Cinema


A instalação de nossa primeira sala de exibição cinematográfica data de 1925, operando em 16 mm, tendo à frente o senhor João de Barros e localização na esquina da rua Roldão Meira com a Miguel Sátyro. Vasculhando números antigos do informativo Voz Paroquial, encontramos em 19 de julho deste mesmo ano a seguinte divulgação: “O Cinefarol apresenta, hoje, a película MARIDOS CIUMENTOS, com Julian L’Estrange”. O precário cinema permaneceria em atividade até 1929 e fecharia suas portas por falta de apoio da comunidade. Apesar de não ser uma casa bem arrumada e para a época bastante difícil, enquanto existiu, significou um grande instrumento de cultura e diversão para a Capital do Sertão.

Em 1934, a cidade ganharia o seu segundo cinema, desta feita na avenida Solon de Lucena, esquina com a rua Tiradentes, fruto de um empreendimento do senhor Agripino Cavalcante de Albuquerque, tendo a denominação de Cine Eldorado, já operando em 35 mm, igual aos das grandes cidades. Com o sucesso conseguido, através do incentivo da Prefeitura e apoio da população, uma outra Casa foi aberta, sob a mesma organização, na Rua do Prado. Mais tarde começaram as dificuldades de manutenção obrigando o fechamento da primeira filial.

Na luta contra a crise que poderia encerrar de vez a atividade que já perdurava por alguns anos, aconteceu a união do então proprietário com o empresário Joaquim Araújo. Com esse suporte e a conseqüente melhoria de freqüência os novos sócios passaram a investir na construção de um espaço mais atraente e adequado, capaz de proporcionar maior conforto aos que se destinavam ao lazer, culminando com a inauguração do Cine Eldorado da rua Pedro Firmino, edificação iniciada em 1942 e inauguração em 09 de fevereiro de 1946 com o filme “A SUTANA DA SORTE”, estrelado pela grande atriz Doroty Lamor e ingressos cobrados ao preço de quatro mil réis. O novo prédio foi construído em terreno doado pela administração pública municipal, através do Decreto nº 13. Com instalações amplas e modernas, surgia um novo horizonte para o cinema em Patos. A população, já bem mais politizada e com os cartazes evoluindo em meio ao progresso e comportamento social, comparecia em massa às sessões, dando auto-suficiência ao empreendimento. Aliás, nem poderia ser diferente uma vez que Agripino Cavalcante de Albuquerque era habilidoso e de grande cultura (dominava o inglês, francês e italiano), além de ser filho de dono de cinemas; Já o senhor Joaquim Araújo, tornou-se conhecido como o maior técnico de eletricidade de Patos e, juntamente com os dois proprietários estava o Mestre Abdon, professor na prática da mecânica do Sertão Paraibano.

Entre os funcionários tradicionais das melhores épocas podemos citar: Pedro Germano, Zezinho Pintor, Zé Ramos, Ziro, Hardman Cavalcante, Severino Josué, Zé Caunhã, Manuel Antão, Júlio Paulo, Antônio do Cinema, Adauto Araújo, João César Brandão e outros. A equipe da casa criou grandes métodos para atrair a população. Na terça-feira acontecia a sessão popular com reprises, na quarta-feira filmes de amor, mais destinados às moças.

Já na quinta-feira acontecia o grande seriado, com destaques para alguns títulos que ficaram na história, a exemplo de: “O SEGREDO DA ILHA DO TESOURO”, “O FALCÃO” e “A CAVERNA”. Todos os domingos aconteciam as matinês ao preço promocional de quinhentos réis.

Em 18 de maio de 1957, o Cine Eldorado inaugurou moderno equipamento de Cinemascope, ocasião em que foi exibido o filme “Desirée O Amor de Napoleão”, com Marlon Brando e Jean Simons. Para assinalar o acontecimento foi publicado um folder, contendo matérias sobre a sétima arte, agradecimentos aos colaboradores, aconselhamentos a respeito de como se comportar na sala de projeções, publicidades e uma homenagem de saudade a dois espectadores que haviam falecido de forma prematura: Jairo Meira Wanderley e Joaquim Gonçalves Neto, mais conhecido por Doutor. O novo equipamento possuía as seguintes características: Projetores Scopus VIII, projeção de alta intensidade (45 a 60 amperes) RCA; equipamento sonoro Phillips, Tela Plástica TOP-AZ5x11ms, Scope ótico com nove alto falantes para efeitos esteriofônicos.
Com o desenvolvimento da cidade, o senhor Joaquim Araújo empenhou-se em construir o maior e mais luxuoso cinema do alto sertão, com localização na rua do Prado, mas não conseguiu conclui-lo por problemas de saúde.

