar uma capacidade nata, fundou um grupo denominado Teatro Santo Antônio, o qual foi pioneiro na encenação da Paixão de Cristo, tendo como tablado inicial as artérias que vão desde a Catedral até a Igreja de Santo Antônio. Mais tarde, o espetáculo referencial seria transferido para ginásios, cinemas e estádios de toda a região, levando o nome de Patos a patamares desejados em termos de cultura. Era, efetivamente, um trabalho desenvolvido por amor à arte, onde todos arregaçavam as mangas e objetivavam tão somente contribuir para o engrandecimento cultural da Rainha Sertaneja. Outros temas também foram discorridos pelos integrantes da organização artística, a exemplo da Inconfidência Mineira e o conseqüente sacrifício de Tiradentes. Na década de 70, incentivados pelo grupo existente, surgiram novas levas teatrais, tais como a Juventude Unida a Cristo, J.J.C. e São Sebastião.

Em 1979, aconteceu a unificação de todos os grupos existentes na cidade, surgindo a Associação Teatral de Patos, estreando com um autêntico e gigantesco espetáculo, o qual marcaria também a sua extinção. Já no início da década de 80 a Capital do Sertão ganhava fama interestadual, quando conquistava a primeira colocação no Festival de Teatro da cidade de Salgueiro – Pernambuco, através do Clube de Castores, onde além de ser contemplada com o troféu de melhor peça, recebeu ainda o prêmio de melhor ator, através da atuação do Jovem Ivanildo Viana da Silva. O referido interprete foi convidado pelo teatrólogo patoense, Clidemar Barros, para participar do espetáculo “Os Ciganos”, de autoria de João Emídio, vivendo com brilhantismo o personagem da cantora Elba Ramalho, conseguindo uma imitação impecável e galgando o reconhecimento da crítica.

Nesta mesma época surge a Companhia Teatral Cordel, a qual perduraria por quase uma década, apresentando espetáculos dos mais diversos temas, a maioria de integrantes do próprio grupo, não apenas em Patos, mas em diversas cidades da região, inclusive chegando a ganhar prêmios em nível estadual, a exemplo da Terceira Gincana Estadual realizada pelo Mobral em João Pessoa. Com o Cordel surgiu também uma grande luta pela construção de um Teatro em Patos e foi justamente a falta de apoio do Poder Público o que mais contribuiu para que acontecesse o desaparecimento desta manifestação cultural, que ficaria restrita a alguns movimentos isolados nas escolas. Vale destacar a grande importância do Grupo Rabi, dirigido por Rilton Meira, com inúmeras apresentações do Espetáculo da Paixão de Cristo.

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