Depois de quase 30 anos de Eldorado da Pedro Firmino, o senhor Agripino Cavalcante Albuquerque, encontrava-se no fim de sua carreira empresarial e, em 1971, de comum acordo com o seu sócio, negociou o empreendimento que passou a fazer parte da Empresa de Cinemas São Francisco, com sede em Caicó – Rio Grande do Norte, pertencente ao senhor Zé do Ouro, que de imediato deu seqüência e concluiu a construção daquele que seria o maior ponto de exibição e teria como slogan “O Gigantão do Prado”. O filme de lançamento foi “A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM”.

Com dois cinemas em funcionamento, o principal exibindo os lançamentos e o antigo apresentando as reprises, a atividade continuou em ritmo acelerado, contudo uma única reclamação era ecoada: com a chegada da nova empresa a população perdeu as grandes companhias americanas, francesas, italianas, inglesas e nacionais, uma vez que a exclusividade de títulos passou a ser da companhia mexicana Peomex. Mesmo assim o campo crescia a cada momento e a exigência do mercado atrairia o empresário Expedito Costa, do Estado do Ceará, o qual trouxe uma empresa de grandes exibições, o Cine Plaza, na rua Felizardo Leite, em prédio adquirido da Algodoeira Araújo, Rique & Cia, aberto ao público no dia 27 de agosto de 1979, com o filme “QUANDO A VIDA É UM ROMANCE”, inaugurado três dias depois com a exibição de “O TUBARÃO”. Foi um grande acontecimento na história do cinema em Patos. 15:00h a solenidade, com o corte da fita simbólica, feito pelo senhor Agripino Cavalcante; 16:00h, sessão para convidados e a partir das 18:00h, para a população em geral, com duas sessões.

Se por um lado o Plaza não apresentava o mesmo conforto do São Francisco, por outro conseguia levar a efeito uma melhor programação, exibindo todos os grandes filmes, produzidos em duas décadas e alguns em outras, a exemplo de: “Dona Flor e seus dois Maridos”, “Inferno na Torre”, “O Anti-Cristo”, “Uma janela para o Céu”, “Um dia de Sol”, “Um dia de Cão”, “Keoma”, “Lúcio Flávio, o passageiro da agonia”, “A última Viagem”, “A Dupla Explosiva”, “Os brutos também amam”, “O Ouro de Makena”, “Na ponte longe demais”, “O Exército de cinco homens”, “Chica da Silva”, “Uma lágrima, um amor”, “Perdida na noite”, “Entre dois destinos”, “Contatos imediatos do terceiro grau”, “Terremoto”, “O Poderoso Chefão”, “O Dia do Chacal”, “O bebê de Rosimery”, “Piranha”, “Era uma vez em Holywood”, “Flávia, a freira muçulmana”, “Emmanuele, a verdadeira”, “Cidade Violentada”, “A primeira noite de um homem”, “A vingança do homem chamado Cavalo”, “Iracema”, “Maldição das Aranhas”, “Amor bandido”, “O Gordo e o Magro”, “Fugindo do Inferno”, “O grande Ditador”, entre muitos outros. O Cine Plaza fechou suas portas em 3 de janeiro de 1981.

Com a gerência de Almir Rogério, desde 19 de dezembro de 1971, O Cine São Francisco ainda viveu épocas de glória, passando a mergulhar em grande decadência no início da década de 90, oportunidade em que apenas a unidade do Prado permaneceria em atividades. Uma tentativa de soerguimento surgiu em meio à sociedade, no sentido de que as autoridades tomassem alguma iniciativa em defesa desse patrimônio cultural. O empresário Nabor Wanderley da Nóbrega Filho bem que tentou através de um arrendamento junto ao proprietário, mas antes de um ano de comando acabou por desistir dada a falta de apoio da comunidade.

Insistindo junto ao dono do empreendimento o gerente Almir Rogério conseguiu tocar por mais algum tempo, contudo o fechamento foi inevitável e o prédio acabou dando lugar a um Bingo, o qual chegaria a ser suspenso por conta da legislação. Mais tarde o Gigantão do Prado passou a sobreviver aos trancos e barrancos, fruto do amor à arte de quem dedicou a sua vida a essa atividade. Já não tão grande no aspecto de admirado parecia enfadado pelos longos anos de vida e pouca aceitação dos viventes atuais. Para os mais experientes, o cinema passou a significar a tristeza de uma atividade que tem os seus dias contados. No final de 2004, com a abertura do Guedes Shopping Center, duas novas salas de exibições passaram a ter funcionamento regular.

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